A dívida pública tem sido um dos cavalos-de- batalha da própria oposição. Quase sempre, mesmo sem razões, surgem informações de que se esteja a empolar os valores, supostamente para se favorecer entidades e empresários. Nos últimos anos, o que se tornou público foi que muitos empresários surgiram por conta do pagamento da dívida pública.
Há quem, apesar dos anos, mesmo sem ter prestado qualquer serviço público, se tenha alimentado daquilo que se poderia dar a quem deveria, mas, ainda assim, serviu para alimentar as suas contas. Por contas destas desconfianças, há, insistentemente, que se apresente com teses que poucos queiram contrariar, mas que exigem que se avance para que se obtenha a verdade.
É sábido, por exemplo, que o antigo ministro das Finanças, Júlio Bessa, uma entidade antigamente ligada ao partido no poder, augurando atingir cargos de alta relevância contando com o afastamento do MPLA, ainda assim nem tudo que possa dizer deve ser levado de ânimo leve.
Claro está que, do lado da oposição, pode não se esperar elogios, nem tão pouco, muitas vezes, acções que vangloriem quem esteja no poder. Uma lição que deve servir de inspiração. Porém, o mesmo não se pode esperar se não se concorda de quem se esperava ser um inimigo.
Há dias, através do site Angonotícias, o antigo governador do Cuando-Cubango Júlio Bessa denunciou que o actual governo de partFe desta província passou, em Abril do ano passado, uma declaração de reconhecimento de uma dívida superior a 439 mil milhões de kwanzas (mais de 460 milhões de dólares), a favor do empresário José Maria Zeferino, que, entretanto, já havia sido analisada e reduzida a pouco mais de 400 mil dólares, enquanto liderou a província entre 2019 e 2022.
Em entrevista ao programa ‘Conversas Essenciais’ da Rádio Essencial, no último sábado, 7, o também antigo ministro das Finanças lembrou que foi no seu consulado enquanto governador que o empresário José Maria Zeferino foi reclamar a dívida de 440 milhões de kwanzas que o Estado terá contraído com compra de caixões, comida e outros bens fornecidos ao governo provincial e às Forças Armadas.
Longe de se querer somente acreditar nos termos apresentadospeloentãogovernadordoCuando-Cubango e ministro das Finanças, há de todo interesse que se apure as circunstâncias que levaram ao novo reconhecimento da dívida anterior. A ser verdade o acrescimento, há um empolamento que acaba por criar um desconforto a qualquer cidadão de bem.









