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Praga da lagarta ameaça destruir produção de tomate no Perímetro irrigado da Matala

Os camponeses que exploram o Perímetro irrigado da Matala, na província da Huíla, clamam por mais apoios do Governo, porque alegam que é quase impossível combater esta praga por meio da pulverização

Jornal Opais por Jornal Opais
7 de Junho, 2024
Em Economia

A produção de tomate no Perímetro irrigado da Matala pode estar comprometida devido à praga da lagarta subterrânea, que ataca a raiz da planta, comprometendo o seu pleno desenvolvimento.

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Domingos Serviço, um dos produtores de tomate no perímetro, disse que a praga da lagarta subterrânea está a ameaçar a lavoura, já que as mesmas afectam a raiz e o caule do tomateiro, comprometendo, desta forma, a colheita desta hortícola.

“Nós estamos com alguns problemas de uma praga de lagar- tas. Não é uma lagarta que pode ser vista em cima da planta, é uma lagarta que ataca a raiz e o caule da planta, o que torna impossível combater esta praga por via da pulverização. É necessário que se use um produto denominado furagan”, afirmou.

Segundo o produtor de toma- te, que está a ensaiar uma nova técnica de cultivo de tomate no município, que consiste no sistema de irrigação gota-a-gota, este produto denominado furagan não existe no mercado nacional para contrapor a acção da praga na plantação, sendo que a solução encontrada é fazer recurso ao método rudimentar com recurso à cinza.

“Nós informamos as autoridades administrativas do nosso município sobre a existência desta praga nas nossas culturas, estiveram cá e levaram algumas amostras das lagartas subterrâneas, porém não deram nenhuma garantia sobre a aquisição deste produto para o seu combate.

Antigamente, comprávamos o mesmo produto no Namibe, fomos a esta província, mas, infelizmente, também já não existe”, revelou. Por seu lado, Domingos Justo Job, que trabalha em cinco hectares no perímetro, disse que a previsão de colheita para o tomate é de 400 caixas do produto, porém este número pode não ser atingi- do por conta da praga de lagarta subterrânea.

“Aqui nós calculamos a colheita em caixas por hectares. Do meio hectar que nós plantamos de tomate, prevemos colher cerca de 400 a 500 caixas de tomate, mas este número pode não ser atingi- do por causa da praga da lagarta subterrânea que é a mais difícil de combater, porque ela não está na superfície que pode ser combati- da por via de pulverização”, disse

Degradação das estradas impede aumento da produção

Conforme os camponeses que trabalham neste Perímetro Irrigado, os preços com que são adquiridos, particularmente os fertilizantes, têm estado a encarecer o produto final ao consumidor. Isabel António, de 42 anos de idade, que explora cinco hectares de terra arável com a produção de batata-rena, cebola, alho e toma- te, disse que, para as zonas preparadas para lavoura na presente época agrícola, são necessárias três dezenas de sacos de adubo e amónio.

A interlocutora informou que o preço dos fertilizantes no mercado local não são os mais simpáticos, e que influenciam no preço final dos bens produzidos, sobretudo para o consumidor final que já não tem um poder de compra saudável. “Os preços estão puxados, quer de sementes, quer de fertilizantes.

Nós estamos a comprar, por exemplo, um saco de adubo ao preço de 35 mil kwanzas, ao passo que o amónio está no valor de 18 mil”, disse, acrescentando que, para os cinco hectares que tem, precisa de pelo menos 35 sacos de adubo e 20 sacos de amónio. Isso, refere, deixa a produção muito cara, por isso pedem que o Governo olhe para a necessidade de apoio à actividade, “porque nós temos força e terreno para trabalhar”, disse.

A também membro da Cooperativa 1.º de Maio disse que outra dificuldade que preocupa as mulheres e homens do campo no Perímetro Irrigado da Matala prende-se com a deterioração das electrobombas e tubagem que facilitam a irrigação dos campos.

Por outro lado, Isabel António disse que as más condições da estrada que liga os campos agrícolas à sede do município da Matala para os grandes centros comerciais da província e do país, de uma for- ma geral, faz com que haja poucas famílias envolvidas na produção agrícola.

Para transportação da mercadoria produzida, com destaque para a batata-rena e a cebola, cuja colheita está prevista para o próximo mês de Agosto, o frete varia de 200 a 250 mil kwanzas, o que tem sido prejudicial para os produtores.

“Ouvimos que o Governo está a desenvolver um projecto de atribuição de camiões através do Programa Integrado de Desenvolvimento do Comércio Rural (PID- CR), mas este programa não se faz sentir aqui”, sublinhou.

Os camponeses reclamam que estão a gastar muito no escoamento da produção para o Lubango e solicitam que também lhes seja fornecida uma carrinha para facilitar no processo de escoamento e contribuir para que o produto final não chegue ao consumidor num preço muito alto.

O Perímetro da Matala possui um Canal de Irrigação com uma extensão de 42,6 quilómetros, uma área produtiva de 6 mil e 831 hectares de terras aráveis, explorados por sete cooperativas agrícolas, entre as quais se destaca a Cooperativa 1º de Maio. Esta Cooperativa explora um total de mil e 600 hectares, nos quais são o milho, feijão, batata- rena, cebola, alho e diversas hortícolas são as principais culturas, cujas sementes já começaram a ser lançadas à terra.

No que toca à produção de mi- lho, foram colhidas um total de dois mil e 600 toneladas de milho e feijão. Entretanto, estes produtos estão a ser comercializados a preços baixos por falta de escoamento, causada pelas péssimas condições em que se encontra a estrada que liga a Comuna do Capelongo à sede municipal da Matala.

“Esperamos que se trabalhe na reabilitação da estrada que liga a comuna de Capelongo passando pelo Frechiel, porque as condições em que se encontra a estrada constitui um constrangimento para nós os produtores, porque os comerciantes não chegam por conta das péssimas condições em que a mesma se encontra”, apelou.

Os comerciantes recusam-se a chegar aos locais de produção, porque os seus carros podem voltar partidos, uma situação que pode ser alterada se se reabilitar os 25 quilómetros degradaddos.

Fonte: POR:João Katombela, na Huíla
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