EMPEMA-ENSA BANCO BAI SOCIJORNAL SOCIJORNAL
OPaís
Ouça Rádio+
Sex, 26 Jun 2026
  • Mundial 2026
  • AngoTic
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
  • Desporto
  • Mundo
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Mundial 2026
  • AngoTic
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
  • Desporto
  • Mundo
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Família em silêncio: quando a casa já não é um lar

Jornal OPaís por Jornal OPaís
17 de Dezembro, 2025
Em Opinião

O avanço da odernização trouxe conforto, mas afastou as famílias do essencial: o tempo e o afecto partilhado. Vivemos numa era marcada pela velocidade. Os avanços tecnológicos, a pressão laboral e o ritmo frenético da vida urbana têm vindo a alterar de forma significativa a dinâmica das relações familiares. Gestos outrora simples, como reunir-se à mesa para partilhar uma refeição, tornaram-se, em muitas casas, raridades quase nostálgicas.

Poderão também interessar-lhe...

É de hoje… Até Dezembro, camaradas

O partido e a civilização

É de hoje… Encontros que deveriam ser normais

A convivência familiar — pilar da formação social e emocional — tem sido substituída por compromissos externos e distracções constantes. Não se negam os benefícios da modernidade. Ela trouxe conforto, acesso à informação e novas oportunidades.

No entanto, também nos afastou de algo essencial: o tempo de qualidade com aqueles que mais amamos. O sociólogo Zygmunt Bauman alertava para a fragilidade dos laços humanos contemporâneos ao afirmar: “As relações humanas são cada vez mais líquidas. Nada é feito para durar” (Bauman, 2004, p. 8). Essa liquidez traduz-se, muitas vezes, na desestruturação silenciosa das famílias.

A realidade das capitais provinciais angolanas ilustra bem esse fenómeno. Pais e filhos partilham o mesmo tecto, mas vivem isolados nos seus próprios mundos digitais. O contacto físico é substituído pelo virtual.

Há progenitores que não sabem sequer o nome completo dos filhos, as suas datas de nascimento ou a turma que frequentam. Casais mal conseguem manter uma conversa significativa ou reservar um momento para estarem juntos, como alerta Maria Montessori: “A primeira tarefa da educação é agitar a vida, mas deixá-la livre para se desenvolver” (Montessori, 2002, p. 93). Mas como desenvolver-se num ambiente onde faltam presença e diálogo? As tradições familiares, outrora base da convivência, vão sendo abandonadas.

A escuta atenta, a partilha de histórias, a expressão dos afectos — tudo vai sendo empurrado para segundo plano. A afectividade, que se manifesta no olhar, no toque e na escuta empática, perde espaço num quotidiano dominado por silêncios e pressas. E quando a família deixa de ser refúgio, o impacto reflecte-se directamente no comportamento de adolescentes e jovens.

Muitos pais acreditam que o seu papel resume-se a garantir sustento material: alimentação, vestuário e educação. No entanto, educar vai muito além do fornecimento de recursos.

“Educar é impregnar de sentido o que fazemos a cada instante”, afirmava Paulo Freire (1996, p. 22). Isso exige tempo, envolvimento e presença — não apenas meios financeiros. Infelizmente, há lares que mais se assemelham a pequenas ilhas. Falta diálogo, empatia, convivência. E, na ausência do vínculo afectivo, cresce-se carente, inseguro, distante de si e dos outros.

Augusto Cury sublinha que “os filhos não precisam de pais perfeitos. Precisam de pais humanos que saibam dizer ‘eu errei’, que saibam dialogar e ensinar pelo exemplo” (Cury, 2003, p. 65). Não há soluções milagrosas para recuperar o que foi perdido.

Mas há caminhos. O primeiro é compreender que a convivência familiar não é imposta — cultiva-se. E, como tudo o que se cultiva, exige cuidados diários: paciência, presença, afecto. Urge reaprender a conviver, a olhar nos olhos, a ouvir com o coração.

A maior herança que os pais podem deixar aos filhos não está nos bens materiais, mas na memória de um lar onde foram amados, ouvidos e respeitados. Um espaço de crescimento, partilha e afecto. No final, são esses momentos — simples, mas carregados de significado — que moldam a visão de mundo das novas gerações. Mais do que nunca, é imperativo resgatar os valores que fortalecem o núcleo familiar.

Promover momentos de união, diálogo sincero e escuta mútua. Estar presente é mais do que partilhar o mesmo espaço físico: é estar disponível, atento, emocionalmente acessível. Criar tempo para o outro, num mundo acelerado, é hoje um acto revolucionário. E talvez, seja este o primeiro passo para reconstruir famílias mais coesas, amorosas e verdadeiramente humanas.

Por: Ludijúnior Dias Sebastião

Negócios Em Exame Negócios Em Exame Negócios Em Exame

Recomendado Para Si

É de hoje… Até Dezembro, camaradas

por Dani Costa
26 de Junho, 2026

Há poucos anos, o comum era os adversários apontarem o MPLA como sendo um suposto exemplo de falta de democracia...

Ler maisDetails

O partido e a civilização

por Jornal OPaís
25 de Junho, 2026

Tenho escrito, com al guma regularidade, algumas reflexões sobre a China e pos so dizer com certe za absoluta que...

Ler maisDetails

É de hoje… Encontros que deveriam ser normais

por Dani Costa
25 de Junho, 2026

Um encontro entre os líderes parlamentares do MPLA e da UNITA tornou-se notícia nos últimos dias. Em causa estava o...

Ler maisDetails

O que te ensinaram a chamar amor?

por Jornal OPaís
24 de Junho, 2026

Ontem, enquanto regressava para casa, ouvia um programa de rádio em que se falava sobre relaciona mentos, formas de amar...

Ler maisDetails

É de hoje… Até Dezembro, camaradas

26 de Junho, 2026
Fotos de Daniel Miguel

MADALENA CHIMPOLO:“Em termos genéticos, não acreditamos que existam fronteiras definidas que permitam dividir a espécie humana”

26 de Junho, 2026
Foto de Carlos Augusto

Perigo iminente: Pânico abala ‘inquilinos’ do Estádio da Cidadela após desabamento de parte da infra-estrutura

26 de Junho, 2026

Amontoados de lixo resistem nas ruas do Zango e “entopem” valas de drenagem

26 de Junho, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Mundial 2026
  • AngoTic
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
  • Desporto
  • Mundo
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.