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Funcionamento do Aeroporto Internacional António Agostinho Neto impõe desafios e tarifas ajustadas aos táxis colectivos

A operação de táxis colectivos para o novo Aeroporto Internacional Doutor António Agostinho Neto (AIAAN), situado em Icolo e Bengo, trouxe consigo desafios logísticos e ajustes tarifários

Jornal Opais por Jornal Opais
22 de Novembro, 2024
Em Economia

O presidente da Associação dos Taxistas, Francisco Paciente, defende um período de transição e organização para atender à nova realidade sem prejudicar os passageiros.

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A entrada em funcionamento do novo Aeroporto Internacional de Luanda, em Icolo e Bengo, está a alterar a dinâmica dos serviços de táxis colectivos, popularmente conhecidos como “azuis e branco”.

Francisco Paciente reconhece os desafios impostos pela distância e pela falta de estrutura adequada, mas acredita que uma transição gradual pode minimizar os impactos para passageiros e profissionais do sector.

“Propusemos ao Gabinete Provincial de Transportes que, durante um período de seis meses a um ano, os taxistas continuem a tratar das suas licenças e políticas de transporte em Luanda, enquanto se organiza a operação em Icolo e Bengo. Esse processo precisa ser feito de forma gradual para garantir que todos se adaptem à nova realidade”, afirmou. Actualmente, a tarifa padrão dos táxis colectivos é de 200 kwanzas para percursos de até 16 km.

No entanto, para trajectos maiores, como os que conectam o aeroporto ao centro de Luanda, o valor pode ser ajustado. “Nos casos em que a distância ultrapassa 16 km, cobramos 200 kwanzas adicionais, sempre respeitando a legislação em vigor e sem prejudicar os passageiros”, explicou Paciente.

O presidente também lamentou a ausência de uma praça de táxis oficial no novo aeroporto, o que dificulta a organização das rotas e o atendimento aos passageiros. “Estamos à espera que a administração pública indique espaços específicos para as paragens de táxis.

Quando isso ocorrer, será possível estabelecer rotas para zonas como Primeiro de Maio, Cacuaco e outras localidades de forma mais clara e estruturada”, detalhou.

Actualmente, os passageiros que utilizam o transporte colectivo para o aeroporto precisam realizar um transbordo. “As pessoas apanham táxis de Viana até ao quilómetro 30, e daí seguem em táxis locais até ao aeroporto. É uma solução provisória, mas que precisa ser melhorada com urgência”, destacou Paciente.

Papel cumprido Apesar das limitações, o presidente garantiu que os taxistas têm cumprido o seu papel, assegurando o transporte de passageiros com o máximo de eficiência possível.

Ele reiterou que a associação está comprometida em acompanhar as mudanças e ajustar as operações conforme as necessidades e os espaços designados pelas autoridades competentes.

Impactos económicos e logísticos nos transportes

O economista Marlino Sambongue apontou que a inauguração do Aeroporto Internacional Dr. António Agostinho Neto representa um marco estratégico para o sistema de transporte intermodal em Angola.

“A localização em Icolo e Bengo possibilita um modelo eficiente de conectividade entre diferentes meios de transporte, como comboios, autocarros e táxis”, referenciou.

Com um hub de transporte bem planeado, onde a troca de modal seja simples e coordenada, podemos oferecer mais conforto aos passageiros e, ao mesmo tempo, dinamizar os serviços de transporte público e privado”, afirmou. Sambongue enfatizou que este dinamismo pode ser maximizado com a criação de um sistema de bilhética integrado.

“Um único bilhete que permita ao passageiro transitar entre diferentes modais, aliado à sincronização dos horários dos voos com os transportes terrestres, reduzirá o tempo de espera e tornará o processo mais conveniente”, aconselhou. Além disso, investir numa plataforma digital ou aplicativo móvel com informações em tempo real sobre horários e disponibilidade de assentos pode melhorar significativamente a experiência do usuário”, recomendou.

O economista também destacou a importância de investimentos em infra-estrutura e serviços complementares. “Melhorias nas linhas ferroviárias, aumento da frequência dos autocarros e criação de rotas dedicadas ao aeroporto são cruciais para atender à demanda crescente”.

Além disso, a construção de pontos de apoio, como estações de serviço e áreas de estacionamento, com facilidades para bagagem e conexão Wi-Fi, abrirão oportunidades para novos negócios e geração de emprego”, analisou.

Para Sambongue, campanhas de sensibilização sobre os benefícios do transporte público também são indispensáveis, especialmente para combater problemas como vandalismo. “Precisamos aumentar a percepção pública sobre a segurança e conveniência do transporte colectivo.

Incentivos tarifários e sistemas de controlo em tempo real também são soluções para ajustar a oferta e garantir a qualidade do serviço prestado”, concluiu. Por sua vez, o economista Janísio Salomão sublinhou o impacto do novo aeroporto na dinamização do sector de transportes.

“O aumento do fluxo de passageiros demandará a expansão das operações das empresas de transporte, tanto público quanto privado, como o Caminho-de-Ferro de Luanda (CFL) e os serviços de táxi e autocarros. Isso criará uma cadeia positiva de geração de empregos e oportunidades de pequenos negócios para atender às novas necessidades logísticas”, explicou. Salomão destacou ainda que a conectividade aprimorada poderá beneficiar directamente o comércio local e os serviços turísticos.

“Com o crescimento do tráfego de passageiros, haverá um aumento da procura por hotéis, agências de viagens e serviços de apoio ao turismo. Pequenos empreendedores terão a oportunidade de fornecer produtos e serviços para os passageiros, dinamizando a economia local”, afirmou.

Impacto das receitas nas empresas de transportes e nas finanças públicas

O economista Eduardo Manuel acrescentou que o novo aeroporto pode gerar um impacto profundo nas receitas das empresas de transporte e nas finanças públicas.

“A maior solicitação de serviços de transporte público e privado vai aumentar as receitas dessas empresas, ao mesmo tempo em que eleva a arrecadação fiscal.

Além disso, o movimento de passageiros poderá impulsionar outros sectores, como hotelaria, comércio e serviços relacionados, beneficiando toda a cadeia económica”, argumentou. Manuel destacou a necessidade de as empresas se adaptarem às novas exigências do mercado.

“O aumento do fluxo de passageiros tornará o sector mais competitivo, forçando as empresas a melhorarem a qualidade dos serviços e a adoptarem preços acessíveis para atrair clientes.

A diversificação dos serviços, como passeios turísticos e acordos de cooperação com hotéis, pode abrir novos nichos de mercado e fortalecer o sector”, explicou. Ressaltou também o potencial para atrair investimentos adicionais.

“A maior movimentação de passageiros pode atrair empresas de serviços financeiros, como emissores de cartões de crédito, e incentivar melhorias na infra-estrutura de transporte, tanto em Luanda quanto em províncias vizinhas.

A exigência crescente por qualidade e inovação trará dinamismo ao sector”, afirmou. Por fim, Manuel recomendou que os investimentos sejam acompanhados de políticas claras para garantir que a competitividade seja equilibrada e os benefícios sejam partilhados.

“Este é um momento chave para alinhar esforços públicos e privados, assegurando que o novo aeroporto se torne um motor de crescimento económico, ao mesmo tempo que melhore a mobilidade e a experiência dos passageiros”, finalizou.

 

Por: Francisca Parente

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