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“O salário já caiu!”

Jornal OPaís por Jornal OPaís
28 de Janeiro, 2026
Em Opinião

Salário. O dinheiro que já está na conta. Aquela sensação de alívio que locupleta o trabalhador cansado e que estava expectante na semana final. A sensação é como sair de um naufrágio nadando até à praia, ser tomado pelo cansaço e depois ser tomado pelo por um enorme alívio, que nos dá um amplexo fraternal longo. Os dias que percorreram, enfileirados no mês, pareciam infindáveis, como crianças brincando efusivamente e não querendo parar.

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“O salário já caiu!”. Esta notícia cria algo como que bonança no nosso exausto coração. Mas quem entre a “plebe” nunca viveu a experiência de o ordenado passar como sombra, como se ele estivesse em casa só como visita? “Não, só vim dar um ‘Oi!’. Estou apressado…” Aí vislumbramos outro mês looooongoo. Isso é azar! O dinheiro parece nunca chegar para nada. Custo de vida alto, nível de vida baixo. Inflação. Especulações de preço.

Os fenómenos parecem um furacão que leva implacavelmente tudo no seu caminho, qual algozes da satisfação do povo. O dinheiro é primariamente para atender necessidades; a poupança e o investimento são necessidades, afinal, temos de contar com o porvir, não é? Mas como investir se só a comida praticamente já escamoteia todo o salário? E o transporte? E as propinas das crianças? E o dinheiro a se pagar na faculdade? Parece que um camião que parou nos aperta contra uma parede sem nos esmagar, mas impede-nos de sair e de nos movimentarmos.

O dinheiro chega e… fuuu… esvoaça logo e nós ficamos como que boquiabertos, sem acreditar que o dinheiro voou. O engraçado é que os preços no mercado parecem subir de modo desordenado: num mês, uma coisa que vemos está num preço, no mês seguinte (que é quando temos como comprar naquele preço), está noutro preço agora. Quando vemos no Tik-Tok ou noutra rede social jovens empreendedores a nos ensinarem como investir e como a sua vida ficou diferente com métodos e técnicas apresentados de modo loquaz e retórico, passamos a acreditar que é possível mudar o nosso quinhão na vida.

Mas, na prática, as coisas parecem diferentes. Como é que um senhor na casa dos quarenta, com quatro filhos crescidos ― no Ensino Médio e na Faculdade ―, ganhando 150.000 kz mensalmente, vai lidar com todas as despesas ― alimentação, transporte (para si, para o primogénito, para o segundo filho…), saúde, vestuário (novamente, para si, para o primogénito, para o segundo filho…), contas de luz, contas de água, etc.? Parece um sonho.

É uma ilusão pensar que uma única teoria de investimento vale para toda e qualquer circunstância. A vida em sociedade é extremamente complexa. Nem mesmo quem estuda economia é a pessoa mais rica do seu país; este status vale para celebridades do show-biz, homens de negócios e até políticos. (O leitor conhece algum economista “podre de rico”? Mais do que o CR7, por exemplo? Talvez haja uns poucos, mas são poucos mesmo!) E, sinceramente, há quem não queira que os outros cresçam financeiramente para que continue a ter a quem impor ‘trabalho forçado’.

Afinal, nem todos podem ser doutores, não é? (Quem vai engraxar os sapatos do doutor?) Então, não há nada a se fazer? Alguns conseguiram. Porque é que nós não podemos? Não há garantia de abastança, mas existe lógica em crer na possibilidade de lidar com o dinheiro sem que haja preocupações em demasia… e até de ser endinheirado! Tudo começa com educação.

Educação implica munir o indivíduo (cada um de nós a nós mesmos ou ao nosso educando) de atributos que o façam medrar em diferentes aspectos (físicos, emocionais, psicológicos e espirituais). O propósito é a adequada inserção do indivíduo na sociedade (que é altamente complexa). A educação permite inclusive dirigir, liderar grupos sociais… e até presidir uma nação. Educação é um fenómeno multímodo e todas as suas manifestações são impreteríveis. A educação familiar garante polidez de carácter, espiritualidade, além de ser a nossa fonte de abastecimento para a nossa luta de cada dia.

A educação académica dá-nos informações e ensinam-nos práticas científicas, artísticas, filosóficas, técnicas que gerarão conhecimento e habilidades; estimula também ao hábito da atenção, do trabalho em grupo, da obediência nas tarefas, da responsabilidade, da análise, etc. A educação pode fazer crescer em nós a sabedoria, que se manifesta em conhecimento, compreensão, discernimento e sagacidade.

Por exemplo, se for muito jovem, porquê ter compromisso antes da formação e antes de adquirir aquilo que lamentaria não ter se já tivesse filhos, por exemplo (quiçá habitação, veículo, independência financeira ou outra coisa)? A educação fá-lo-á construir a sua vida e preparar adequadamente o seu futuro. Por sua vez, ela pode ajudar os mais velhos a planear bem e a não “produzir filhos” como se produzem batatas! Filhos exigem despesas enormes, sábia atenção parental, bem como educação multiforme por décadas: a sua vinda deve ser bem planeada! Muitos vivem na inópia, na carência extrema, por falta disso.

Mas é necessário também educação financeira. É essencial para a gestão dos recursos, análise do mercado, promoção, venda, manutenção do dinheiro, etc. Aprendamos com a natureza. A primeira manga, nós compramos. E as outras mangas? Podemos gastar mais dinheiro para as comprar e comer, comprar mais e comer mais… E… se semearmos o caroço, cuidarmos dele, regamo-lo sempre? Quantas mangas poderemos comer futuramente da mangueira plantada por nós mesmos? Basta uma manga para se ter muitas para comer… e quem sabe vendê-las? E isso não é sobre mangas.

Por: JAFIR

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