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Legalização do PRA-JA vai agitar o cenário político angolano, afirma constitucionalista

A legalização, ontem, do PRA-JA Servir Angola, formação política de Abel Chivukuvuku, trará importantes mudanças no panorama político angolano, segundo o constitucionalista Albano Pedro, em declarações ao OPAÍS. Para o especialista, o novo partido precisa, agora, passar por um processo de reorganização interna, convocar um congresso para legitimar os seus órgãos directivos

João Feliciano por João Feliciano
10 de Outubro, 2024
Em Política

“O passo seguinte é o partido ter que convocar o órgão máximo para eleger a sua direcção, pois, até agora, não havia estrutura formal estabelecida”, explicou.

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De acordo com Albano Pedro, a legalização pode provocar alterações nos acordos internos firmados anteriormente entre Chivukuvuku e seus seguidores. “Os arranjos feitos antes da legalização podem mudar, pois agora é um momento de distribuição de cargos e formalização das estruturas”, destacou.

Aliás, indicou ainda que, apesar de a liderança poder ser mantida, é comum que as alianças ao redor do líder sofram modificações quando se inicia a fase de formalização de um partido recém-criado.

O constitucionalista analisou também o impacto da legalização do PRA-JA no contexto da oposição que, segundo ele, o novo partido representa “um enterro formal da CASA-CE”, que, até então, procurava firmar-se como uma terceira força política intramuros. “A CASA-CE resistia porque não havia certeza de uma alternativa consolidada.

Com o PRA-JA, a relevância daquela coligação como força política diminui drasticamente”, argumentou. Para Albano Pedro, a presença do PRAJA poderá ainda criar ‘atritos’ dentro da Frente Patriótica Unida (FPU), aliança que inclui, para além da UNITA, sua proponente, o Bloco Democrático (BD). “A FPU, como está actualmente, não se configura como uma coligação formal.

Fala-se de FPU, mas, na prática, é a UNITA que predomina. Com o PRAJA, essa configuração pode tornar-se insustentável”, alertou.

Nesse sentido, Albano Pedro vê dois cenários possíveis: ou a FPU se reestrutura para acomodar formalmente o PRA-JA, ou o novo partido avançará de forma independente. Na visão do especialista, o surgimento da “turma de Chivukuvuku” poderia, paradoxalmente, beneficiar o partido no poder (MPLA).

“A fragmentação do voto oposicionista já foi usada no passado para dispersar o apoio à UNITA. Apesar de o PRA-JA não ser ideal para o MPLA, é visto como um ‘mal menor’ diante da possibilidade de uma oposição unida”, notou.

Em resumo, disse, a legalização do PRA-JA Servir Angola vai alterar o equilíbrio político em Angola e pressionar tanto a oposição quanto o partido no poder a reconsiderarem as suas estratégias para as próximas eleições. Terminou alertando que o surgimento de novos partidos e a redefinição de alianças serão tendências a se acompanhar nos próximos meses.

Trajectória

O PRA-JA Servir Angola recebeu o despacho de anotação do Tribunal Constitucional (TC), ontem, permitindo ao então projecto de Abel Chivukuvuku transformar-se em partido político. A decisão põe, assim, fim a um processo que se arrastava desde 2019, ano da apresentação do projecto, que acabou por ser rejeitado em 2020 pelo Tribunal, obrigando a esperar quatro anos para nova tentativa de legalização.

Em Setembro, a comissão instaladora do PRA-JA Servir Angola submeteu ao Tribunal Constitucional (TC) um novo processo de legalização, com oito mil declarações de aceitação, mais 500 do que as exigidas por lei.

Este projecto foi apresentado à sociedade em 2019 por Abel Chivukuvuku, que foi membro da UNITA, maior partido da oposição em Angola, entre 1974 e 2012, altura em que assumiu a liderança da CASA-CE, uma coligação de partidos políticos que concorreu às eleições daquele mesmo ano, e na qual permaneceu até 2019.

O PRA-JA Servir Angola é o segundo partido legalizado este ano, depois do Partido Iniciativa de Cidadania para o Desenvolvimento de Angola, passando o panorama político angolano a contar com 13 formações políticas.

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