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Negócio dos PTs perdura nos bairros sob suspeitas na autorização de comercialização de energia eléctrica

Jornal Opais por Jornal Opais
24 de Novembro, 2023
Em Sem Categoria

Embora nenhum dos actores consiga provar a autorização para distribuir e cobrar renda de energia eléctrica, o negócio prospera sob o olhar impávido das autoridades do sector

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As conhecidas em- presas de distribuição de energia eléctrica Electro-Luís e MJ, respectivamente, localizadas nos bairros Mundial e 28 de Agosto, todas no município de Belas, em Luanda, destacam-se, entre outras, das zonas de Obama, Boa Esperança e Macuia, pelo facto de possuírem mais de uma centena de clientes, conforme atestaram alguns moradores dos referidos subúrbios.

Entretanto, todas onde OPAÍS marcou presença, na semana finda, demonstraram dificuldades para provar a sua legitimidade, por não conseguirem dar a ver à reportagem deste jornal uma prova documental. Emília, a funcionária da MJ, que atende clientes para inscrições, pagamentos de mensalidades, multas ou religações, confessou que, até à data desta entrevista, não se preocupou em ter ou questionar o seu superior hierárquico sobre os documentos que certificam a legalidade da empresa em que trabalha.

Há mais de dois anos na MJ, Emília confessou que a sua despreocupação se deve ao facto de os clientes da sua empresa nunca questionarem a autenticidade da mesma, mas prometeu que, doravante, tratará de exigir do seu patrão, a quem chama de Mestre, que lhe forneça o referido documento, que ela pensa colocar à disposição dos utentes. “Mas recordo-me de um senhor que já me tinha questiona- do sobre este dossier, só que nunca mais apareceu, porque o meu chefe queria encontrar-se com ele”, disse a funcionária da MJ, demonstrando, claramente, que o assunto em causa está reserva- do para o líder da empresa.

Embora não tenha precisado o número de clientes, adiantou que sob o seu controlo estão mais de 100 utentes, que pagam uma mensalidade de 6 mil kwanzas. De acordo com ela, essas contas aumentam, quando alguns clientes não cumprem com o pagamento até ao dia dez de cada mês. “As nossas cobranças são feitas sob a modalidade de serviço prestado, daí que estipulámo-la de 25 de um mês a 10 do mês subsequente. E quando registamos alguns incumprimentos aplicamos a medida de pagamento de uma multa de mil kwanzas, o mesmo valor que cobramos para a religação”, informou Emília, tendo acrescentado que, independentemente dos meses que o freguês fica a dever, a MJ só lhe cobrará mais 2 mil kwanzas, além dos seis habituais.

Relativamente ao preço do contrato, Emília não teve receio de dizer que a sua empresa cobra 105 mil kwanzas. Mas ela detalhou que os moradores que pretendem ter a energia eléctrica distribuída pela MJ podem pagar esse valor em três prestações. “Ainda assim, há aqueles que nos pedem para aumentar uma ou duas prestações e nós temos cedi- do, porque percebemos as dificuldades que os moradores podem ter para arranjar esse dinheiro”, declarou.

Luz fraca entre as causas dos conflitos

Por seu turno, Adelina da empresa Electro-Luís, localizada próximo da única estrada asfalta- da (rua principal) do Mundial, começou por dizer que não estava autorizada a conceder entrevista. No entanto, ela deixou escapar que, na subscrição de um contra- to, a sua empresa cobra um valor um pouco acima do praticado na congênere MJ.

Segundo soube a equipa deste jornal, através de uma conversa não gravada, esta instituição que também distribui energia eléctrica a partir de um Posto Transformador (PT), cobre uma boa par- te do Mundial, principalmente o mercado e a zona comercial deste subúrbio. Por conta disso, uma das reclamações que a Electro-Luís tem procurado gerir, com alguma pedagogia, segundo fez saber Adelina, é a da fraqueza da intensidade da corrente eléctrica. “Alguns fazem contrato para ligação domiciliar, mas querem exigir energia que pode fazer funcionar máquinas de negócios”, frisou.

Delimitação de áreas de exploração

Como a Electro-Luís e a MJ têm clientes em algumas áreas do mesmo bairro, estas e outras empresas que vendem energia eléctrica aos moradores foram capazes de chegar a de entendimento, ao ponto de delimitarem zonas de exploração, de modo a evitarem possíveis conflitos.

A medida agradou mais à MJ, que, por sinal, tem a sede da sua empresa instalada na mesma rua que a outra distribuidora concor- rente, que regista as residências dos seus clientes com a letra L. Muito recentemente, esta em- presa decidiu cadastrar os seus utentes com uma descrição bastante visível, nas paredes das residências dos mesmos. Segundo os clientes da mesma, a ideia foi passar a mensagem de que as casas do bairro 28 de Agosto que estão a Oeste da paragem do Triângulo do mesmo bairro lhes cabe a distribuição de energia eléctrica. Aliás, nos memorandos de entendimento entre os proprietários desses PTs, ficaram também decididas as cores a serem usadas para o registo.

Sobre este fenómeno, os fun- cionários da MJ e da L optaram, respectivamente, por castanho e azul, as cores com as quais identificam as habitações da sua clientela ou área a explorar com ligações. Nos bairros Obama e Boa Esperança, a equipa desta reportagem não encontrou os detentores de PT´s, mas, em conversa com os clientes, esses moradores disseram que, durante o processo do contrato nunca lhes foi mostrado um documento de autorização de distribuição de energia.

“O que nos pediram para ver foram, simplesmente, alguns papéis que provam a concessão do Posto de Transformação (PT), mas, como para nós interessa mais ter luz, em casa, não ligamos muito a outra parte. Finalmente, OPAÍS constatou que a maior parte dos PT´s atribuídos a esses negociantes são de 250 KVA, o que justifica a fraqueza da intensidade da corrente eléctrica, em certas residências, já que essa capacidade não parmite a prestação destes serviços.

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