O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, manteve conversas secretas com o neto de Raúl Castro e o sobrinho-neto de Fidel Castro, Raúl Guillermo Rodríguez Castro, avançou essa Quarta-feira o jornal Axios
“Não diria que é uma negociação, são discussões sobre o futuro”, detalhou uma fonte conhecedora do processo ao jornal. As esperanças da diplomacia norte-americana é que Raúl Guillermo Rodríguez Castro, de 41 anos, esteja disposto a encetar negociações com os Estados Unidos para acabar com o actual regime cubano. E para que, numa eventual transição de poder, assuma a liderança do país.
A posição dos Estados Unidos continua a ser que o regime cubano tem de “acabar”. “Mas exactamente como acabará será [responsabilidade de Donald Trump] e ele não decidiu. Rubio está em conversas com o neto” de Raúl Castro, sintetizou outra fonte. Uma fonte conhecedora das negociações disse ao jornal Axios que os Estados Unidos estão à procura da “próxima Delcy [Rodríguez] em Cuba” — numa referência à Presidente interina da Venezuela, que substituiu Nicolás Maduro à frente dos desígnios do país.
Raúl Guillermo Rodríguez Castro poderia ser essa figura. Conhecido como ‘Raulito’, é familiar dos revolucionários cubanos, gozando de uma boa reputação dentro do regime. É também bastante próximo do avô, Raúl Castro, com 94 anos. Raúl Guillermo Rodríguez Castro foi o guarda-costas do antigo Presidente cubano e tem aliados no conglomerado económico-militar GAESA, que tem um grande peso na economia de Cuba.
No caso da Venezuela, Delcy Rodríguez tinha sido vice-presidente e era respeitada quer nas Forças Armadas, quer entre os principais dirigentes do sector petrolífero. Oficialmente, num comunicado enviado à Axios, o Departamento de Estado não negou estas informações, destacando, no entanto, que “não existe diálogo ao mais alto nível entre o governo dos Estados Unidos e Cuba”. “Nem há diálogo a nível intermediário. Tem havido trocas de mensagens”, reconheceu apenas.
Em todo o caso, o Departamento de Estado não estará a encetar contactos com os principais dirigentes do regime de Cuba, incluindo com o Presidente cubano, Miguel-Díaz Canel. Casa Branca exige “mudanças dramáticas” Essa Quarta-feira, num briefing aos jornalistas, a porta-voz da presidência norte-americana, Karoline Leavitt, exigiu ao regime cubano que faça “mudanças dramáticas”.
“O regime está a cair, o país está a colapsar. Acreditamos que seja do seu melhor interesse realizar mudanças dramáticas muito em breve e veremos o que decidem fazer”, aclarou a porta-voz da Casa Branca.
Karoline Leavitt destacou também que os Estados Unidos querem ver “democracias a florescer e a prosperar” no Hemisfério Ocidental. Ainda assim, a porta-voz não deu detalhes sobre nenhuma “acção” concreta dos Estados Unidos para que isso aconteça em Cuba.









