Há alguns anos, li num livro de um autor brasileiro sobre marketing político, que nas campanhas eleitorais as promessas valem sempre, independentemente de elas serem ou não um dia cumpridas.
Ou seja, o peso que elas representam no momento em que são apresentadas aos cidadãos muitas das vezes ultrapassa a sua concretização a posterior. Desde então, olho com muita atenção ao que vem sendo dito pelos políticos, sejam eles da situação ou da oposição.
Tanto em momentos eleitorais como fora deles, é usual ouvirmos promessas que, se muitas delas tivessem sido concretizadas ou se possível fossem, acreditamos que o mundo em que vivemos hoje estaria muito distante daquele que assistimos. Nos últimos dias, acompanhando a imprensa portuguesa, em relação à campanha para as presidenciais, que terá a sua segunda volta no próximo dia 8 de Fevereiro, vieram-me à memória as ideias que vão sendo vendidas por alguns políticos, algumas das quais risíveis.
Músico de profissão, Manuel João Vieira é aquele a quem se imputou as promessas mais loucas, entre as quais a possibilidade haver “vinho canalizado e uma prostituta em todas as casas portuguesas, um Ferrari para cada cidadão, uma patinadora russa e um dançarino cubano, alcatifar Portugal de norte a sul, criar o glorioso Ministério da Ressaca, declarar música e humor como bens essenciais da República, banir as doenças por decreto de lei”.
Em Angola, durante as campanhas eleitorais, também é comum ouvir-se promessas várias, algumas das quais à partida nem precisam de muito esforço para se aferir que não serão realizadas. Durante os espaços de tempo de antena, concedidos legalmente nas estações de rádio e televisão, também se escuta de tudo. Felizmente, ainda não nas proporções que o luso Manuel João Vieira o fez.
Que não lhe permitiu sequer chegar à segunda volta, o que demonstra que, por mais que se queira chegar ao poder, há promessas que acabam por não ser encaradas com responsabilidade nem aceites por um povo que sabe o que quer, independentemente das dificuldades por que passam. Mas é bom quando vimos promessas a serem cumpridas.
A extensão dos Caminhos de Ferro de Benguela à província da Lunda-Sul, se a memória não me atraiçoa, faz parte de uma promessa feita há algum tempo também, ainda durante o mandato inicial do Presidente João Lourenço. Ver a acontecer, com a pompa e circunstância com que se viveu no dia de ontem, acaba por elevar os níveis de confiança de quem tenha votado naquela parcela do território angolano no partido que sustenta o Executivo: o MPLA.
Com a Estrada Nacional 230 praticamente concluída, que vai permitir a ligação também com o leste do país, a construção do ramal entre Moxico e Lunda-Sul acaba por ser a cereja no topo do bolo para as populações locais, incluindo a vizinha Lunda-Norte, que durante anos viveram privações para a obtenção de mercadorias e outros serviços.
Com a entrada em cena do comboio, mercadorias e produtos provenientes do litoral poderão ser escoados a partir do Porto do Lobito, em Benguela, transformando- se esta via numa espécie de apêndice do referido corredor, que hoje é cobiçado por investidores de vários quadrantes. Aos poucos, o Leste vai ficando cada vez mais próximo do que se imaginava há alguns anos.









