Nossa Seguros BFA SB Expo_Huambo BFA FIB BANCO BAI STANDARD-BANK SOCIJORNAL
Sáb, 12 Set 2026
OPAÍS
Em directoOuvir a Rádio Mais em directo
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Editorial
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Editorial
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
OPAÍS

Sem rim, sem transplante e sem qualidade de vida

Jornal Opaispor Jornal Opais
14 de Março, 2025
Em Sociedade

Assinalou-se ontem, 13 de Março, o Dia Mundial do Rim. Por cá, os doentes renais continuam a depender apenas da hemodiálise, porque ainda não é possível fazer-se o transplante deste órgão. A vida continua a mostrar a parte dura a estes doentes que, enquanto não lutam por um lugar na lista da Junta, lutam para conseguir alimentação, dinheiro de táxi e medicamento, ou mesmo para não morrerem

Se calculado à razão de duas injecções por cada sessão de hemodiálise, e três vezes por semana, 5.760 é o número aproximado de injecções que Josemar Jorge apanhou, no braço direito, que não passa despercebido por conta das inflamações resultantes das ligações dos cateteres. Nestas inflamações, ele já não sente nada.

O medo de agulhas perdeu há bastante tempo, aliás, para quem viu mais de 10 amigos morrerem com a mesma doença, o medo de agulhas nem deve fazer parte da sua lista. “Nós, os doentes dialíticos, vivemos tipo The Walking Dead”, disse.

Fizemos esta conta porque Josemar Jorge, contabilista, economista e professor, agora com 34 anos, começou a fazer hemodiálise aos 18 anos de idade, em Dezembro de 2008, apesar de já ter frequentado as consultas com o nefrologista desde os seus 15 anos, no início do ensino médio, no IMEL.

As cambrais constantes, a dificuldade de dormir, a perda de peso, as pálpebras inflamadas, e o facto de ter histórico na família de insuficiência renal, serviram de sinais de alerta. O dia 22 de Dezembro de 2008, para ele, ficou o seu segundo dia de aniversário, por ser a data em que começou a diálise.

“Descobri o que é ter saúde. Como já estava há quatro anos doente, o meu corpo já estava, de tal forma debilitado, que já nem lembrava o que é ter saúde, o que é estar bem. Todos os dias eu acordava à noite para mijar, e só mijava um bocadinho. Todos os dias, de manhã, vomitava. Era tipo um ritual: acorda, fica na cama à espera do vómito.

Foi assim durante o último ano do ensino médio”, conta. Com insuficiência renal crónica, Josemar compara os doentes renais literalmente com o que acontece na série The Walking Dead, porque vivem sem um órgão (o rim). Daí que defende que a melhor forma de ajudar os doentes renais e os parentes é conceder dignidade a essas pessoas.

Um azarado sortudo

“Os doentes renais deviam ter ajuda da Segurança Social. Não é ir ficar na fila, durante o sol, para receber meio quilo de arroz, não. Deviam ter apoio social obrigatório. Depois, a maior parte dos doentes renais tem mais alguma outra doença. Eu, e mais alguns, somos os casos raros que não temos outra doença. Ou têm hipertensão, diabetes, HIV ou hepatite. Estes precisam de apoios”, sustenta.

O interlocutor disse ainda que não entende como no programa Kwenda estes doentes não são contemplados, se também passam por muitas dificuldades. Há doentes que não fazem diálise porque não têm o que comer, ou fazem alimentando-se de pão e chá, e outros que não aparecem no hospital por falta de dinheiro de táxi.

O doente renal, se estiver com a hipertensão descontrolada, carrega problemas de audição, visão, e até afecta o olfato. As diabetes podem provocar amputação dos órgãos, podem provocar cegueira. Então, a maior parte das pessoas que têm doenças acumuladas têm dificuldades de trabalhar.

Josemar se considera o azarado mais sortudo do mundo, porque diz que, apesar dessas dificul- dades, conseguiu “vencer o sistema”. “Percebi cedo que, como doente renal, não dava para confiar no emprego e eu não queria deixar o meu futuro na mão de alguém.

Então, decidi criar a minha empresa e escolher uma profissão que me seja fácil. Sou contabilista, sento numa cadeira, faço o meu trabalho. Mas algumas vezes você assusta só: “track”, deslocou algum membro ou apanhou mal jeito”, disse sorrindo.

A gravidez que trouxe à tona a insuficiência renal

Ainsuficiência renal mudou o rumo da vida. Se há 13 anos Teresa António tinha a Quinta-feira como mais um dia laboral como recepcionista na empresa SGO, onde trabalhava até antes de ser diagnosticada, agora este dia é apenas um dos três dias da semana em que a cidadã é “castigada” a ficar durante quatro horas sentada numa maca do hospital a ver as máquinas de hemodiálise fazerem a filtração do sangue no seu corpo, função que estava destinada ao rim que já não possui.

Já com dois filhos no mundo, Teresa engravidou pela terceira vez, em 2012, mas o que devia ser motivo de alegria (e até foi no princípio) para si, para o esposo e para a família, tornou-se na pior surpresa já alguma vez tida.

“Quando fiquei grávida, comecei a ter algumas complicações de saúde, tive o bebé (que depois de algumas semanas faleceu) e depois de um mês intenei no Américo Boa Vida, e foi no hospital que me deram a notícia de que estava com insuficiência renal”.

Aos 42 anos, a cidadã oriunda da província do Uíge sustenta-se a si e aos dois filhos com o negócio de rissóis e bolinhos, tudo porque, tendo sido diagnosticada, perdeu o lugar de recepcionista na empresa de viagem SGO e foi obrigada a depender da família que procura, sempre que possível, auxiliá-la. O auxílio, por sua vez, vem apenas quando realmente é possível, e quando assim não ocorre, apenas o pão e o leite entregues no Centro de Hemodiálise, durante as sessões, servem de alimento do dia.

Segundo conta, separou-se do primeiro marido antes de adquirir a doença e, depois de ser diagnosti- cada, o ex-companheiro nada fez para apoiá-la. Entretanto, no Centro de Hemodiálise Pluribus, conheceu um novo amor que, por coincidência, era um doente renal, e este a fez sorrir novamente.

No entanto, o sorriso não durou por muito tempo, pois, em 2018, João (nome fictício), seu esposo, perdeu a vida, vítima da doença renal. Tendo falecido o marido, Teresa deu início a um novo período difícil na sua vida, uma vez que, depois de se terem conhecido e terem feito os deveres como obrigação a tradição, João tornou-se o provedor na vida de Teresa e passou a apoiá-la em tudo.

Com a morte de João, a mulher foi obrigada a reinventar-se e a encarar a fúria dos familiares do companheiro, que lhe receberam a casa na qual viveram juntos durante mais de quatro anos. Enquanto falava com a nossa equipa, as lágrimas relutavam a cair dos olhos de Teresa que brilhavam como o candeeiro que não se quer apagar. Mas a mulher não permitia que as lágrimas lhe vencessem, porque a fé que encontrou na igreja “Bom Deus” fá-la acreditar que dias melhores virão.

Sonho interrompido e dificuldades de aceitar a condição

O ano de 2015 marcou a vida de uma jovem que, aos 28 anos de idade, possuía muitos sonhos e ambições que incluíam a vontade de melhorar as suas condições e as condições de vida da sua família. Marlene, como a vamos tratar por não aceitar ser identificada, admite que recebeu da pior forma a notícia de que um dos órgãos do seu corpo já não funcionava como devia. “Levei anos para aceitar isso, não achava que era possível, porque era muito jovem e ainda tinha muito pela frente.

A única ideia que me vinha em mente naquele momento era que todos os meus planos e projectos tinham caído por água-abaixo e que já não seria possível viver o que um dia sonhei e almejei”, conta a jovem. Em 2015, Marlene ficou internada por conta de uma malária, e o que ela achava ser mais um embate da “doença dos pobres” na sua vida gerou algo maior do que se imaginava e alterou o ciclo diário que tinha.

Para a sua família, a notícia chocou a todos, pois, para além de não haver ninguém com essa doença, ninguém na família tinha informações sobre a doença, porém, ao ser a primeira na família a viver tal episódio, os parentes tiveram de apoiá-la e aceitar o facto, ainda que difícil. Os filhos de treze e dez anos são as pessoas a quem ela mais dedica o seu tempo e amor.

“Nunca me sentei com eles para falar sobre a doença que tenho, mas a mais velha tem noção de que tenho algu- ma doença grave, aliás, a única coisa que eles sabem é que a mãe está sempre a ir ao hospital”, diz.

Solteira, Marlene vende roupas em casa e leva o mesmo negócio ao Centro de Hemodiálise, onde tem as enfermeiras e outras pacientes como fiéis clientes. A doença frustrou-lhe o sonho de ser bancária, e teve de parar no terceiro ano da faculdade, fruto da exigência que os estudos cobravam e não podia ser conciliada com o tratamento que lhe retira três dias da semana.

Durante a entrevista, esperava- se que Marlene chorasse ou ao menos lacrimejasse, mas, por incrível que isso pareça, a jovem nos contava a sua história com risadas leves, tudo porque hoje, diferente dos primeiros dias, põe em mente que a vida segue e encara a sua situação como um aprendizado, até porque, como atira, “a esperança é a última a morrer!”

POR: Romão Brandão e Germano Notícia

Recomendado Para Si

Novo Aeroporto Internacional de Cabinda prevê voo experimental para 2027

por Jornal Opais
12 de Setembro, 2026

As obras de construção do Novo Aeroporto Internacional de Cabinda decorrem a ritmo satisfatório, estando previsto para 2027 o voo...

Cidadã de 43 anos detida com 125 quilogramas de liamba no Zaire

por Jornal Opais
12 de Setembro, 2026

Uma cidadã nacional, de 43 anos de idade, foi detida nesta semana, no Posto de Fiscalização do Rio Loge Grande,...

Governador do Cubango realça necessidade de transformar debates em propostas concretas

por Flávio da Costa
11 de Setembro, 2026

O governador da província do Cubango, José Martins, realçou, esta sexta-feira, 11, em Menongue, a necessidade de transformar em propostas...

DR

Hospital dos Queimados Julius Nyerere regista mais de mil atendimentos no primeiro mês

por Jornal OPaís
11 de Setembro, 2026

O Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, localizado no Kilamba, em Luanda, realizou 1.235 atendimentos durante os primeiros 30 dias...

INSS em Icolo e Bengo conta com 14.297 contribuintes

por Jornal OPaís
11 de Setembro, 2026

A província do Icolo e Bengo conta com 14.297 contribuintes inscritos na Segurança Social, provenientes de vários ramos da actividade...

Governador de Icolo e Bengo destaca importância dos Serviços Provinciais do INSS

por Jornal OPaís
11 de Setembro, 2026

O governador da província de Icolo e Bengo, Auzílio Jacob, manifestou, nesta sexta-feira, os seus agradecimentos, em representação dos cidadãos...

Carregar Mais

Edições Digitais

Mais Populares

  • PR dá prazo de 15 dias para inserção de contratados no quadro definitivo da Função Pública

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • MININT disponibiliza calendário do Concurso Público de Ingresso Externo

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • GPL disponibiliza resultados da validação das candidaturas aos concursos públicos

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Campanha “A Mesa Pede Presença” desafia Luanda a largar os telemóveis e valorizar o convívio

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
  • Governo Provincial de Luanda divulga fichas e locais das provas dos concursos públicos

    0 partilhas
    Partilhar 0 Tweet 0
Siga OPAÍS no WhatsApp

Recomendado Para Si

Manchete2

Novo Aeroporto Internacional de Cabinda prevê voo experimental para 2027

por Jornal Opais
12 de Setembro, 2026

As obras de construção do Novo Aeroporto Internacional de Cabinda decorrem a ritmo satisfatório, estando previsto para 2027 o voo...

Ler maisDetails
Manchete2

Cidadã de 43 anos detida com 125 quilogramas de liamba no Zaire

por Jornal Opais
12 de Setembro, 2026

Uma cidadã nacional, de 43 anos de idade, foi detida nesta semana, no Posto de Fiscalização do Rio Loge Grande,...

Ler maisDetails
Sociedade

Governador do Cubango realça necessidade de transformar debates em propostas concretas

por Flávio da Costa
11 de Setembro, 2026

O governador da província do Cubango, José Martins, realçou, esta sexta-feira, 11, em Menongue, a necessidade de transformar em propostas...

Ler maisDetails
DR
Sociedade

Hospital dos Queimados Julius Nyerere regista mais de mil atendimentos no primeiro mês

por Jornal OPaís
11 de Setembro, 2026

O Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, localizado no Kilamba, em Luanda, realizou 1.235 atendimentos durante os primeiros 30 dias...

Ler maisDetails
Sociedade

INSS em Icolo e Bengo conta com 14.297 contribuintes

por Jornal OPaís
11 de Setembro, 2026

A província do Icolo e Bengo conta com 14.297 contribuintes inscritos na Segurança Social, provenientes de vários ramos da actividade...

Ler maisDetails
Sociedade

Governador de Icolo e Bengo destaca importância dos Serviços Provinciais do INSS

por Jornal OPaís
11 de Setembro, 2026

O governador da província de Icolo e Bengo, Auzílio Jacob, manifestou, nesta sexta-feira, os seus agradecimentos, em representação dos cidadãos...

Ler maisDetails
Carregar Mais
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Mundo
  • Desporto
  • Mais
    • Publicações
    • Opinião
    • Entrevista
    • Editorial
    • Vídeos
    • Saúde
    • África
    • Ciência e Tecnologia
    • Cronica de Dani Costa
    • Justiça
    • Reportagem

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.