Dois meses depois do ano ter começado, já começam a ser visíveis as fricções que marcaram este 2026 e, consequentemente, o próximo 2027, particularmente no que à política diz respeito. Aos poucos, se vai instalando uma luta entre a oposição e a oposição, ou seja, uma oposição que se arroga ser a única a ocupar o lugar de auspiciar a substituição do partido do poder, e a outra que também pretende quebrar este ciclo vicioso.
Há, por um lado, uma UNITA que, há mais de meio século na oposição, combate o MPLA sem grandes resultados. Do outro, estão novas forças políticas que pretendem entrar na corrida, sendo algumas delas novatas, contrariamente àquelas que desde a implementação do multipartidarismo sempre acompanharam o maior partido na oposição.
Sacrificada que está a criação de uma frente única, por mais que se mude de denominação, o cenário político angolano continuará a ser preenchido por organizações novas, apesar das acusações que vêm a ser feitas por responsáveis da própria UNITA, que se vão mostrando – ao que tudo indica- ser os únicos a liderar a oposição.
Há algum tempo, antes de o ‘caldo com o PRA-JA de Abel Chivukuvuku se ter entornado’, era comum observar- se na comunicação social pronunciamentos de políticos , entre os quais da própria UNITA e outros partidos, acusando o Tribunal Constitucional de estar ao serviço de forças externas, razão pela qual não se anuía à constituição formal deste partido. Entretanto, assim que se zangaram as comadres, ou seja, Chivukuvuku e pares decidiram partir para uma carreira a solo, longe da Frente Patriótica, mudou-se igualmente de narrativa.
Praticamente satanizou-se este novo ente político, sendo acusado de vários imprompérios, quando os mentores de tal partido reclamavam, somente, a criação de uma coligação formal para concorrer às eleições gerais de 2027. A mesma narrativa vai sendo pregada em relação aos mais novos que surgem na política angolana.
Pelos vistos, segundo o maior partido da oposição, não há uma única força que surja fora da órbita de quem pretende manter o poder. Uma versão que, ao que tudo indica, visa assegurar a concepção política de que a única alternativa para os seus responsáveis deve passar apenas pelo partido fundado por Jonas Savimbi, o que não pode ser de todo verdade.
Enquanto avançamos rapidamente para 2027, altura em que os angolanos irão uma vez mais às urnas, nada faz crer que se vá acrescentar muito mais no debate político.
Num país com cerca de 40 milhões de habitantes, seria expectável que pudessem surgir mais concorrentes, cabendo aos eleitores, no devido momento, escolher aqueles que os vão governar ou representar na Assembleia Nacional.
Infelizmente, há quem queira já fazer o escrutínio muito antes. Longe dos timings e dos cenários exigidos, em nome de uma oposição, em que se sabe que, desde a implementação da democracia no país, sempre teve outros intervenientes.









