Ninguém conseguiu colocar o dedo na ferida, na 39ª Cimeira da União Africana (UA), do passado fim-desemana, apesar de a situação na República Democrática do Congo (RDC), ter sido um dos temas em debate.
O que é que está em jogo? Apesar dos Acordos de Washington para a Paz e Prosperidade, de junho, e ratificados em dezembro, entre RDC e Ruanda, os rebeldes do M23 continuam a ocupar território, no leste do país e a explorar minas, com recurso a mão-de-obra infantil, à Blood Diamond, mas sem diamantes. O níquel agora vai todo para os telemóveis e carros eléctricos.
Assinalar também, que já em todos os fóruns desta dimensão, a denúncia sobre o principal beneficiário desta batota, ser o próprio PR do Ruanda, Paul Kagame, não é novidade! Porquê uma “pescadinha-derabo-na-boca-à-ruandesa”? Porque há uma troca, uma barganha, entre facilidades ruandesas para empresas europeias e uma aplicação eficiente dos dinheiros comunitários, com aplicação na saúde, agricultura, mudanças climáticas, etc.
O Ruanda tem, de facto, demonstrado ser um bom aluno europeu, no sentido da aplicação/fruição dos fundos com origem em Bruxelas. O círculo fecha-se, quando o PR do Ruanda, Paul Kagame, acusa a União Europeia e a África do Sul de serem os principais “traficantes de minerais do Congo”, a cortina-de-fumo perfeita para despistar, o circuito do dinheiro, que aponta no sentido da família Kagame, juntando os pontos, Brigadeiro Emmanuel Ndahiro e a Debden Investments Lda, no contexto Panamá Papers!
A Global Witness, é uma das muitas organizações internacionais a alegar ter provas concretas dos fluxos de “coltan fora do circuito”, a serem sonegados para a União Europeia, através do Ruanda, confirmando o quanto pior melhor, para “os bons negócios”! Outro “bom negócio”, que tem forçado outro “fechar de olhos” europeu, deve-se a, em 2022, ao Ruanda e ao Reino Unido terem assinado um controverso “Acordo de (Transferência) Asilo”, algo não debatível entre nós, que todos os povos precisam do seu “shithole, enquanto almofada”! Quanto ao trabalho infantil, trata-se de um híbrido menos evidente, já que a realidade são “as crianças e as suas circunstâncias”.
Há uma considerável parte que acompanha os seus pais para o trabalho, havendo uma outra considerável parte, que são órfãos de guerra. Mas a situação torna-se ainda mais complexa, quando tentamos puxar o novelo e percebemos as acções do M23 no Kivu Norte, financiadas pelo Ruanda, mais o dedo europeu na equação, que se beneficia neste “silêncio dos inocentes”.
Não fazer nada, “é ficar à porta da horta”, enquanto “foram à chinchada” por nós! Foi tudo isto que não foi abordado na 39ª Cimeira da União Africana, do passado fim-desemana. #Maskoff
Por: RAÚL M. BRAGA PIRES
Politólogo/Arabista Professor do Instituto Piaget de Almada









