—Bom dia, caríssimo! — Cumprimentei-o. — Bom dia, senhor. — Posso sentar-me aqui nesta cadeira? — Sim, claramente! Sentei-me ao lado dele sem antes nos termos conhecido. Não importa muito. Estávamos num workshop sobre liderança e gestão escolar. O palestrante falava com muita maturidade e convicção.
Nalgumas ocasiões, misturava o inglês com o português num mesmo discurso. Esse cenário impressionou o meu companheiro ao lado e, de seguida, este olhou para mim e disse-me: — Temos poucos oradores poli- glotas como este senhor. É um expert na área e no domínio de várias outras línguas estrangeiras.
Domina também francês, italiano e espanhol, além do inglês. O jovem caracterizava as competências do seu amigo no que ao domínio linguístico dizia respeito, como se isso me interessasse. Pois é. — respondi-lhe friamente. — E então, é também gestor? — voltou a indagar-me. — Certamente, caríssimo! Naquele momento, não quis dialogar para não perder o foco, mas ele insistia.
Correspondia-lhe com tranquilidade e respeito, até ele me perguntar o seguinte: — Domina outras línguas para além do português? Olhei-o fixamente e respondi: — Sim. Além do português, falo, funcionalmente, umbundu, nyaneka, kimbundu, kikongo e lingala
No entanto, compreendo nganguela e mais duas línguas. — Ahhh. Achei que dominasse o inglês ou outra língua estrangeira. — sarcasteou a minha competência linguística. Engoli os sapos! — Atenção — retruquei —, caríssimo, independentemente do facto de dominar apenas línguas nacionais, isso não me tira a legitimidade de ser um poliglota. Sou-o tal qual o é quem venha a dominar outras línguas além destas. — afirmei convicto.
— Como assim, senhor? Não é verdade, pois só deve ser poliglota quem tiver o domínio de línguas estrangeiras. Estas línguas nacionais não contam na estatística. — Quem o alienou desse jeito? — talvez estejas a fazer confu- são — continuei —, mas não te vou esclarecer aqui. Oriento-te a ir consultar, detalhadamente, as nuances em volta do ser ou não um poliglota. — encerrei o diálogo. Ao repará-lo em alguns momentos, percebi a sua falta de concen- tração e algum tipo de desconforto com a minha afirmação.
Mas não tem como — disse para mim mesmo —: “o poliglotismo foge à fronteira das línguas estrangeiras”. O que significa que temos muita gente, nas zonas do interior do país, a dominar outras línguas, sem contar as suas nativas, sem merecer o dístico de poliglota. Fim de papo.
POR: GABRIEL TOMÁS CHINANGA









