Jornalista de profissão, Raimundo Kateve Bambi, que também é formado em teologia, está, actualmente, empurrado para o ramo da agricultura, ao qual diz que se tem dedicado de “corpo, alma e espírito”. Nesta entrevista ao Jornal OPAÍS, o jovem agricultor aborda, de forma sucinta, o quadro da agricultura no país, fala do que tem projectado, que é o de se transformar num dos maiores produtores de fruta no país, ao mesmo tempo que critica o actual modelo de gestão das cooperativas agrícolas: “Há uma máfia incubada nas cooperativas”, dispara.
Para início de conversa, pergunto-lhe: Como é que é ‘empurrado’ para o ramo da agricultura?
Bem, até 2015, nós empreendíamos só no ramo de consultoria. Consultoria de orientação de desenvolvimento pessoal, essencialmente na vertente comunicacional, mentoria, formação e não só. Nos finais de 2016, a crise financeira, que o país vem atravessando desde aquela altura, fez com que fizéssemos um outro estudo de viabilidade, para que pudéssemos manter a marca da nossa empresa no mercado. E, então, ao fazermos o estudo de viabilidade, estudamos três áreas: agricultura, investimento na área de formação e saúde.
E percebemos que a agricultura era a área, inicialmente, mais barata para se investir, mais fácil, que com poucos recursos, à luz das condições financeiras que nós tínhamos, naquela altura, era possível fazer esse investimento, pese embora eu tenha nascido numa família camponesa. Os meus pais já praticavam isso há muito tempo. A minha mãe ainda faz isso até hoje, mas então nós nos desligamos, de um tempo para o outro. Mas a falta de clientes e de procura de serviços no nosso escritório empurraram-nos para o campo.
Conversamos com um senhor que, na altura, já explorava, que nos deu algumas explicações do que seria necessário, com quanto devíamos começar, deu-nos lições técnicas e estratégicas para alguém que começa agora. Naquela altura, queríamos arrendar um hectare e ele aconselhou-nos a arrendar meio. Experimentamos e dividimos o meio hectare em três: em uma parte colocamos a cebola, em outra parte a beringela e outra tínhamos colocado a cebola, em 2016. Essa produção deu-nos um resultado significativo e incentivou-nos bastante para que, a partir daquele meio hecta- re, fôssemos arrendar dois hectares. E os hectares que nós arredamos, naquela altura, dividimos também: num hectare semeámos o milho, no outro hectare semeámos o feijão.
POR: Constantino Eduardo, em Benguela
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