Ao olhar para o dia de hoje, lembro-me com saudade de quando éramos miúdos e saíamos mascara- dos pelas ruas, cheios de expectativa, a caminho da marginal para assistir ao desfile de carnaval. Fantasia simples. Às vezes impro- visada. Máscaras de plástico que apertavam o rosto.
Sapatos desconfortáveis, mas ninguém queria saber. O importante era ir. Era ver. Era sentir aquela energia. Havia alegria verdadeira, Riso sol- to, Uma leveza que hoje parece rara. Naquele tempo, usávamos máscara por brincadeira. Era fantasia assumida. Sabíamos que era faz de conta. Na infância, a máscara era diversão. Na vida adulta, muitas vezes é defesa. Quantos de nós continuam a usar máscaras… mas já não por festa? A máscara do “está tudo controlado”. A máscara do “não preciso de ninguém”.
A máscara do “sou sempre forte”. A máscara do sorriso automático mesmo quando o coração está cansado. No Carnaval, a máscara é visível. Na vida real, ela é emocional. Aprendemos a vestir personagens para sobreviver socialmente. Para caber. Para agradar. Para não parecer fraco. Mas há uma diferença grande entre a máscara da infância e a da maturidade. A da infância tirávamos ao chegar a casa.
A da vida adulta, às vezes nem no quarto conseguimos remover. E isso pesa. Pesa fingir que não dói. Pesa fingir que não cansa. Pesa fingir que está tudo bem quando não está. Talvez por isso o Carnaval mexa tanto connosco. Porque, no fundo, ele lembra-nos de uma época em que a leveza era natural. Hoje o país abranda para celebrar. Talvez seja também um convite para abrandar por dentro.
Não para abandonar responsabilidades. Mas para reduzir a distância entre quem você é… e quem tem mostrado ser. Porque a verdadeira liberdade não está em vestir uma fantasia bonita. Está em não precisar de uma para ser aceite. Que este Carnaval traga alegria como antigamente. Mas que traga também coragem. Coragem para ser mais autêntico. Mais simples. Mais verdadeiro. N’gassakidila.
POR:LÍDIO CÂNDIDO “VALDY”









