Moradores da Urbanização Vila Pacífica, no Zango 0, manifestam preocupação com o surgimento de construções consideradas desordenadas em espaços inicialmente reservados para infra-estruturas sociais
A comunidade denuncia ainda problemas de iluminação pública, limpeza e segurança, situação que, segundo os moradores, tem degradado a imagem do projecto habitacional e afectado a qualidade de vida dos cerca de seis mil habitantes.
Em declarações à imprensa, os moradores que preferiram não ser identificados, afirmaram que faz algum tempo que começaram a surgir casebres, barracas, roulottes e outros estabelecimentos comerciais em áreas que pertenciam ao Instituto Nacional de Habitação.
“Todos os espaços que não têm edifícios eram destinados à infra-estruturas que pudessem agregar valor ao projecto. Hoje, vemos construções definitivas que não dignificam a centralidade”, lamentou um dos moradores.
De acordo com o mesmo morador, quando a urbanização começou a ser habitada, houve um entendimento entre a comunidade e a Administração Local para que fosse elaborado um projecto que definisse o uso adequado dos espaços vazios. Técnicos da própria comunidade teriam sido mobilizados para desenhar uma proposta que contemplava serviços como bancos, clínicas, parques infantis e outras infra-estruturas sociais.
O projecto foi apresentado aos moradores e, segundo relatos, teria recebido apoio do então administrador do Zango. Contudo, após a exoneração do responsável, o plano não avançou. “Estranha-se que, depois da aprovação do projecto e do interesse de empresários em apoiar, tudo tenha parado. Hoje, vemos os espaços a serem ocupados por construções improvisadas sob o olhar da administração do agora Calumbo”, referiram. Entre as principais inquietações apontadas, está a ausência de serviços essenciais.
Os moradores reclamam da inexistência de caixas automáticas (ATM), centros médicos de referência e espaços de lazer. “Se alguém tiver uma emergência grave, precisa de deslocar-se até outras zonas do Zango.
Não temos aqui um hospital ou clínica de relevo”, sublinhou um outro morador. A comunidade também denuncia a existência de focos de lixo e o aumento da criminalidade, alegadamente associado à falta de iluminação pública e ao crescimento do comércio informal. “À noite, há zonas completamente às escuras.
Isso favorece a delinquência”, afirmou. O presidente do Conselho de Moradores, Herculano Mutambi, confirmou que foi criada uma comissão conjunta para analisar a situação. Segundo Herculano, a comissão integra representantes da administração e da comunidade e tem como missão fazer o levantamento das ocupações e propor soluções. “Temos um olhar de preocupação.
As ocupações violam procedimentos legais e não correspondem às necessidades da urbanização”, disse. Mutambi adiantou que os moradores aguardam medidas concretas por parte da administração, incluindo a responsabilização de eventuais cúmplices dentro das instituições públicas e a implementação de melhorias prometidas, como reforço da iluminação e reorganização dos espaços.
Por: Stélvia Faria








