OPaís
Ouça Rádio+
Sex, 13 Mar 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Angola entre a multipolaridade e a segurança estratégica: desafios e oportunidades no Atlântico Sul

Jornal OPaís por Jornal OPaís
12 de Setembro, 2025
Em Opinião

1 . Introdução O século XXI é marcado por uma crescente competição geopolítica que redefine não apenas as grandes potências, mas também o papel das economias emergentes e médias potências regionais.

Poderão também interessar-lhe...

Na classe seguinte supera”: pensamento docente que aniquila

Carta do leitor: Quem salva o Cassequel do Buraco!

É de hoje…Desconfianças que minam

Angola, situada no coração do Atlântico Sul e com profundos vínculos à África Austral, posiciona-se como ator indispensável neste novo tabuleiro. O país combina recursos estratégicos (petróleo, gás, minerais críticos e águas profundas ricas em biodiversidade) com uma localização privilegiada que o torna elo de ligação entre África, América Latina e Atlântico Norte.

Todavia, a consolidação desta centralidade exige não apenas diplomacia e projecção internacional, mas também uma arquitectura nacional de segurança estratégica e intelligence que permita compreender e antecipar os riscos, transformando vulnerabilidades em activos de poder.

2. A Nova Multipolaridade e os Espaços Intermédios O sistema internacional actual já não se organiza em torno da velha bipolaridade da Guerra Fria, nem da hegemonia unipolar dos anos 1990.

Vive-se uma multipolaridade fragmentada, em que:

•Os EUA continuam a deter poder naval e financeiro;
•A China expande a sua influência através da Belt and Road Initiative e crescente presença em África; •A Rússia reforça alianças militares e energéticas, apesar das sanções ocidentais;
•A União Europeia procura autonomia estratégica, mas dependente de matérias-primas externas; Índia, Turquia, Brasil e países do Golfo emergem como players decisivos em áreas regionais.

Neste contexto, Angola encontra-se num espaço intermédio: suficientemente relevante para ser cortejada, mas ainda vulnerável a pressões externas.

O Atlântico Sul transforma-se em teatro de disputa por rotas energéticas, cabos submarinos, pesca, bases navais e acesso a minerais críticos (cobalto, lítio, terras raras).

3. Angola como Hub de Segurança no Atlântico Sul A posição geográfica de Angola não é apenas um detalhe cartográfico.

O país pode ser entendido como ponte estratégica em três direções: 1.Para o Norte: ligação com a Europa e EUA, dependentes de rotas seguras para energia e comércio.

2. Para o Oeste: proximidade com o Brasil, abrindo espaço para uma aliança atlântica Sul-Sul. 3. Para o Leste: interface natural com a África Austral e a rota para o Índico, conectando-se aos corredores logísticos e energéticos da SADC.

Este posicionamento levanta duas agendas:
•Agenda de segurança marítima:

combate à pirataria no Golfo da Guiné, protecção de infraestruturas offshore e controlo de rotas de tráfico ilícito.

•Agenda de intelligence energética: Angola deve monitorar movimentos de potências que pretendem capturar valor estratégico do petróleo e gás angolanos, mas também de minerais de transição energética como cobre e diamantes industriais.

4. O Papel da Diplomacia Estratégica Angolana Angola já demonstrou capacidade de mediar conflitos regionais (caso da República Democrática do Congo e da RCA).

Esta vocação deve ser alargada para o plano internacional, através de três vectores:

•BRICS+: Angola pode afirmarse como voz africana relevante dentro de um bloco em expansão, equilibrando relações com a China, Rússia e Índia, sem rompercom Ocidente.

•Parcerias atlânticas: A cooperação com Brasil, Nigéria e África do Sul pode construir um eixo atlântico africano-latino que reduza dependência das potências tradicionais.


•Integração regional: A liderança no seio da SADC e da CEEAC permitirá a Angola consolidarse como referência em segurança e energia.
5. Intelligence, Cibersegurança e Resiliência Nacional Nenhuma potência regional se afirma sem sistemas robustos de intelligence e análise estratégica.

Para Angola, três áreas emergem como prioritárias:

1.Cibersegurança: a guerra híbrida já é uma realidade; ataques cibernéticos contra bancos, infraestruturas de energia e comunicações podem paralisar a economia. 2.Intelligence económico-financeira: monitorar fluxos ilícitos de capitais, corrupção transnacional e cartéis que drenam riqueza nacional.
3. Geointelligence e vigilância marítima: uso de satélites, drones e radares costeiros para proteger a Zona Económica Exclusiva e prevenir intrusões hostis.

6. Desafios Estruturais Apesar do potencial, persistem riscos internos que fragilizam a posição angolana: •Dependência excessiva do petróleo, num mundo em transição energética.

•Corrupção sistémica e opacidade institucional, que reduzem confiança de investidores estratégicos. •Falta de quadros especializados em estudos estratégicos e geopolítica, criando dependência de análises externas.

Infraestruturas logísticas insuficientes, limitando a capacidade de Angola ser hub regional.

7. Oportunidades para uma Estratégia Nacional Para transformar-se em polo geopolítico e de inteligência no Atlântico Sul, Angola deve apostar em: •Academias de estudos estratégicos e think tanks nacionais, produzindo conhecimento endógeno.

•Diplomacia energética inteligente, que não apenas exporte petróleo, mas também negocie tecnologia, capacitação e acesso a mercados. •Parcerias em defesa marítima, atraindo cooperação com OTAN, BRICS e CPLP, mas preservando autonomia.

•Política externa assertiva, que coloque Angola como plataforma de mediação entre Norte e Sul, Ocidente e Oriente. 8. Conclusão O futuro de Angola não será apenas determinado pelos preços do petróleo ou pelo crescimento económico interno.

O que realmente consolidará a posição do país será a sua capacidade de pensar estrategicamente, de antecipar riscos, de se mover com autonomia nas alianças internacionais e de projetar segurança no Atlântico Sul.

Mais do que nunca, geopolítica, estudos estratégicos e intelligence não são luxo académico, mas instrumentos de sobrevivência nacional. Angola tem diante de si um dilema: ser apenas campo de disputa das grandes potências ou tornar-se protagonista ativo na construção de uma nova ordem multipolar. O caminho dependerá de visão estratégica, liderança esclarecida e instituições resilientes capazes de pensar além do imediato.

Por: ALEXANDRE CHIVALE

Jornal OPaís

Jornal OPaís

Recomendado Para Si

Na classe seguinte supera”: pensamento docente que aniquila

por Jornal OPaís
12 de Março, 2026

Em muitas escolas, sobretudo do ensino primário, verifica-se a prática de promover alunos para a classe seguinte mesmo quando não...

Ler maisDetails

Carta do leitor: Quem salva o Cassequel do Buraco!

por Jornal OPaís
12 de Março, 2026
DR

À coordenação do jornal OPAÍS, saudações e votos de óptima disposição! O Cassequel do Buraco, na Maianga, em Luanda, já...

Ler maisDetails

É de hoje…Desconfianças que minam

por Dani Costa
12 de Março, 2026

Há poucos dias, o debate sobre um hipotético pacto de transição ou de regime esteve à baila. É proposto pela...

Ler maisDetails

Fracassos da FAF

por Jornal OPaís
12 de Março, 2026

O futebol é o desporto-rei. É uma indústria. Todos os anos movimenta receitas. Cria empregos directos e indirectos. Hoje, este...

Ler maisDetails

Porto do Lobito reforça stock de medicamentos do Hospital da Catumbela

12 de Março, 2026

9.º Congresso Ordinário do MPLA agendado para os dias 9 e 10 de Dezembro

12 de Março, 2026

Porto do Lobito doa bens ao Centro de Acolhimento Nossa Senhora do Perpétuo Socorro na Catumbela

12 de Março, 2026
DR

MINSA lança no Namibe Ano Lectivo da Especialização Pós-Média de Enfermagem

12 de Março, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.