O mercado desportivo é um dos que mais movimenta elevadas somas de dinheiro no mundo. Estrelas como Cristiano Ronaldo e Lionel Messi foram responsáveis por transacções que deixaram meio mundo doido, mas nem por isso os valores deixaram de ser apresentados, independentemente dos valores cujos zeros no final quase nunca acabam.
Nos últimos anos, em Angola, assiste-se, igualmente, a uma saída de jovens jogadores para a Europa, América e Ásia, onde hoje jogam, alguns dos quais em campeonatos que integram as melhores ligas do mundo.
Além do número das camisolas que envergam, pouco ou quase se sabe sobre os momentos que estiveram na origem das transacções para o exterior, nem tão pouco as equipas onde se formaram ou actuaram como seniores, em nome da transparência, apresentaram os números à imprensa ou até mesmo à sociedade.
Curiosamente, alguns saíram a custo zero, o que se acredita ter sido um expediente para se livrarem de obrigações fiscais a nível interno.
Apesar da dinâmica que se observa hoje a nível competitivo, a falta de transparência no desporto angolano, com realce para o futebol, é uma realidade acentuada, com fortes tendências de se aprofundar ainda mais, porque aqueles a quem se acreditava poderem alterar o quadro também não o desejam.
Seria de todo desejável que, nas aberturas do mercado, as equipas pudessem tornar públicas as transacções, incluindo os valores envolvidos.
Mais do que meros números, como alguns infelizmente acreditam, os referidos contratos serviriam de inspiração para outros jovens que auspiciam actuar nas principais provas nacionais e, de igual modo, serviriam de barómetro para aferir a proveniência de muitos fundos que circulam nas referidas agremiações.
Está claro que ainda haverá muita estrada por se percorrer. E não espanta se, nos próximos tempos, também se avance com desculpas sobre uma hipotética cláusula de confidencialidade nos contratos, à semelhança do que fez esta semana a entidade que vai gerir a futura liga de futebol: ANCAF. Anteriormente dirigida por Alves Simões, a ANCAF é hoje liderada por João Lusivikueno, um profissional ligado ao desporto que, nos últimos anos, esteve sempre associado ao actual presidente da Federação Angolana de Futebol (FAF).
A mesma instituição que, durante a conferência de balanço da selecção de futebol no CAN 2025, também ainda não possuía quaisquer informações sobre os montantes gastos na referida empreitada.
Por mais que se escudem num princípio de confidencialidade, a não divulgação do valor do patrocínio da Unitel – que vai atribuir o seu nome à futura liga – ensombra os bons propósitos por trás da iniciativa.
Não é só um mau exemplo à falta de transparência, mas vai servir, posteriormente, de mote para que outros façam o mesmo. Não se sabendo quanto entra para a competição, a partir de uma empresa hoje pública, não se poderá, por mais que se queira, fiscalizar convenientemente a aplicação das verbas nem tão pouco o espírito hipoteticamente virtuoso daqueles que terão a missão de geri-lo.









