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Sindicato e Ordem defendem construção de novos hospitais alinhada à humanização da saúde

Domingos Bento por Domingos Bento
16 de Fevereiro, 2024
Em Sem Categoria

As duas organizações de defesa dos profissionais de saúde alertam que não basta apenas construir mais unidades hospitalares. Defendem que haja um esforço no sentido de elevar a humanização nas prioridades da assistência médica. Já o Executivo aponta, para a além da construção, a aposta na formação de quadros como dos eixos prioritários no sector

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O Sindicato dos Enfermeiros e a Ordem dos Médicos advogam a necessidade de a construção de novos hospitais, anunciada, recentemente, pelo Executivo, estar alinhada à humanização dos serviços de saúde, que é dos grandes desafios que o país enfrenta.

No início desta semana, em que se comemorou o Dia Mundial do Doente, a ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, deu a “boa nova” ao país sobre a inauguração, em Maio próximo, dos Hospitais Gerais de Viana e do Sequele, este último no município de Cacuaco, o que, na sua visão, vai descongestionar a afluência de pacientes na rede terciária, como o Américo Boa Vida e o Josina Machel.

Quanto ao estado físico, as obras de construção do Hospital Geral do Sequele (HGS), no município de Cacuaco, encontram-se a 88,15% de execução física e financeira.

Iniciadas em Novembro de 2021 e com um prazo de 36 meses, as obras do HGS vão custar ao Estado 139 milhões e 216 mil euros.

O alerta de alinhamento

Entretanto, as duas organizações de defesa dos profissionais de saúde, que lidam no dia-a-dia com doentes, alertam que não basta apenas construir mais unidades hospitalares.

É preciso, defendem, que haja um esforço do Executivo no sentido de elevar a humanização nas prioridades da assistência médica aos pacientes que acorrem aos hospitais públicos.

O secretário-geral do Sindicato dos Técnicos de Enfermagem de Luanda, Afonso Quileba, disse que o país já dispõe de número considerável de unidades hospitalares.

Contudo, frisou, o que está a faltar é a componente técnica, quer em termos de recursos humanos quer materiais, factores que, frisou, vêm anulando o passo para o efectivo processo de humanização.

Conforme referiu, a grande maioria dos hospitais públicos do país não dispõem de condições adequadas para tratamento completo dos pacientes que lá acorrem, o que compromete a uma assistência humanizada por parte dos técnicos em serviço que, muitas vezes, trabalham sem as ferramentas necessárias.

“A olhar por todo esse quadro, a construção de hospitais ainda não reflecte a humanização.

O que reflecte a humanização são as condições que o Estado coloca à disposição das populações e dos profissionais para que estes estejam mais próximos aos utentes”, apontou.

Para Afonso Quileba, só se vai atingir os níveis de humanização quando a componente condições de trabalho, o respeito e formação dos profissionais estarem alinhados. “Esses elementos andam sempre juntos”, alertou.

Desconstruir paradigmas

O secretário-geral do Sindicato dos Enfermeiros entende ainda que a melhoria da assistência sanitária às populações não passa pela construção de grandes hospitais.

Passa, frisou, fundamentalmente pela aposta séria na criação da rede primária, que é a base da assistência médica.

“Por isso é que nós chamamos a atenção de que, para que haja um melhor atendimento da população, não passa pela construção de grandes hospitais.

É a apostar na rede primária que deve ser o baluarte da assistência à população”, defendeu.

Aposta na prevenção para evitar fluxo

Outrossim, Afonso Quileba defendeu a necessidade de uma aposta séria nas questões preventivas para evitar o fluxo de população à porta dos hospitais, quer seja a nivel da rede primária como da terciária.

Referiu que muitas das doenças que vão parar aos grandes hospitais derivam da falta de aposta na prevenção, o que leva ao seu agravamento, culminando assim com as grandes enchentes à porta das unidades hospitalares.

A título de exemplo, o sindicalista apontou as anemias, doenças diarreicas agudas, malária, tuberculose e outras patologias. “Se apostarmos na prevenção e combate à pobreza, vamos perceber que muitas patologias vão reduzir.

Porque a grande maioria das doenças que vão parar aos hospitais resultam da pobreza que as famílias vivem”, lamentou.

Formação contínua

Noutra abordagem, Afonso Quileba alertou para a necessidade de continuidade de formação dos quadros e profissionais de saúde para conseguirem dar respostas aos desafios postos à sua disposição.

Lamentou o facto de o Executivo, em muitos casos, constituir hospitais mas não formar adequadamente os técnicos para a gestão e manuseamento dos equipamentos postos nestas unidades.

“Como resultado, é que vemos, em muitos hospitais, máquinas a danificarem sem terem sido usadas por falta de profissionais especializados”, notou.

“Ajustar aos desafios”

Por seu lado Nivaldo Manuel, representante regional da Ordem dos Médicos, entende que tanto a reabilitação como a construção de novos hospitais representam um ganho para as populações, o que vai acabar por diminuir as grandes enchentes.

Contudo, o médico converge na ideia de que este processo de reabilitação e construção deve estar alinhado às políticas públicas de humanização.

Conforme referiu, o surgimento destas unidades deve estar ajustado com as necessidades de darem respostas às preocupações de saúde, sobretudo com o tratamento das doenças mais resistentes.

Nivaldo Manuel disse haver um aumento da população em todo o território nacional, pelo que os serviços de saúde devem acompanhar essa dinâmica com a prestação de uma assistência humanizada. “A população está a crescer e as patologias também estão.

Há cada vez mais uma certa resistência das novas patologias. Então é fundamental que os hospitais estejam à altura de dar respostas”, apontou.

Resgatar a credibilidade

Nivaldo Manuel defendeu, por outro lado, que a construção 

dessas grandes unidades públicas hospitalares ajuda no resgate da credibilidade da assistência médica no país que, durante anos, foi muito manchada devido à ausência de uma aposta séria no sector primário.

“Precisamos começar a primar pela assistência primária, que tem a ver com os postos e centros de saúde.

Devese dar uma abertura maior para evitar essas confluências de pacientes a nível dos hospitais de grande referência”, apelou.

No seu entender, é preciso dar todo o apoio aos hospitais a nível das comunidades para que estes consigam dar respostas às necessidades e consequentemente diminuir as bichas nos hospitais maiores.

Executivo aposta na formação de 20 mil técnicos para reforçar humanização e assistência até 2027

Para além do quadro de reabilitação e construção de mais unidades, o Executivo pretende, igualmente, dar um salto qualitativo na componente formativa, o que, na visão da ministra da Saúde, Sílvia Lutucuta, vai reforçar a humanização.

Recentemente, a titular da pasta da Saúde anunciou que Angola pretende formar, até 2027, vinte mil profissionais de saúde, com destaque para três mil médicos especialistas e nove mil enfermeiros.

Do pessoal constam nove mil técnicos de diagnóstico e terapeutas, três mil técnicos de apoio hospitalar, além do pessoal do regime geral.

Segundo a governante, o programa faz parte do plano nacional de formação de especialistas do sector da saúde, que poderá contar com a cooperação do Brasil.

Sílvia Lutucuta deu ainda conta de que se continuará a trabalhar nos projectos de VIH/Sida, reforço da vigilância epidemiológica e laboratorial, apoio no combate às doenças negligenciadas e nos programas de assistência integrada nas doenças de infância, saúde comunitária, entre outras áreas da saúde.

Novos hospitais em quase todo o país

Recorde-se igualmente que o Presidente da República, João Lourenço, anunciou a construção de mais unidades sanitárias na província de Luanda e no país, nomeadamente os hospitais de Oftalmologia, no Kilamba, de Oncologia, nas imediações do Hospital Cardio-Pulmonar Cardeal Dom Alexandre do Nascimento, e de Traumatizados, novas infra-estruturas de especialidade que vão garantir mais serviços e melhor atendimento às populações.

João Lourenço garantiu que as obras no sector da saúde vão continuar, e que o financiamento está acautelado, apesar da actual conjuntura financeira do país.

“Para a saúde, vai haver sempre dinheiro. Ainda temos muitas unidades por construir a nível do país. Vamos começar outros hospitais, o da Catumbela, Bailundo, Dundo, Malanje e muitas outras unidades que ainda estão por chegar.

Para estas unidades, fiquem descansados, haverá recursos”, garantiu. João Lourenço justifica a construção de um hospital de Traumatizados em função do número de acidentes rodoviários que têm provocado muitos traumas, principalmente no seio da camada juvenil.

Ainda no quadro do investimento que o Governo tem feito no sector da saúde, o Presidente João Lourenço adiantou a conclusão dos hospitais do Sumbe, na província do Cuanza-Sul, de Ndalatando, no Cuanza-Norte, de Mbanza Kongo, no Zaire, e em Ondjiva, no Cunene.

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