Na localidade da Palanca, cerca de 40 quilómetros da sede municipal da Jamba Mineira, província da Huíla, homens, mulheres e crianças estão a ganhar a vida com a lavagem de cascalho de ouro, exploração ilegal localmente apelidada por “drumo”, sendo que cada 20 kg custa entre cinco a 15 mil kwanzas
A descoberta do ouro, um dos meios de pagamento mais procurados no mundo, despertou a consciência financeira de homens, mulheres e crianças na localidade da Palanca, município da Jamba, província da Huíla. Na zona, entre os municípios do Chipindo, Kuvango e Jamba, há uma das maiores minas de ouro. Por parte dos populares, a exploração tem sido ilegal nos últimos tempos.
Assim sendo, um grupo de garimpeiros denominado Ordem e Tranquilidade na Palanca também criou as suas próprias regras no terreno para a actividade ilícita. Para além da segurança no local, há o compromisso de se conceder autorização a quem quiser dedicar-se a esta actividade, assim como vender no maior mercado criado, onde se vende quase tudo, no meio do mato.
De acordo com este grupo, num raio de três quilómetros, as mulheres dedicam-se à lavagem do material explorado no rio sob fortes medidas de segurança, visto que o desvio de um saco ou mais de cascalho pode levar à morte.
Os kwanzas estão ali encriptados. No grupo, um dos seguranças, que pediu anonimato, garante que, na organização da “mina da Palanca”, as mulheres que lá “vendem” a sua força de trabalho são provenientes de vários pontos do país.
Namibe, Cunene, Cabinda e Huíla, a anfitriã, são as províncias que mais senhoras têm a trabalhar na comuna da Palanca, município do Jamba, há largos meses do ano passado. Deste modo, a reportagem do jornal O PAÍS abordou Maria José, que vive na cidade do Lubango, no entanto, está na localidade da Palanca à procura de melhores condições de vida.
“Não consigo emprego na cidade do Lubango, por isso estou aqui a trabalhar para mudar a minha vida nos próximos tempos, sei que a tarefa é difícil, mas estou aqui”, disse.
Maria José lamentou que é mãe, logo a vida na cidade não está fácil, por isso aceitei o convite da minha amiga que já cá está faz tempo na lavagem do “drumo”, sendo que um “quibuto” de 10 a 20 kg de cascalho cobra-se cinco a 15 mil kwanzas, depende muito, na ausência de chuvas, chegase a cobrar 50 a 150 mil kwanzas por lavagem.
Por sua vez, Antónia Kaquinda, de 26 anos, do município da Chibia, disse que está na localidade da Palanca, numa lavaria construída pelo seu namorado que, ao mesmo tempo, é seu patrão.
A jovem trabalha para sustentar os seus três filhos e os pais biológicos, uma vez que a vida apertou na cidade do Lubango e arredores, há mais de cinco anos, no entanto, teve que encontrar novos rumos. “A vida está difícil. Não há emprego para nós, as jovens.
Por isso, viemos com um grupo de amigos trabalhar aqui no Drumo. Quando consigo um valor considerável, envio para a minha mãe que vive na Chibia com os meus filhos e assim está a dar para sobreviver. É melhor do que ficar sem fazer nada”, admitiu a jovem.
Perigo à espreita
O processo de exploração de ouro na localidade da Palanca, município da Jamba, província da Huíla, é feito sem o mínimo de segurança. Os garimpeiros trabalham na escavação da terra, buracos, as crianças trituram o cascalho e levam até às senhoras, cuja missão é a lavagem do “drumo”.
Sem protecção, as mulheres e demais membros da cadeia de trabalho correm o rico de se lesionarem por conta dos objectos cortantes ali existentes, sem esquecer o peso do material, muitas colocam a saúde em risco.
Nesta cadeia de trabalho, as crianças, de 10, 15 anos, pelas dificuldades que enfrentam no seio da família, são submetidas à exploração sem terem noção dos perigos que correm naquela zona.
No terreno, após a escavação, têm a missão de “mexer ou amassar” o cascalho e depois levarem às senhoras para a devida lavagem e escolherem o precioso metal.
Apesar do trabalho forçado, na localidade da Palanca, não há qualquer unidade hospitalar, muito menos um ponto de primeiros socorros. Implica que os garimpeiros estão lá atirados à sorte.
Estradas e outros serviços são de pouca qualidade na Palanca, no entanto, os garimpeiros suplicam às autoridades a colocação de tudo e mais alguma coisa que está em falta na zona.
Por: João Katombela, na Huíla








