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Política monetária não convencional: mecanismos de transmissão (II)

Jornal OPaís por Jornal OPaís
27 de Fevereiro, 2026
Em Opinião

Na sequência da nossa reflexão sobre as medidas não convencionais de política monetária e seus respectivos mecanismos de transmissão quando as taxas de juro oficiais são de 0% ou próximas deste valor, ou seja, quando os Bancos Centrais se confrontam com o zero lower bound (ZLB), após na primeira parte termos abordado sobre o Quantitative Easing, nesta edição, nos debruçamos sobre o Forward Guidance.

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O Forward Guidance é um instrumento de comunicação por via do qual o Banco Central anuncia de forma não convencional a orientação da sua política monetária.

Uma vez que o mesmo pretende moldar as expectativas dos agentes económicos relactivamente à trajectória futura das taxas de juro oficiais, no sentido em que elas se manterão baixas (a níveis inferiores) e durante mais tempo do que o expectável pelos agentes económicos na ausência desta estratégia, e igualmente em relação a quaisquer outras medidas que as autoridades pretendam tomar sobre os demais instrumentos de política monetária. Na prática, significa que o Banco Central assume o compromisso da manutenção das taxas de juro a níveis baixos durante um determinado período após a recuperação das variáveis macroeconómicas.

Dito de outro modo, o Banco Central compromete-se a adoptar/ manter uma política monetária mais acomodatícia durante um período mais longo do que o indicado pelas regras de Taylor. Uma comunicação clara e assertiva sobre as futuras intenções da política monetária ajuda os diferentes players (bancos, participantes do mercado financeiro, empresas e consumidores) a compreender melhor como os custos de empréstimo se desenvolverão no futuro e a conceder à economia o impulso necessário.

O Forward Guidance aumenta/reforça a eficácia da política monetária e concorre para a manutenção da estabilidade dos preços. No entanto, a ausência de comunicação assertiva é susceptível geradora de interpretações conflituantes e/ou de risco de envolvimento dos Bancos Centrais em contínuas discussões com os medias sobre palavras diferenciadas e detalhes técnicos. ´ Não obstante a isso, importa assinalar que mesmo quando a orientação futura é bastante explícita, a informação pode não surtir os desejados efeitos estimulantes e acabar por ser mal interpretada pelo público.

O conteúdo das comunicações dos Bancos Centrais é bastante diversificado, com particular destaque para o Banco Central da Nova Zelândia, Noruega e Suécia, que divulgam tanto as suas projecções quanto à trajectória futura das suas taxas de juro oficiais. Em relação a sistematização das comunicações, os Bancos Centrais podem ser distinguidos entre “Delfos” e “Odisseia”.

As do tipo Delfos correspondem a afirmações mais ou menos vagas e a simples conjeturas sobre a trajectória futura das variáveis relevantes para a tomada de decisões e eventuais medidas a adoptar. Ou seja, a orientação futura delfiana declara publicamente uma previsão do desempenho macroeconómico e acções de política monetária prováveis ou pretendidas com base nas informações potencialmente superiores dos decisores políticos sobre os fundamentos macroeconómicos futuros e os seus próprios objectivos políticos.

O principal objectivo desta forma de comunicação centra-se na redução da incerteza dos agentes económicos em relação à previsibilidade de evolução das variáveis macroeconómicas e às eventuais orientações futuras de política monetária. A declaração do Federal Open Market Committee (FOMC), a seguir a reunião de Dezembro de 2008, constitui um exemplo clássico deste tipo de comunicação: “O Comité antecipa que as fracas condições económicas provavelmente justificarão níveis excepcionalmente baixos da taxa de fundos federais durante algum tempo”, que foi mais tarde reformulada para “…um longo período”.

Por sua vez, as do tipo Odisseia constituem compromissos a vigorar sobre um horizonte temporal futuro identificado e referente a medidas já tomadas, ou a serem tomadas mais tarde, as quais são pré-anunciadas.

A identificação desse horizonte temporal futuro assenta em datas ou na verificação de certas condições económicas: “A orientação futura de Odisseia, em contrapartida, compromete publicamente o responsável político”. Um exemplo concreto inicial deste compromisso foi o anúncio do Federal Reserve, por via do FOMC (agosto de 2011), de prosseguir uma política de taxas de juro mais baixas por mais tempo “… pelo menos…até meados de 2013” e depois ainda para “pelo menos até ao final de 2014” Os exemplos supramencionados classificam-se como incondicionais ou time dependent.

Em contrapartida, existem também os condicionais ou state dependent, que consistem em compromissos que correspondem a medidas somente possíveis de serem aplicadas enquanto não se atingirem determinadas metas quantificadas para as variáveis económicas de interesse.

Um exemplo de compromisso condicional foi o assumido pelo FOMC em dezembro de 2012, ao excluir qualquer aumento da taxa de juro oficial antes da redução da taxa de desemprego para pelo menos 6,5%, na condição da taxa de inflação e as expectativas inflacionárias situarem-se em valores relactivamente moderados.

Os compromissos incondicionais são menos credíveis que os condicionais, pelo facto de serem imprecisos em relação ao seu horizonte temporal e, consequentemente, menos vinculativos e aparentemente desligados do comportamento da economia.

A credibilidade dos compromissos condicionais é superior somente devido à menor vulnerabilidade ao problema da inconsistência temporal. A dificuldade desta estratégia de comunicação reside na possibilidade de o público não acreditar nestes compromissos, uma vez que, quando chegar a hora da sua execução, os Bancos Centrais poderão sentir-se tentados a abandoná-los por quaisquer motivos, sendo este o principal problema que a literatura refere como a inconsistência intertemporal da estratégia de Forward Guidance.

A orientação futura sobre as taxas de juro pode impactar os mercados financeiros e a economia de três formas distintas: i) na medida em que está implícita uma orientação da política monetária futura mais fácil do que o esperado pelos Bancos Centrais, afectando tanto o nível das taxas de curto prazo futuras esperadas quanto às taxas de rendibilidade das obrigações de longo prazo; ii) na medida em que os Bancos Centrais fornecem maior clareza sobre a trajectória futura das taxas de juro, logo a volatilidade das expectativas do mercado em relação às taxas de juro futuras deve diminuir; e iii) na medida em que a natureza condicional da orientação futura destaca indicadores específicos, a orientação deve tornar os mercados mais sensíveis à divulgação de dados relacionados a esses indicadores e menos sensíveis a outras informações.

É importante realçar que, o Forward Guidance tem a capacidade de activar um canal de transmissão designado por signalling channel (mecanismo pelo qual as acções e comunicações do Banco Central, como aumentos na taxa de referência e/ou compras de ativos (Quantitative Easing), informam o mercado sobre suas expectativas de evolução da inflação e do crescimento económico).

Através deste canal, o Banco Central é capaz de restaurar a confiança no sistema financeiro, influenciar as expectativas dos agentes económicos sobre futuras decisões de política monetária e as taxas de juro de longo prazo.

A eficácia deste canal de transmissão depende da credibilidade do Banco Central e da capacidade das expectativas e confiança dos agentes económicos afectarem as condições financeiras e macroeconómicas do mercado.

Os principais efeitos deste canal são: i) alterações nas curvas de rendimento, particularmente nas taxas de juro de longo prazo; ii) estímulo das expetativas inflacionistas; ii) diminuição das taxas de juro reais; e iv) aumento generalizado da procura.

Por: WILSON NEVES

Economista

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