António José Seguro e André Ventura foram os vencedores da noite. A caminho da segunda volta, o candidato apoiado pelo Chega quer “agregar a Direita”, mas a Direita não parece querer assumir apoios. E agora, quem apoia quem? E quem foram os derrotados da noite?
A primeira volta das eleições presidenciais decorreu no Domingo, 18 de Janeiro, sem que nenhum dos candidatos a Belém tenha conseguido maioria absoluta dos votos. Assim sendo, no próximo dia 8 de Fevereiro os portugueses serão de novo chamados às urnas para escolher o próximo Presidente da República.
Henrique Gouveia e Melo, o almirante na reserva que também chegou a ser apontado como o próximo Presidente da República, quando surgiu na corrida, acabou por ficar em quarto lugar, com 12,3% e pouco menos de 700 mil votos. Gouveia e Melo assumiu que os resultados ficaram aquém dos seus objectivos, mas avisou que o país continuará a contar com a sua “participação cívica”.
Também uma derrota pesada tiveram os partidos à esquerda do PS – Livre, PCP e BE – cujos candidatos Jorge Pinto, António Filipe e Catarina Martins não ultrapassaram uma votação residual, que toda somada andou nos 4%. Catarina Martins obteve 2%, António Filipe 1,6% e Jorge Pinto 0,6%, este último co menos votação do que o músico Manuel João Vieira (1,08%). Seguramente há 2.ª volta… mas com desventuras: Direita não declara apoios No rescaldo destes resultados, a Esquerda apresentou-se como uma frente unida no apoio a António José Seguro.
Já Ventura, que logo às primeiras projecções reclamava o título de líder da Direita em Portugal, parece não ter reunido, para já, todos os apoios que pretendia. Contudo, pouco depois, o primeiro-ministro, Luís Montenegro, indicava que “o PSD não emitirá qualquer indicação de voto” na segunda volta das presidenciais e “não estará envolvido na campanha”.
Já antes, o candidato apoiado pelo PSD esclareceu que não endossará apoio na segunda volta: “Não vou fazer o endosso dos votos que me foram hoje confiados. Tenho a minha opinião pessoal, mas enquanto candidato, que é a única posição que tenho aqui hoje, não sou dono dos votos que em mim foram depositados. Cada um dos que votaram em mim decidirá, na altura própria, de acordo com a sua liberdade e com a sua consciência”, afirmou. João Cotrim Figueiredo, ex-líder da Iniciativa Liberal, falhou o principal objectivo de disputar a segunda volta.
Embora, no decurso da campanha, tenha chegado a admitir apoiar Ventura na segunda volta, no discurso de derrota Cotrim referiu que não tenciona endossar ou recomendar o voto em qualquer dos candidatos. Já à Esquerda, nos seus discursos finais, tanto Jorge Pinto e António Filipe, como Catarina Martins, declararam apoio a Seguro na segunda volta.
O mesmo fez o PAN que, num comunicado enviado ao final da noite às redacções, explicou que a sua Comissão Política Nacional “deliberou apoiar a candidatura de António José Seguro na segunda volta”, uma vez que considera que este candidato representa, neste novo contexto, “uma solução de equilíbrio, moderação e estabilidade, com sentido de Estado e compromisso com os valores democráticos”.
Independentemente dos partidos, muitas figuras deverão assumir opções para a segunda volta, como aconteceu com o ex-ministro social-democrata Miguel Poiares Maduro, na RTP, e José Pacheco Pereira, na TVI, ambos manifestando o apoio a António José Seguro.









