A falta de condições no troço que liga a localidade da Palanca, a cerca de 40 quilómetros do município da Jamba, na província da Huíla, está a preocupar os habitantes, que volta e meia encontram soluções subjectivas para manterem a comunicação com as zonas vizinhas. Entre as soluções, destaca-se a construção de “pontecos” de fabrico artesanal com o objectivo de se continuar a circulação de pessoas e bens
Dezenas de jovens das localidades de Valódia, Makulungungo e Palanca engajamse na construção de “pontecos” de fabrico artesanal para permitir a circulação de pessoas e bens. Paus, pedras e argila são materiais utilizados pelos populares no município da Jamba, província da Huíla. Nesses “pontecos”, a travessia de um lado para o outro tem custos e ronda os 1000 a oito mil Kwanzas. De acordo com os responsáveis dos grupos que se dedicam a este trabalho, diariamente, são arrecadados de 70 a 100 mil Kwanzas, que depois são apresentados aos sobas.
O valor é aplicado na compra de alimentos durante e também para a manutenção dos “pontecos”, sobretudo na época chuvosa em que os rios são quase que intransitáveis. Luciano Bernardo e Saraiva Augusto, membros da mesma família, são os responsáveis pela construção dos “pontecos” artesanais sobre o rio Tyiva, na localidade de Makulungugo, troço que liga a sede municipal da Jamba e a localidade de Palanca com mais sete colegas.
De acordo com os entrevistados, para o corte das árvores, foi necessário mobilizar a comunidade que juntou mantimentos para manter vivos os técnicos no terreno durante dias. “Nós tivemos de cortar árvores para fazer este ponteco, por isso estamos a cobrar 1000 kwanzas às motorizadas que por aqui passam e 2000 a 8 mil kwanzas aos carros. Este dinheiro é dividido entre os membros do grupo.
O resto levamos ao soba para ajudar a nossa comunidade”, disse Saraiva Augusto. Para os moradores da localidade de Valódia, banhada pelo rio Kassongue, onde a ponte de betão desabou faz tempo, os jovens mobilizaram-se para a construção de um “ponteco”.
Abel Kativa, responsável pelo grupo que construiu o “ponteco”, disse que a ideia inicial era garantir a circulação de pessoas e bens na comunidade, inclusive os professores.
“Depois de a ponte ter desabado, nós tivemos de encontrar alternativa, o nosso objectivo era só garantir a circulação dos professores, para que os nossos filhos e irmãos não ficassem sem ter aulas, mas depois que os homens do ouro começaram a circular aqui, entendemos que tínhamos que passar a cobrar, por causa do desgaste e a manutenção que é diária. Por dia, nós chegamos a produzir 70 a 100 mil Kwanzas, este dinheiro é dividido diariamente por 12 elementos do grupo e o resto vai ao soba”, revelou.
Moradores clamam pela intervenção da Administração Municipal
Os moradores das localidades de Valódia, Makulungugo, bem como os utentes do troço que liga a sede municipal, clamam pela intervenção da Administração Municipal da Jamba. Às autoridades solicitam que seja construída pontes metálicas para facilitar a circulação de pessoas e bens, porque o período das chuvas tem sido muito difícil para todos.
Nessa zona, a vida é bastante difícil, além de, em casos de doença, ser uma luta, porque as estradas não estão em condições, no entanto, sofre-se muito para se alcançar os Hospitais. Gervásio Kandangongo, camponês, para ter acesso à sua lavra, é necessário atravessar o rio Kassongo, que, para o efeito, gasta seminalmente 14 mil Kwanzas, por isso, gostaria que a Administração Municipal da Jamba resolvesse o mais breve possível esse problema.
“Circular aqui é muito difícil, sobretudo quando chove, porque os rios enchem e porque não há ponte, há momentos em que ficamos três a quatro dias sem sair de casa, por isso, gostaria que o Governo viesse aqui colocar pelo menos uma ponte de ferro, porque não é fácil circular neste tempo em que chove todos os dias”, apelou.
Por outro lado, Saraiva Augusto, morador da localidade de Makulungungo, pede que sejam construídos alguns equipamentos sociais, como escolas e hospitais para evitar as distâncias que são percorridas na busca destes serviços. “Queremos que o Governo construa escolas e hospitais, porque, sempre que a pessoa fica doente, é preciso ir de mota, mas sem pontes fica ainda mais complicado, há vezes em que a pessoa chega mesmo a morrer por falta de transporte”, lamentou.
Por: João Katombela, na Huíla








