OPaís
Ouça Rádio+
Sáb, 28 Fev 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Angola e União Africana II: Integração e soberania – o dilema das organizações regionais africanas

Jornal Opais por Jornal Opais
21 de Fevereiro, 2025
Em Opinião

No ano passado nos propusemos a publicar neste canal uma série de artigos que visam refletir e contribuir na reflexão sobre a relação de Angola com a União Africana, numa altura em que o país se preparava para assumir pela primeira vez na sua história político-diplomática a presidência rotativa da União Africana.

Poderão também interessar-lhe...

Ambiente, legislação e uma sentida homenagem

Os jovens estão realmente prontos para o mercado de trabalho?

Palavra de honra – Vidas de Ninguém (XIII)

Neste ano, 2025, este desiderato foi almejado e Sua Excelência Presidente João Lourenço é efetivamente presidente desta organização regional e levanta a bandeira de Angola a partir do cadeirão máximo no hemiciclo da organização sobre o olhar de outros Estados.

O texto de hoje pretende um olhar mais introspetivo e aprofundado, na medida em que reflete sobre um dos grandes dilemas vividos na UA, a integração dos Estados e a partilha das suas soberanias.

À luz do realismo, os Estados soberanos são os principais actores no sistema internacional, o exercício da sua soberania permite colocar-se acima de quaisquer poder e instituições no plano interno e em posição de igualdade no plano internacional.

E isto se reflete na acção e na razão do Estado ao decidir, por exemplo, por via da ratificação de acordos, aderir a determinadas organizações internacionais. Essa adesão, dependendo do seu grau, pode gerar uma perda de soberania, na medida em que os Estados abdicam do sua capacidade de deter exclusivamente o poder soberano em detrimento da organização que integram.

No entanto, a integração regional constitui a estratégia para alavancar o desenvolvimento económico, político e social de África desde os tempos póscoloniais.

A criação de organizações regionais, como a União Africana (UA), a Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), etc., reflete o esforço para a promoção da unidade e a superação dos desafios estruturais que dificultam o progresso do continente.

Ademais, essas iniciativas enfrentam o dilema fundamental de qualquer organização supranacional: a necessidade de aprofundar a integração versus a preservação da soberania dos Estados-membros.

Soberania como pilar histórico

A soberania é um conceito profundamente arraigado nas políticas dos Estados africanos. Após décadas de colonização, a independência foi conquistada com grande custo humano e social, o que consolida a ideia do exercício exclusivo da soberania como um garante da autonomia, da ordem, da estabilidade e da identidade nacional.

Os Estados africanos têm sido historicamente cautelosos, mas também contidos, ao cederem poder e soberania às organizações supranacionais, sob pretexto de temer uma nova forma de dependência ou perda de autonomia.

Por exemplo, a UA busca promover políticas continentais unificadas, mas a implementação efectiva muitas vezes é limitada pela relutância dos Estados-membros em abrir mão da sua autoridade em questões sensíveis, como a segurança, o comércio e a governança.

Essa tensão é especialmente evidente em situações de crises políticas, onde a UA frequentemente enfrenta obstáculos para intervir de forma decisiva em conflitos internos dos países-membros.

As actuais dinâmicas no sistema internacional, mais concretamente na Europa onde se vivencia o conflito russo-ucraniano caracterizado, entre outros aspectos, pela incapacidade e ineficácia da União Europeia na gestão e resolução deste conflito, mentam cada vez mais os receios das lideranças africanas quanto ao modelo e o grau de integração a adoptar.

Vale lembrar que a UE é a principal referência de integração política e económica. Aliás, tem-se dito que o principal desafio da UA a nível de integração é evoluir ao mesmo estágio da UE, o que no entendimento de muitos, significará replicar inclusive as dificuldades de gestão e resolução de conflitos, devido à redução das capacidades de actuação unilateral e soberana dos Estados-membros.

A integração como necessidade estratégica

Por outro lado, a integração regional é vista como indispensável e irreversível para enfrentar desafios comuns, como o subdesenvolvimento económico e social, os conflitos armados e a vulnerabilidade face às dinâmicas globais. Ademais, o art.25.* do Acto Constitutivo da UA consagra e destaca “…a integração regional deve ser elevada à condição de prioridade(…)”, ou seja, independentemente da liderança, ela constitui um desafio permanente, que se actualiza e consolida em função dos progressos alcançados. E dado o seu carácter permanente, o Presidente João Lourenço deve reservar alguma atenção nesta matéria durante o exercício do seu mandato.

A Zona de Livre Comércio Continental Africana (AfCFTA) constitui uma oportunidade ao pretender criar o maior bloco comercial do mundo em termos de número de países participantes. No entanto, a implementação plena dessa iniciativa exige harmonização de políticas económicas e alfandegárias, o que depende de concessões significativas por parte dos Estados-membros.

Além disso, questões transnacionais como mudanças climáticas, migração irregular e terrorismo, evidenciam a necessidade de uma acção coordenada que transcende as fronteiras nacionais. Sem essa cooperação, as soluções locais frequentemente se mostram insuficientes ou contraproducentes.

O dilema na prática

O dilema entre integração e soberania se manifesta de forma mais clara nas áreas de segurança e governança. A CEDEAO, por exemplo, foi muito elogiada por suas intervenções em crises políticas, como na Gâmbia em 2017, quando forçou a saída do então presidente Yahya Jameh.

Contudo, essas acções muitas vezes geram críticas sobre a legitimidade de interferências externas, mesmo quando autorizadas por tratados regionais.

Outro exemplo é a UA, que enfrenta desafios para implementar políticas de segurança colectiva, como a Força Africana em Espera (ASF). Enquanto alguns Estados apoiam uma abordagem continental para a resolução de conflitos, outros resistem à ideia de tropas estrangeiras no seu território, mesmo em contextos de crises graves.

O conflito no leste da RDC ajuda a elucidar esse desafio. Neste sentido, é imperativo desconstruir a ideia que se apregoa sobre o atraso no desenvolvimento e na integração regional como resultado das relações desajustadas do continente com forças estrangeiras que procuram influenciar as políticas económicas e as direções dos Estados africanos.

É igualmente necessário promover um ambiente político e estrutural que facilita as aspirações de desenvolvimento e integração com segurança e estabilidade.

Caminhos

Para superar esse dilema, é crucial que as organizações regionais africanas construam confiança mútua entre seus membros e promovam um senso de pertença colectiva respeitando os limites da diversidade étnica, característica do continente. E isto pode ser alcançado por meio de:

1. Governança Inclusiva: ao garantir que as decisões regionais sejam tomadas com base em processos democráticos e transparentes, ao envolver todos os Estados-membros em condições de igualdade.

2. Gradualismo: é necessário priorizar uma integração progressiva e focar em áreas menos sensíveis, como infraestruturas e comércio, antes de abordar questões mais complexas como segurança e governança.

3. Capacitação Institucional: fortalecer as organizações regionais para que possam actuar como mediadoras imparciais, oferecendo garantias aos Estados-membros de que as suas soberanias serão respeitadas.

4. Cultura de Cooperação: investir na educação e na diplomacia cultural para promover uma identidade africana que valorize tanto a diversidade quanto a unidade.

Conclusão O dilema entre integração e soberania nas organizações regionais africanas não é um obstáculo insuperável, mas sim uma característica inerente ao processo de construção de uma África mais unida e resiliente.

Ao equilibrar esses dois princípios, os líderes africanos podem criar estruturas regionais que respeitem as particularidades nacionais ao mesmo tempo que promovem soluções colectivas para os desafios do continente.

A chave está em reconhecer que a soberania não precisa ser um impedimento à integração, mas pode ser um pilar que sustenta uma cooperação regional verdadeiramente africana que respeita os limites da diversidade étnica e da legitimidade política.

 

Por: JULIÃO LOMENHA

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

Ambiente, legislação e uma sentida homenagem

por Jornal OPaís
27 de Fevereiro, 2026

Deputado, Presidente da 10.ª Comissão de Direitos Humanos, Cidadania e Ambiente da Assembleia Nacional) Ainda há poucas semanas tive a...

Ler maisDetails

Os jovens estão realmente prontos para o mercado de trabalho?

por Jornal OPaís
27 de Fevereiro, 2026

Apergunta tornou-se quase um slogan geracional. Mas talvez estejamos a fazer a pergunta errada. A maioria dos jovens não está...

Ler maisDetails

Palavra de honra – Vidas de Ninguém (XIII)

por Domingos Bento
27 de Fevereiro, 2026

«Bruxa, xira, ngapa, feiticeira», abusavam os miúdos no bairro que ela ajudou a erguer quando, ainda jovem, na casa dos...

Ler maisDetails

Quando o desporto constrói a Nação

por Jornal OPaís
27 de Fevereiro, 2026

Quem cresceu em Angola, sobretudo nas décadas marcadas pela incerteza e pelas cicatrizes da guerra, sabe bem o que significa...

Ler maisDetails

Porto do Lobito inicia obras de dragagem do cais para receber navios de grande porte

27 de Fevereiro, 2026

Angola e Estados Unidos reforçam intercâmbio cultural

27 de Fevereiro, 2026

Ravina corta circulação na Estrada Nacional 160 no Uíge

27 de Fevereiro, 2026

Soltura de cidadão português acusado de abuso sexual diverge procuradores no Lubango

27 de Fevereiro, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.