Angola voltou a manifestar, no início desta semana, na sede da ONU, em Nova Iorque, preocupação com “o aumento do unilateralismo”, resultante da crescente priorização dos interesses de alguns países em detrimento dos restantes membros da organização
O posicionamento foi expresso pelo representante permanente de Angola junto das Nações Unidas, Francisco José da Cruz, durante o debate aberto do Conselho de Segurança sobre o tema “Reafirmando o Estado de Direito Internacional – Caminhos para Revigorar a Paz, a Justiça e o Multilateralismo”. Essas acções, segundo o diplomata angolano, desafiam a Carta das Nações Unidas e o Direito Internacional, ameaçando, assim, a estabilidade e a eficácia da governação global.
Afirmou que, desde a sua criação, há 80 anos, as Nações Unidas têm desempenhado um “papel central na manutenção da paz e da segurança internacionais”, na promoção dos direitos humanos fundamentais e na defesa do respeito pelo Direito Internacional, assegurando que os interesses de todas as nações sejam representados e que sejam tomadas decisões para promover o multilateralismo.
Diante do actual cenário, o embaixador Francisco da Cruz defendeu que o sistema multilateral continua a ser importante para enfrentar os desafios globais multifacetados e complexos através de acções colectivas inclusivas e concertadas.
Enfatizou que a Carta da ONU e o Direito Internacional são os “alicerces de um sistema internacional moderno” ao qual todos os Estados devem aderir para defender o multilateralismo, resolver disputas de forma pacífica e trabalhar em conjunto para reformar e melhorar a governação global.
Advogou, ainda, a construção de um mundo justo e inclusivo e uma reforma abrangente do Conselho de Segurança da ONU para o tornar mais democrático e equitativo e mais adequado para responder aos novos desafios emergentes.
Realçou a necessidade de a referida reforma corrigir também uma injustiça histórica, garantindo à África uma representação justa com base no Consenso de Ezulwini e na Declaração de Sirte de 2005, que defendem dois assentos na categoria de membros permanentes com todos os direitos e privilégios e dois não permanentes adicionais.
Ao longo da sua alocução, o diplomata angolano reiterou que a ONU deve reformar o sistema multilateral para manter a sua relevância estratégica, para o bemestar de toda a humanidade.
Neste contexto, manifestou o apoio de Angola à iniciativa UN80 para fortalecer o sistema das Nações Unidas e “preparar-nos para os desafios globais multifacetados e complexos do mundo através de melhorias inclusivas e acções colectivas concertadas”.
O embaixador Francisco da Cruz lembrou a declaração do antigo Secretário-Geral da ONU, Dag Hammarskjöld, feita em 1954, de que “as Nações Unidas foram criadas não para nos levar ao paraíso, mas para nos salvar do inferno”.









