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Vendedores e armadores de peixe desesperados em meio ao encerramento do mercado da Mabunda

Jornal Opais por Jornal Opais
12 de Março, 2025
Em Sociedade

Para além de ser uma reconhecida fonte de peixe em Luanda, o mercado da Mabunda é também uma fonte de renda para muitos citadinos residentes no município da Samba e não só. O seu encerramento mudou o destino de armadores e vendedores de peixe que tinham o mercado como a única fonte de sustento para as famílias

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O comunicado que dava conta do encerramento do mercado da Mabunda, publicado no dia 28 de Fevereiro do ano em curso, fez-se acompanhar de um apelo aos vendedores do mercado para que, assim que a medida entrasse em vigor, acorressem a outros mercados a fim de passarem a exercer as actividades nestes.

Entretanto, os vendedores da Mabunda mostram-se descontentes e indignados pelo facto de tal medida romper um ciclo que dura anos e deixar famílias a passar fome, pais endividados e pessoas desempregadas sem terem o que fazer para reverter a situação em que se encontram. Segundo contam, receberam, na última sexta-feira (07), ordens da Administração para se deslocarem à Praia Amélia e lá venderem o peixe, pelo que, no dia seguinte, cumpriram tal ordem.

No entanto, um dia depois, foram surpreendidos por agentes da Polícia Nacional a proibir que vendessem no local indicado pela Administração, porque este, tal como o mercado da Mabunda, não acolhia condições de higiene para os vendedores e tratadores de peixe. Num universo de centenas de armadores e vendedores de peixe, encontram-se pais de família e jovens sem alternativa que não conseguem fazer frente à fome. Alberto Dias, 32 anos, é um jovem armador de peixe e um dos afectados.

O jovem, morador do Caxixiba, município da Samba, é pai de três filhos e diz que estão a ser postos a correr pelos agentes da Polícia que se encontram no mercado. “A Administração está a atrapalhar nossas vendas, há uma semana que está complicado para mim sustentar os meus filhos, porque nós dependemos do peixe. Há quatro anos que sou armador e nunca tinha vivido isso, mas agora o governo vem em cima de nós, e até de senhoras mais velhas”.

Surpresa desagradável

Para os vendedores, a informação de que o mercado seria fechado para realização de obras de organização caiu como um balde de água fria e dizem que tal informação surgiu em má altura e devia ser de conhecimento público com mais tempo de antecedência, para permitir que se organizassem e arranjassem soluções viáveis ou que o Executivo criasse as mesmas condições.

“Ficámos tristes, e pelo que tínhamos em mente e nos foi dito pelo vice-governador, a limpeza duraria dois dias. Depois dessa informação, a administradora, com o responsável pela área da saúde, disse que o mercado vai fechar por um longo período de tempo, que podia ir até seis meses”, afirma Cipriano Wipi, armador no mercado.

Cipriano aponta a forma como a medida do executivo “afectou drasticamente” a vida dos processadores, principalmente a dos rapazes. Depois de tirar as chatas do mar, o jovem recebia um peixe e vendia por 500 ou 700 kwanzas, que servia para comprar um quilo de fuba e tomate, que servia de refeição do dia para a família.

Nos dias mais rentáveis, o jovem podia levar até 5000 kwanzas para a casa. Até às 14 horas do dia da entrevista, Cipriano dizia que, desde manhã, não tinha conseguido sequer um tostão para levar para casa, e horas depois tinha de voltar para a casa, localizada no Zango. Seria, tal como diz, mais um dia “normal” em que chegaria a casa e não teria como responder às súplicas dos dois filhos que clamariam ao progenitor que saciasse a sua fome, sem contar com a mais velha que se encontra doente.

“Agora, eu pergunto-me, se são ordens superiores, por que não nos mostram um lugar certo para fazermos as nossas atividades? Para além da Praia Amélia, não fomos indicados a vender num outro local. Por seu turno, Isabel Soares é vendedora no mercado da Mabunda há 39 anos. Com 50 anos de idade, a veterana tem três filhos, incluindo uma filha na faculdade e um filho autista. Estes filhos são sustentados apenas por ela que se encontra viúva há 11 anos. No mercado, Isabel vendia sal, carvão e peixe (seco e fresco).

Segundo a vendedora, no dia em que tomou conhecimento da medida de encerramento, tinha comprado muito negócio, e isso gerou enormes prejuízos incalculáveis. Por cada bancada, a Administração cobra(va) 1000 kwanzas, ao passo que, para as lonas, recebia, diariamente, 3000 kwanzas de cada comerciante. Isabel diz não entender aonde este dinheiro é investido, se não é usado para a limpeza do mercado.

Apesar de reconhecer o estado crítico em que se encontrava o mercado, a vendedora considera a higiene do(s) mercado(s) responsabilidade da Administração. “A higiene é problema de todos, mas a Administração, por receber dinheiro dos vendedores diariamente, não devia poupar esforços para garantir que o mercado esteja limpo e organizado”.

“Hoje, não tenho dinheiro, não sei onde vou arranjar dinheiro para sustentar a universidade da minha filha e a mensalidade do meu filho autista custa 50.000 kwanzas. Eu sou o pai e mãe em casa e agora não consigo pensar o que vou fazer para dar resposta a essa situação caótica que não sabemos quando se vai resolver.

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