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A mulher africana na literatura angolana: entre a submissão e a resistência

Jornal OPaís por Jornal OPaís
1 de Outubro, 2025
Em Opinião

Entrementes, a história das mulheres africanas é povoada de rainhas, guerreiras e líderes espirituais que romperam costumes, conquistaram poder e respeito, expandiram domínios, combateram invasores europeus e insuflaram coragem em seu povo.

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A este respeito, a tradição africana, parafraseando o pensamento de Padilha, sacraliza a mulher como um laboratório sagrado onde se processa a permanência dos ancestrais”. Com isso, é possível observar que a mulher africana é vista como uma representação da força da terra.

A saber, a literatura africana e a literatura, como um todo, têm uma baixa presença de autoras femininas, há diversas razões pelas quais a literatura africana, de autoria feminina, é muito reduzida, entre elas, citam-se culturais, conforme tradições (locais e globais), onde o dever da mulher, que não muito diferentes doutras sociedades; delegam a função de gerar filhos e cuidar da casa, enquanto o homem fica com o posto de escrever e realizar as outras funções “mais importantes” na sociedade, além da dificuldade ao acesso à instrução e aceitação da mulher escritora. Mesmo assim, nenhum desses obstáculos foi suficiente para retirar por completo de cena a resistência feminina.

Com efeito, a mulher foi sempre, de facto, desde os primórdios da literatura africana, a presença assídua na construção identitária, tanto como objecto de amor romântico, de encantamento nativista, de desejo e prazer quanto como sujeito marcado pela diferença.

Assim, mesmo na produção poética anticolonial a mulher ganhou estatuto de símbolo, com imperativos ideológicos. É possível, inclusive, observar que o caminho que leva à solidificação do pensamento nacionalista é acompanhado de forma paralela pelo caminho para a independência da mulher africana.

Deste modo, ao longo a nossa abordagem, perceberemos como é vista a mulher africana na literatura angolana, isto é, tendo em conta o embasamento das obras de Pepetela, Ondjaki e Ana Paula Tavares. Efectivamente, no âmbito da literatura angolana, percebe-se na leitura de alguns textos que as revistas “Mensagem e Cultura”, representam o início da poesia moderna angolana, neste momento aparecem os nomes das representantes femininas como: Alda Lara e Ermelinda Pereira Xavier, dentre os vários nomes masculinos.

Sendo assim, a mulher africana, na literatura, é símbolo de resistência e luta, figura de transformação social e pilar da comunidade, conforme está representado nas obras dos autores como Pepetela, Ondjaki e Ana Paula Tavares. Assim:

Pepetela, na obra “A Geração da Utopia” (1992), a personagem Ana é um exemplo de mulher intelectual, politizada, que busca encontrar seu lugar num mundo dominado por homens, mesmo dentro dos círculos revolucionários. Desta maneira, é através de Ana e outras mulheres que ele expõe o machismo presente não só no sistema colonial, mas também nas fileiras do movimento libertador e, posteriormente, no novo governo pós-independência.

Ondjaki, na obra Avó Dezanove e o segredo do soviético”, retrata mulheres como figuras centrais na vida comunitária que simbolizam a ligação com o passado e a preservação da memória coletiva.

Por outras palavras, as personagens femininas são destacadas como: afectuosas, protetoras, sábias e dotadas de uma linguagem afectiva rica. Tavares, na “Ritos de Passagem”, revisita tradições e histórias do interior de Angola, muitas vezes filtradas pela voz feminina. A obra constrói, com lirismo e consciência histórica, uma representação rica e multifacetada da mulher africana.

Por outras palavras, suas personagens femininas desafiam estereótipos simplistas e aparecem como agentes fundamentais na preservação da cultura, na resistência política e na expressão da identidade angolana.

Portanto, foi também através da figura feminina que se concretizou a ideia da Nação e se construiu a estética da nacionalidade lembremo-nos dos emblemáticos poemas “Kicôla” ou “Uma quissama”, de Cordeiro da Matta; “Adeus à hora da largada”, de Agostinho Neto; “Carta de um contratado”, de António Jacinto; “Mamã negra”, de Viriato da Cruz e para além de inúmeros poemas em que o elemento feminino era locus de dimensão ideológica de dinamização identitária, deste modo, acredito que as mulheres devem ter suas idiossincrasias respeitadas não só na literatura como nas variadas formas de expressão.

Por: JOÃO CUNHA

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