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Com 48 anos de existência: Museu Nacional de Antropologia carece de técnicos e condições para conservação do acervo

Fundado em 1976, o Museu Nacional de Antropologia foi a primeira instituição museológica criada em Angola, após a independência. Actualmente, a instituição debate-se com inúmeras dificuldades no exercício de suas actividades, entre elas a carência de técnicos especializados, a falta de meio de transporte de apoio aos trabalhos e o número de funcionários, que é consideravelmente insuficiente para atender à demanda de visitas e outras necessidades

Bernardo Pires por Bernardo Pires
6 de Dezembro, 2024
Em Cultura, Em Cartaz

Situado no bairro dos Coqueiros, na cidade alta da capital Luanda, ao longo dos 48 anos de existência, a instituição vem se afirmando como um espaço de unidade nacional, promoção, valorização, pesquisa e preservação dos elementos culturais dos diversos povos que compõem o mosaico cultural do país.

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Em declarações à equipa de reportagem do Jornal OPAÍS, o director do Museu, Álvaro Jorge, falou das valências, desafios e dificuldades que a instituição tem enfrentado no exercício das suas actividades, bem como os projectos e acções futuras programadas para os próximos anos.

Apesar do seu vasto período de existência, que se reflecte no contributo que tem dado na preservação e conservação das raízes histórico culturais dos povos, sobretudo no que diz respeito à recolha e preservação de elementos mateiais, o Museu Nacional de Antropologia há anos que se vê limitado a desenvolver os seus trabalhos devido à falta de transporte e técnicos especializados.

Conforme o director, a instituição

não dispõe de se quer uma viatura para servir de apoio aos trabalhos de pesquisa, colheita de dados ou de recolha de peças para o acervo. Fez saber que as actividades de campo são feitas com recurso a transportes pessoais dos funcionários ou até mesmo com aluguer de táxis que, muitas das vezes, chega a ser dispendioso para a instituição, sendo que a mesma não possui fundo de manejo nem foi concebida para arrecadar receitas.

Carência de técnicos especializados

Já no que diz respeito aos quadros especializados, adiantou que o museu dispõe de um número de funcionários muito reduzido, carecendo, sobretudo, de técnicos especializados, desde linguistas, sociólogos, antropólogos, historiadores, entre outros, para o controlo e preservação das milhares de peças e objectos que compõem o acervo.

“Temos insuficiência de recursos humanos em determinadas áreas, se não mesmo no seu todo. Precisamos de educadores culturais, de guias, de antropólogos, historiadores e uma série de especialistas que é para reforçar a equipa de trabalho que são poucos”, adiantou o responsável.

Segundo o director, o museu conta actualmente com poucos quadros qualificados, ou seja, apenas seis técnicos superiores, dando conta da existência de departamentos sem nenhum técnico especializado, situação que dificulta a articulação de distintas actividades, sobretudo no campo da pesquisa.

Fez saber que o número de funcionários está abaixo do recomendável, o que limita a capacidade de trabalho, assim como a qualidade dos resultados das acções que são desenvolvidas pelo museu.

De acordo com o mesmo, para melhor desempenhar as suas funções, o museu precisa ser reforçado com equipamentos e sobretudo com quadros especializados.

Precisa, no mínimo, de um reforço de mais 25 funcionários para dar resposta àquilo que são as exigências e as necessidades das actividades desenvolvidas pela instituição.

“O museu dispõe de um total de 20 funcionários, desde equipa administrativa, pessoal de limpeza, a técnicos especializados. Um número muito aquém daquilo que é o estipulado pelo nosso estatuto orgânico, que prevê um mínimo de 45 funcionários face à dimensão do museu e os trabalhos que aqui são desenvolvidos”, reportou.

Mais de 6 mil objectos em risco por falta de climatização nas salas

Além da carência de técnicos especializados, o director manifestou também a situação das salas de exposição que, a maioria, não têm climatização, o que coloca em risco o acervo do museu, que a esta altura conta com um stock em torno de seis mil peças, de várias origens e especificidade cultural.

Segundo explicou, existem objectos que não podem absolver calor nem humidade sob risco de ficarem degradados e decomporem-se, por esta razão, considera indispensável que as salas de exposição estejam devidamente equipadas com materiais adequados de climatização e iluminação.

“Há determinadas matérias ou peças, como por exemplo fibras vegetais, a madeira, são materiais que, com o calor e a humidade, têm um impacto negativo na conservação do mesmo, daí a necessidade das salas estarem devidamente equipadas”, explicou Álvaro Jorge.

O responsável entende que, até certo ponto, algumas limitações que o museu apresenta devem-se ao facto de estar a funcionar num espaço adaptado, ou seja, numa infraestrutura que não foi concebida para este efeito, além de ser um palácio já muito antigo, construído na era colonial.

A par dos aspectos climatéricos das salas, algumas partes da infraestrutura do museu encontram-se degradadas, carecendo de intervenção, uma situação que o director garantiu já ser de domínio do Ministério da Cultura, que já está a tratar do assunto.

Segundo informou, há já uma empresa de construção que está a fazer levantamento dos dados e posteriormente arrancar com a empreitada de reestruturação das referidas parte, embora ainda sem data de início da empreitada.

Limitação do número de visitas

Devido ao reduzido número de funcionários e às condições climatéricas das salas, Álvaro Jorge explicou que a sua equipa tem optado por estratégias de limitação do número de visitantes para que consigam fazer o acompanhamento a cada indivíduo ou grupos que decidam visitar o museu.

Detalhou que, geralmente, tendo em conta também, o tamanho das salas de exposição, que não cabem muita gente em simultâneo, temse optado por selecionar pequenos grupos, repartidos em menos de 20 pessoas, para entrar ao museu e visitar as respectivas salas, enquanto outros tendem a ficar no pátio ou noutros compartimentos a aguardar por causa do espaço que é limitado.

“Tendo em conta que o museu funciona num espaço adaptado e visto que as salas são pequenas e apertadas, urge para nós fazermos uma gestão adequada sobre quantas pessoas podem caber nas salas, em simultâneo, para evitar transtornos ou situações constrangedoras”, justificou o director. Ressaltou que, em média, o museu chega a receber entre 300 a 500 pessoas por semana, sendo a maioria alunos do ensino geral.

Falta de parque de estacionamento inibe visitantes

Por estar situado no centro da cidade, numa área repleta de inúmeras infraestruturas e instalações empresariais e ministeriais, o Museu de Antropologia recepciona dezenas de visitantes que se fazem acompanhar de suas viaturas, mas debatem-se com a falta de espaço para estacioná-las.

Para o director, a falta de um parque de estacionamento é a primeira e a mais visível barreira com que os visitantes se deparam logo ao chegar ao museu. Relatou que há casos em que os visitantes, sobretudo turistas, desistem de visitar o museu por não encontrarem espaços para colocar as suas viaturas, sob receio de serem furtados os pertences no interior ou riscadas as viaturas quando colocadas na via pública.

Desde a sua gênese, o Museu tem se assumido como uma instituição de carácter científico, cultural e educativo, vocacionada à recolha, investigação, conservação, valorização e divulgação do património cultural nacional através dos registos e arquivos (peças e objectos históricoculturais) existentes na sua galeria.

Álvaro Jorge destacou o papel da sua instituição na preservação da história e das raízes culturais da Nação, tendo sublinhado que a função dos museus é de fazer com que as futuras gerações conheçam a história através do contacto directo com as peças e artefactos expostos nos acervos museológicos.

Considerou que as peças não são feitas apenas para a actual geração nem para a geração dos nossos antepassados, mas que “os objectos devem ser preservados para contar a nossa história às futuras gerações” e que, para tal, “precisam de ser devidamente conservados”.

Apoio à pesquisa e investigação científica

Álvaro Jorge ressaltou que, enquanto instituições de preservação e valorização da cultura, os museus desempenham um papel indispensável no desenvolvimento cultural do país, e a sua instituição se destaca com particularidade por conciliar as componentes culturais, históricas e científico-pedagógicas. “Além da componente histórica e cultural, ele serve também de fonte de pesquisa científica para os estudantes e não só, sobre a origem dos nossos povos, suas raízes culturais e suas vivências”, explicou o responsável.

Composto de áreas como museografia e restauro, animação, educação cultural e investigação, o museu de antropologia conta com 14 salas distribuídas por dois andares que abrigam peças tradicionais, designadamente utensílios agrícolas, de caça e pesca, fundição do ferro, instrumentos musicais, joias, peças de pano feitas de casca de árvore e fotografias dos povos khoisan.

Projectos Futuros

Entre os projectos programados para os próximos anos, de acordo com o director, consta a iniciativa de parcerias que visam aumentar a visibilidade do museu e atrair cada vez mais visitantes.

Neste quesito, Álvaro Jorge adiantou que o museu está a trabalhar com várias empresas privadas que vêm realizando actividades no pátio com o intuito de incitar o público a visitar o espaço e se interessar pelo acervo ali exposto.

Entre as actividades destaca-se a “Feira de Gastronomia e Cultura” que se realiza no pátio do museu, bimensalmente, com o objectivo de acolher cerca de centena de pessoas, de todas as faixas etárias, com o propósito de estimular o hábito e interesse das pessoas em visitar aquela instituição museológica.

Além de atrair visitantes, a iniciativa visa também arrecadar fundos, com a venda de ingressos e bens alimentares, para a manutenção dos serviços mínimos do referido espaço museológico.

“O museu não pode ser um espaço de silêncio e isolamento, o museu deve realizar actividades para dinamizar o público e por isso abraçamos esta iniciativa de acolher eventos aqui no nosso pátio, que por sinal tem tido impacto positivo”, ressaltou o director.

Parceria com agências de viagens

Outra iniciativa que o museu vem abraçando, com o objectivo de atrair visitantes, especialmente turistas (nacionais e estrangeiros), é de parceria com agências de viagens que, regularmente, vão trazendo dezenas de pessoas para conhecer o museu e aprender um pouco sobre a história de Angola.

A iniciativa, de acordo com o director, é resultante de uma parceria entre o museu e a agência Travel, que tem dado algum dinamismo no fluxo de visitas ao museu, trazendo vários turistas, sobretudo cidadãos estrangeiros que visitam Luanda pela primeira vez.

Adiantou que o museu vai dar continuidade a estes projectos e lançar outros que, até ao momento, ainda estão a ser devidamente estruturados e, a partir de Janeiro do próximo ano, já estarão prontos para serem divulgados com detalhes.

Bernardo Pires

Bernardo Pires

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