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O legado de João Lourenço

Dani Costa por Dani Costa
10 de Novembro, 2025
Em Opinião

Amenos de dois anos do fim do segundo mandato, o Presidente da República, João Lourenço, demonstrou, na entrevista que concedeu no passado dia 7 de Novembro à CNN, não estar interessado num terceiro mandato, até porque a Constituição da República de Angola limita categoricamente qualquer pretensão nesse sentido.

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Aliás, já em ocasiões anteriores deu sinais nesse mesmo sentido, apesar das informações não confirmadas que sectores da oposição política, durante algum tempo, foram alardeando. Nesta fase, quando já se começa a pôr em evidência a necessidade de se arrumar os bens para se desapossar do Palácio, deixando caminho para um sucessor, surge também a necessidade de se fazer contas em relação ao que se realizou durante cerca de dez anos.

Depois de um mandato longevo do malogrado Presidente José Eduardo dos Santos, entre 1979 e 2017, é consabido que o sucessor herdou um país ainda mergulhado numa crise económica e social, com uma reconstrução nacional que carecia de conclusão, englobando infra-estruturas até então tidas como já reparadas — como estradas, hospitais e escolas — que mereciam uma atenção mais cuidadosa. Oito anos depois, a situação social ainda é uma incógnita.

A economia procura restabelecer-se, embora de forma tímida para muitos, mas os sinais de uma maior diversificação — com a aposta na agricultura e o surgimento de indústrias — estão aí evidentes. Mas, claro, ainda há muito por fazer.

Nos próximos anos, falar-se do legado do Presidente João Lourenço será, certamente, tema de acesos debates, mas com alguns pontos que deverão ser acolhidos positivamente, com alguma unanimidade. Na entrevista à CNN, o Presidente menciona o aprofundamento e a continuidade do processo de reconciliação nacional, a saúde e o combate à seca. São três sectores dos quais não se pode, sem qualquer demagogia, deixar de exaltar o que está a ser feito por João Lourenço.

Em relação à saúde, os ganhos são imensuráveis em termos de infra-estruturas e serviços, com um aumento significativo do número de camas em quase todo o país, assim como na formação. Quanto à seca, quem acompanhou as tragédias no Cunene — e noutros pontos do país — pôde testemunhar o empenho do Chefe de Estado e do seu Executivo.

O Canal do Cafu e as barragens em construção no Namibe, Cunene e noutros pontos são exemplos bastantes de que o sofrimento anterior não é o mesmo nos dias de hoje.

Diferentemente das obras, cuja conclusão é sempre possível — às vezes até em tempo recorde — a reconciliação é um processo que exigirá de todos os angolanos um envolvimento colectivo. Não se trata apenas de uma tarefa exclusiva do Presidente, embora, enquanto promotor, possa ajudar sempre a dar um passo a mais.

Por isso, não se pode, de modo algum, escamotear o trabalho da CIVICOP em relação ao 27 de Maio, nem tão pouco o tratamento que se deu a muitas figuras vivas e mortas da oposição, entre as quais o então líder da UNITA, Jonas Savimbi.

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