Nos dias que correm, é comum lermos textos de vários estudantes universitários nas redes sociais e fora delas que, a verdade seja dita, não fazem jus ao nível académico que dizem frequentar. Ou melhor, esses textos estão, quase sempre, eivados de erros ortográficos e inconsistências gramaticais, o que é lamentável e preocupante, pois espera- se de um estudante universitário, além de outras valências técnico- sócio-científicas, uma comunicação escrita mais apurada e doptada de correcção linguística.
Também é verdade que nenhum texto está isento de erros, por mais competente que seja o indivíduo no domínio da língua escrita; porém, há erros que, pelo nível académico (e inerência profissional, atenção!), são inaceitáveis e inadmissíveis, como se pode ler no enunciado abaixo, extraído de uma publicação feita por uma recém-licenciada no seu perfil do Facebook, cujo nome preferimos omitir por questões éticas, eis: «O meu ingresso a universidade em 2021 não foi uma mil maravilha.
tive dias difíceis e noites sem dormir houveram situações que mim fizeram duvidar de me e da minha fé em Jesus mais a pas- so de camaleão chegamos lá! Poriço vou continuar a lhe dar com todos independentemente do estatuto académico ora alcançado.
Obrigado senhor.» No enunciado linguístico exposto, à semelhança dos relatos que temos vindo a colher da boca de certos professores universitários, conseguimos constatar erros primários de ortografia e sintaxe, resultantes da fraca consulta dos instrumentos normativos da língua (gramática, dicionário, prontuário, etc.) e falta de hábito de leitura, que, de certo modo, não abonam em nada no perfil de um indivíduo com um nível de escolaridade avançada.
Na visão da professora e linguista Helena Maria Miguel (2014, p. 57), «a competência linguística dos falantes é, em geral, proporcional ao seu grau de instrução […]». Dito de outro modo, quanto mais crescemos academicamente, maior deve ser o nosso nível de proficiência no domínio da língua, independentemente de sermos ou não formados em Língua Portuguesa. Aliás, a não especialização em Língua Portuguesa não deve nem pode servir de subterfúgio para produzir textos inundados de erros crassos.
Isto é, o domínio dos sinais de pontuação (e aqui nos referimos principalmente à vírgula), concordância e regência verbo-nominal, pronominalização, crase, enfim, não é um mero “capricho linguístico-gramatical”, muito menos um exercício reservado apenas aos estudantes de Letras; é, na verdade, uma demonstração clara de responsabilidade e bom senso por parte do estudante.
Por isso, urge a necessidade de cada um assumir um compromisso sério com o manuseio da língua, sobretudo escrita, investindo em leitura, estudos e capacitações técnico-profissionais, pois um texto mal escrito não apenas dificulta o entendimento da mensagem, como também coloca em causa a qualidade e o rigor da nossa formação, já que a forma como nos expressamos diz muito sobre nós, ou seja, reflecte, em grande medida, o nosso conhecimento e competência acerca da língua ou, se preferir, da norma-padrão.
Para terminar, embora a análise que se fez esteja voltada à qualidade da produção textual dos estudantes universitários, vale dizer que boa parte das nossas Instituições de Ensino Superior (IES) e órgãos de comunicação social não são também bons exemplos no que à norma culta da língua escrita diz respeito.
Basta dar uma olhada nos documentos que publicam nas suas vitrinas e rodapés e, igualmente, nas suas páginas das redes sociais, pelo que apelamos a essas instituições que contratem um revisor linguístico, a fim de cuidar da qualidade de seus textos ou, até mesmo, habilitem os técnicos que actuam nos seus Gabinetes de Comunicação Institucional e Impresa, dotando-os de competências necessárias em redacção e gramática.
POR: JOAQUIM AUGUSTO ADOLFO









