A Rede de Colégios Nossa Senhora da Anunciação realiza, a partir desta Sexta-feira,27, até 28 de Fevereiro, um seminário interdisciplinar sobre necessidades educativas especiais, com o objectivo de sensibilizar agentes educativos, famílias e decisores públicos para a inclusão e o acompanhamento adequado de crianças com transtornos do neurodesenvolvimento
Em entrevista ao jornal OPAÍS, o presidente da comissão executiva da instituição, Salvador Ramos, explicou que o encontro pretende criar uma verdadeira concertação social em torno de um problema que considera silencioso, mas com impacto estrutural no futuro do país.
O seminário visa promover a tomada de consciência sobre a condição das crianças com necessidades educativas especiais, capacitar professores, funcionários, famílias e agentes sociais com estratégias inclusivas e valorizar a dimensão cristã da educação como suporte espiritual e humano no processo de inclusão.
O evento pretende ainda criar um espaço de diálogo entre profissionais, famílias e entidades públicas responsáveis pelas políticas sociais e educativas, estabelecendo pontes de cooperação e integração de saberes para fortalecer a resposta educativa. “Esperamos juntar decisores, parceiros e famílias afectadas para juntos reflectirmos e encontrarmos soluções efectivas.
Este encontro é também um apelo público de clamor e um pedido de socorro”, sublinhou Salvador Ramos. Ao longo dos 15 anos de existência da Rede de Colégios Nossa Senhora da Anunciação, a direcção da instituição afirma ter acompanhado de perto o sofrimento de inúmeras famílias com crianças nesta condição.
De acordo com Salvador Ramos, muitos encarregados de educação foram obrigados a alterar completamente o estilo de vida para acompanhar os filhos, tendo, inclusive, perdido empregos. Há também casos de abandono familiar, quando um dos progenitores se recusa a aceitar a condição da criança. “Há famílias que sofrem em silêncio, sentem-se humilhadas e ostracizadas.
Muitas recusamse a aceitar o diagnóstico e rejeitam qualquer tipo de ajuda, atribuindo a condição a crenças culturais ou explicações infundadas”, lamentou. Alguns recusam-se a aceitar a condição do seu filho e não aceitam qualquer tipo de ajuda, alegando que se trata de problema cultural, como “cabeça grande”, “saiu o pai dele”, ou que aquilo resulta do facto de o pai não ter cumprido os deveres e outras alegações.
O responsável alerta para o crescimento do número de crianças sem assistência especializada, situação que, no seu entender, pode comprometer o desenvolvimento social e económico do país nos próximos 30 ou 50 anos, daí a necessidade de uma concertação social sobre a temática.
Por: Stélvia Faria








