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Especialistas afirmam que permanência de Angola na lista cinzenta do GAFI não impacta negativamente na economia do país

Jornal OPaís por Jornal OPaís
23 de Fevereiro, 2026
Em Economia, Última Hora

Alguns economistas acreditam que a decisão tomada recentemente pelo Grupo de Acção Financeira Internacional (GAFI), de renovar a permanência de Angola na lista de países sob monitorização reforçada, pode não afectar de forma negativa a economia nacional

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Em declarações ao OPAÍS, o economista Eduardo Gando Manuel destacou o esforço e algumas das acções que o Executivo tem vindo a desenvolver a fim de melhorar a sua performance aos olhos do GAFI, como um dos factores fundamentais para que a permanência de Angola na lista cinzenta não seja encarada como um sinal de perigo para os potenciais investidores.

De acordo com a fonte, estas acções não só garantem a atracção de investimentos como também contribuem para o crescimento económico do país. ”Só o facto de Angola estar a demonstrar vontade política em melhorar a sua performance junto do GAFI transmite confiança e segurança aos nossos investidores nacionais e estrangeiros, e ajudará a atrair mais investimentos para Angola, o que contribuirá positivamente para o crescimento económico do nosso país”, afirmou.

Entretanto, não obstante a estes factores, Eduardo Gando Manuel considerou de extrema importância que se redobre a supervisão do sistema financeiro e o reforço das acções judiciais, para que o país saia, definitivamente, dessa lista em que se encontra disposto desde 2024.

Realçou que o Executivo precisa de reforçar as acções judiciais a nível do sistema financeiro, “tornando os processos mais céleres, bem como fortalecer a colaboração entre as instituições do sistema financeiro e os órgãos de defesa e segurança”.

”O sector da justiça não deverá actuar de forma isolada, para a melhoria da performance de Angola junto do GAFI. Deverá actuar sempre em coordenação com as instituições ligadas ao sistema financeiro”, exortou.

Ainda no que toca às medidas concretas para a saída de Angola da lista dos países considerados deficientes na prevenção e combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo, o economista aconselhou o reforço estratégico com instituições financeiras estrangeiras.

”O Executivo deverá também reforçar a cooperação com instituições financeiras e não financeiras internacionais, a fim de obter experiências dessas instituições para o aperfeiçoamento das medidas tomadas para melhoria da performance do sistema financeiro angolano”, apelou.

Impasses nos investimentos

Impasses nos investimentos Por sua vez, o economista António Celestino acredita que a permanência de Angola na lista cinzenta do GAFI, até certo ponto, não representa uma fragilidade para o nosso sistema financeiro, sublinhando que as instituições financeiras nacionais ainda continuam a manter relações.

de cooperação com instituições estrangeiras do sector. Porém, segundo o também educador financeiro e consultor de negócios, em declarações a este diário, esta avaliação negativa feita pelo GAFI sobre o nosso país pode gerar alguns impasses ligeiros no que concerne aos novos investimentos estrangeiro. A título de exemplo, António Celestino citou a questão do aumento dos custos operacionais que poderão surgir, caso Angola pretenda fazer novas cooperações com determinado país ou organização internacional.

”Se Angola quiser fazer novas cooperações económicas com determinado país ou determinada organização, a auditoria pode ser redobrada, o processo pode ser mais burocrático do que antes ou do que um país que não está na lista cinzenta”, considerou.

Para o economista, as mudanças que o Executivo tem implementado em vários sectores, embora devessem ser mais céleres e abrangentes, ajudam na alteração da visão negativa diante dos investidores nacionais e estrangeiros, factor que o mesmo considerou essencial para que a economia angolana não sofra danos graves, enquanto o país permanece na lista cinzenta do GAFI.

A permanência de Angola na lista cinzenta do GAFI

Angola voltou a ser mantida na lista de jurisdições sob monitorização reforçada, durante a primeira reunião de avaliação de 2026 do GAFI, que decorreu na cidade do México entre 11 e 13 de Fevereiro. Durante o primeiro dos três plenários organizados anualmente, os delegados daquela instituição internacional optaram por renovar o apelo à correcção das fragilidades identificadas no combate às principais ameaças ao sistema financeiro internacional.

A lista cinzenta do GAFI compreende um leque de países considerados “fracos” em termos de criações estratégias para o combate ao branqueamento de capitais e financiamento ao terrorismo.

Países nessa condição ficam sob observação moderada, exigindo destes relatórios de progresso periódicos. Países na situação de Angola, que não se encontram na lista negra do GAFI (jurisdições de alto risco), não sofrem uma punição directa, pois, a lista cinzenta é vista como um alerta para a implementação de reformas necessárias. Normalmente, estes países aceitam trabalhar junto do GAFI, comprometendo-se a resolver as respectivas falhas em prazos acordados, sofrendo maior escrutínio.

Angola prevê sair da lista cinzenta em 2027

Em Dezembro de 2025, o secretário de Estado para a Justiça, Osvaldo Amaro, anunciou que o Executivo está a envidar todo o esforço para que o país saia da lista cinzenta do GAFI em 2027, contando com a revisão de dois diplomas legais e, também, alterações pontuais à Lei de Branqueamento de Capitais, Financiamento ao Terrorismo e da Proliferação de Armas de Destruição Massiva, medidas concluídas no ano passado. A informação tinha sido avançada depois da reunião ordinária do Comité de Supervisão da Unidade de Informação Financeira (UIF).

De acordo com o relatório final do plenário do GAFI realizado no México, Angola mantém firme o seu posicionamento, com as autoridades a “assumirem um compromisso político de alto nível” para trabalhar com o GAFI e o Grupo de Combate ao Branqueamento de Capitais da África Oriental e Austral (ESAAMLG) no sentido de “reforçar a eficácia do regime de combate ao branqueamento de capitais e ao financiamento de terrorismo”.

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