OPaís
Ouça Rádio+
Sáb, 2 Mai 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Hortas de quintal e o Programa de Combate à Fome: Uma parceria estratégica

Paulo Sérgio por Paulo Sérgio
30 de Maio, 2025
Em Opinião

Há alguns anos, um engenheiro agrónomo defendeu publicamente uma ideia que, à época, pareceu ousada, mas que hoje se mostra cada vez mais necessária: cada angolano deveria ter uma casa com um quintal suficientemente amplo para cultivar leguminosas e outros alimentos básicos, reforçando assim a segurança alimentar da sua família.

Poderão também interessar-lhe...

A Inteligência Artificial chegou à redacção: vamos desligar as câmeras ou ligar o bom senso?

Juventude, dever e confiança na defesa nacional

Quem tem coragem de dizer a verdade

A proposta, longe de ser um “delírio ruralista”, reflectia uma compreensão profunda da realidade cultural angolana, onde a agricultura familiar sempre esteve enraizada no quotidiano das comunidades.

No entanto, poucos a levaram a sério. Isso até que, anos depois, o Executivo abraçou uma iniciativa semelhante, criando um programa de distribuição de pintinhos de raças rústicas para famílias camponesas e criadores, com vista a aumentar a produção interna de frangos e reduzir a dependência das importações. A proposta foi alvo de críticas. Muitos protestaram – alguns por desconhecimento, outros por oportunismo político.

Enquanto isso, o promotor do programa via a floresta inteira, enquanto os do “contra” tinham a visão limitada apenas a uma árvore ou um tronco. O impacto foi silencioso, mas relevante: estabeleceu-se um banco genético de aves em Angola, graças a uma parceria com o Brasil que permitiu trazer ao país pintinhos de matrizes brasileiras e diversificar um mercado até então dominado por galinhas de matrizes europeias e sul-africanas, como a Isa Brown e a Rhode Island Red.

Hoje, o contexto é ainda mais promissor. A aproximação recente entre Angola e o Brasil reposiciona a agricultura e a pecuária no centro da cooperação bilateral. Se bem aproveitada, essa relação pode elevar o programa de avicultura familiar (que inclui a distribuição de pintinhos a diferentes regiões e municípios) a um novo patamar – mais ambicioso, estratégico e sustentável.

Uma parceria com a Embrapa, referência mundial em inovação agrícola, pode ser o catalisador dessa transformação. Essa empresa brasileira tem longa experiência com tecnologias adaptadas à agricultura familiar e urbana

. O seu “Sisteminha”, um modelo de produção integrada que combina a criação de peixes, aves e hortas em pequena escala, é um exemplo disso. Este sistema, pensado para contextos de baixa renda e escassez de espaço, alinha-se perfeitamente à visão original do engenheiro agrónomo Isaac dos Anjos, hoje ministro da Agricultura e Florestas.

Mais do que ecoar a música de Dom Caetano, “o nosso chão dá tudo”, sempre que se fala das potencialidades agrícolas deste país, é hora de Angola apostar de forma estratégica na agricultura doméstica, sem negligenciar, é claro, a mecanizada.

É certamente o desejo de todos nós, enquanto angolanos, ver o nosso país se tornar um grande produtor de grãos e um exemplo no que ao repovoamento de gado bovino, caprino, suíno e aves diz respeito.

Além de reafirmar esse desejo, o próprio Presidente da República, João Lourenço, apontou recentemente, durante visita ao Brasil, como benefícios, para quem assim o fizer, a existência de um mercado local e a facilidade de escoamento para os países vizinhos.

Enquanto se trabalha para atrair grandes investimentos, a adoção em larga escala das hortas de quintal – uma prática familiar para muitos angolanos com mais de 30 anos – pode ser um pilar complementar essencial.

Essa prática pode ajudar a melhorar a nutrição das famílias, contribuir no fortalecimento da economia local, na redução da dependência de importações e no resgate de práticas tradicionais com inovação e sustentabilidade.

É tempo de rever, adaptar e ampliar o programa de avicultura familiar, não por nostalgia, mas como política pública eficaz para um futuro mais soberano e resiliente. Pois, com apoio técnico e metas claras, os quintais dos angolanos podem tornar-se verdadeiras fontes de alimento, renda e dignidade – especialmente em tempos de crise financeira.

Se restarem dúvidas sobre o potencial transformador desse modelo, basta perguntar aos jornalistas e escritores Sousa Jamba e Luís Fernando, que, nas suas redes sociais, partilham experiências pessoais com hortas de quintal, revelando o quanto esse processo pode ser prazeroso, saudável – e necessário.

Paulo Sérgio

Paulo Sérgio

Recomendado Para Si

A Inteligência Artificial chegou à redacção: vamos desligar as câmeras ou ligar o bom senso?

por Jornal OPaís
1 de Maio, 2026

Quem tem mais de três décadas de televisão, como eu, já viu muita revolução chegar às redacções. Lembro-me das máquinas...

Ler maisDetails

Juventude, dever e confiança na defesa nacional

por Jornal OPaís
1 de Maio, 2026
FOTO DE  JACINTO FIGUEIREDO

Ao encerrarmos o mês dedicado à juventude, impõe se uma reflexão serena e responsável sobre o papel dos jovens na...

Ler maisDetails

Quem tem coragem de dizer a verdade

por Jornal OPaís
1 de Maio, 2026

No desporto angolano, há uma palavra que se repete como uma promessa, mas raramente se cumpre com a profundidade que...

Ler maisDetails

África Austral não pode ficar de fora: A nova corrida estratégica do continente

por Jornal OPaís
1 de Maio, 2026

Na madrugada de 29 de Abril, em Gaborone, entre o silêncio da cidade e as páginas de um livro que...

Ler maisDetails

Viagem Apostólica do Papa Lão XIV a Angola

CEO da Angola Cables distinguido com o Prémio AICEP Liderança

1 de Maio, 2026

MPLA felicita funcionários angolanos no Dia Internacional do Trabalhador

1 de Maio, 2026

Adão de Almeida destaca importância da eleição de Arlete Borges no Parlamento Pan-Africano

1 de Maio, 2026

O PIB nominal cresce 23,35% em 2025

1 de Maio, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.