O Programa de Doenças Tropicais Negligenciadas em Luanda registou, em 2025, mais de 2000 casos de doenças negligenciadas, das quais 1493 de schistosomiasis (124 por mês), 467 de parasitas intestinais (40 por mês), 5215 mordeduras de cães (150 por mês), três de loa-loa (15 agora) e 13 casos de filariose linfática (85 agora)
Os caminhos deste tema em abordagem levaram o repórter ao Hospital Dispensário, no município da Maianga, a referência para tratamento de Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN) em Luanda. Entretanto, para falar do assunto, a pessoa mais indicada é Artur Luciano, responsável pela área no referido hospital e um dos envolvidos no Programa de Doenças Negligenciadas, sendo neste último o coordenador provincial.
O técnico, com ar de quem ama fazer o que faz, espelhado no sorriso nunca esforçado, começou por falar que no país há aproximadamente 16 doenças tidas como negligenciadas, sendo que o Hospital Dispensário trata da schistosomiasis, da oncocercose volvulus, da loa-loa (ou cegueira dos rios) e da filariose linfática, além da lepra. Nos restantes municípios da capital não há técnicos preparados para o efeito, segundo o entrevistado. “Aqui [no Dispensário] nós fazemos o diagnóstico e damos o devido tratamento.
Quando há necessidade, os pacientes são enviados para o Josina Machel ou para o Neves Bendinha, para realização de cirurgias”, aponta. A coordenar o Programa de Doenças Tropicais Negligenciadas em Luanda desde 2005, Artur adianta que em 2025 foram identificados mais de 2000 casos de doenças negligenciadas, das quais 1493 de schistosomiasis (124 por mês), 467 de parasitas intestinais (40 por mês), 5215 mordeduras de cães (150 por mês), três de loa-loa (15 agora) e 13 casos de filariose linfática (85 agora).
No que toca à epidemiologia, ou a casos de prevalência ou incidência sobre a província de Luanda, os municípios com maior prevalência são Cacuaco, Viana e Talatona, que apresentam maiores casos de parasita intestinal, assim como filariose linfática, oncocercose e a loa-loa.
“Quanto à filariose linfática, esta é transmitida por um mosquito denominado culex quinquefasciatus, que serve como agente intermediário quando tira o sangue de alguém com a doença (agente definitivo) para outra pessoa saudável. À semelhança de outras doenças negligenciadas, a elefantíase aparece em áreas onde não há assistência médica e medicamentosa, sem saneamento e sem água.
No geral, são caracterizadas por serem doenças sobre as quais não há estudo, também pelos poucos registos mortais.” Apesar de possuírem cura, Artur Luciano afirma que este é um processo que leva tempo, como é o caso da elefantíase cujo tratamento vai de cinco a sete anos, isto porque o medicamento disponível só mata as micro-filárias (morrem neste espaço de tempo), que são parasitas transmitidas através da mosca preta simulia e do mosquito culex. No mês passado, três pessoas morreram vítimas de elefantíase.








