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Operação Dudula na África do Sul e o advento de uma xenofobia exacerbada

Jornal Opais por Jornal Opais
24 de Novembro, 2023
Em Opinião

A África do Sul é uma referência indiscutível a nível do continente africano, actualmente classificada como a terceira maior economia de África, perdendo somente para a Nigéria e o Egipto.

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O país é conhecido por uma pluralidade de factores, desempenhando um papel central na geopolítica do continente e a nível internacional, especialmente após a emergência dos BRICS, repleta de fortes atrações turísticas como a famosa “Table Mountain” na Cidade do Cabo, um rico potencial na indústria de mineração, e culturalmente pelo eletrizante estilo musical Amapiano, o qual nos últimos tempos tem conquistado fãs um pouco por todo mundo.

Porém, o país dos bafana bafana também é muito conhecido por razões nada abonatórias, como as falhas constantes no fornecimento de energia elétrica, chamado entre os locais de “loadsheddings”, alto índice de criminalidade e pela sua hostilidade contra estrangeiros, sendo que este último factor acaba muitas vezes por minar a imagem do país no cenário internacional.

Espera-se que vítimas de violência, por exemplo, independentemente da natureza, tenham aversão a todo e qualquer acto relacionado, especialmente os que mais se assemelham àquele do qual se foi vítima, recusando de forma categórica qualquer participação ou conivência com tais práticas, e que sejam incapazes de se calar quando os mesmos são perpetrados contra outras pessoas. A isso dá-se geralmente o nome de empatia.

Existe na Bíblia Sagrada uma famosa parábola conhecida como “a parábola do credor incompassivo”, a qual retrata a história de um rei que havia decidido ajustar contas com os seus servos, sendo levado à sua presença alguém que o devia dez mil talentos.

Por se tratar de uma soma avultada, e sendo aquele servo incapaz de a saldar, o rei então determina que o mesmo seja vendido junto com a sua família e todos os seus pertences para que obtenha com o valor resultante da venda o pagamento integral da dívida, ao que o servo, ouvindo tal veredicto nada mais pôde fazer se não jogarse aos pés do rei suplicando pelo perdão das suas dívidas, pelo que o rei, compadecido, anui e o concede a liberdade.

Eis que, curiosamente, havia um companheiro que devia “cem denários” a este mesmo servo e, por ironia do destino, também não tinha condições de a saldar.

Ora, ao contrário do que se esperava do servo, este lança as suas mãos ao pescoço do seu devedor, sufocando-o, e somente o liberta quando este apela que se determinasse um prazo dentro do qual pudesse liquidar a dívida irrisória, se comparada àquela que o servo tinha para com o rei, apelo este que é recusado, pelo que o pobre homem acaba sendo enviado à cadeia por ordem do seu credor.

Testemunhas oculares informam o rei sobre o sucedido, o qual convoca o servo e, uma vez na sua presença, questiona-o sobre o porquê de ter procedido de forma tão vil e não com piedade e compaixão como haviam agido para com ele. Parece-me escusado mencionar qual foi a sentença que lhe sobreveio.

Paulo Freire, Educador e Filósofo brasileiro, sublinha em uma das suas frases mais emblemáticas que “quando a educação não é libertadora, o sonho do oprimido é ser opressor”.

Na parábola acima, vê-se perfeitamente o desenrolar deste fenômeno. Eis que de um momento para o outro, o servo encontrava-se no lugar do rei, ou seja, ele havia ascendido a posição de rei, agora era ele que detinha o poder.

Naquele momento, era suposto a memória dos factos, ainda recente, conduzi-lo a adoptar uma atitude mais complacente, ética e justa, uma vez que o mesmo havia passado por uma situação bem mais dramática. Tenho uma dificuldade em compreender a psicologia do negro que é racista.

Tenho igual incapacidade compreender o como e o porquê dos nossos irmãos sul-africanos se deixarem contaminar pelo infame espírito da xenofobia e como se não bastasse, terem como principais alvos da sua cólera imigrantes de outros países do continente africano, os quais carregam encravadas na pele e na alma cicatrizes semelhantes às suas.

Operação Dudula é o nome do maior grupo anti-imigração da África do Sul, cujos membros têm o seguinte denominador comum: a vontade inegável e incontrolável de expulsar todos os estrangeiros do país.

Eles agem como uma espécie de vigilantes, sob o pretexto de terem como únicos alvos imigrantes que se encontram no país de forma ilegal, o que não é totalmente verdade uma vez que existem relatos de hostilidades e actos de violência perpetrados contra estrangeiros que tinham toda a sua situação legal regularizada.

Em um documentário recente realizado pela BBC a respeito do grupo, ouve-se de forma clara e frontal membros que chegam ao ponto de confessar sentimentos de ódio que carregam por estrangeiros.

Em Deuteronômios 10:19, Deus transmite uma ordem clara aos israelitas: amarás o estrangeiro, porque foste estrangeiros na terra do Egipto.

Ora, os israelitas haviam sido escravizados pelos egípcios, pelo que Deus podia perfeitamente apegar-se a esse facto para transmitir uma ordem completamente diferente, uma ordem de ódio, hostilidade e retaliação, porém, Deus é justo.

Ele tem plena consciência de que a escravidão foi um incidente a posteriori, uma anomalia e ela não descura o facto de que em Gênesis 47:6 o Faraó havia dito a José, filho de Israel: “o país do Egipto está à tua disposição”.

Com essa admoestação e ao recordá-los desse facto, Deus convida os Israelitas a tratarem os outros com a mesma hospitalidade que os seus ancestrais um dia haviam sido tratados.

Isto porque o ser humano tem uma grande proclividade ao ressentimento, ódio e rancor. Se eles não fossem recordados da hospitalidade com que o Faraó recebeu os seus patriarcas, tudo que eles se recordariam seria dos anos de escravidão e exílio, o que levaria a uma acuidade de sentimentos de ódio, ressentimento, animosidade e vingança.

O paradoxal em relação à exacerbada cultura da xenofobia dos sulafricanos reside exatamente no facto de que melhor do que ninguém, eles sabem o quanto é angustiante viver sob o domínio de um regime hostil e opressor.

Vigorava até bem pouco tempo naquele país o desumano e atroz regime do apartheid, o qual segregava brancos e negros, relegando os nativos sul-africanos a um papel subalterno e de subserviência, sendo estes hostilizados, perseguidos, marginalizados e assassinados dentro do seu próprio território.

Exatamente por essa razão é que considero incompreensível essa postura radical, repleta de traços característicos de um regime do qual eles mesmos um dia foram vítimas.

Penso que Paulo Freire tenha sido cirúrgico neste sentido. O oprimido deve ser, por razões óbvias, o último a oprimir.

Não há nada de errado em policiar estrangeiros que se encontrem a residir ilegalmente no seu país, desde que se encaminhem estas pessoas ou se alerte as autoridades competentes, deixando que elas possam dar o tratamento jurídico-legal que se impõe.

Porém, Dudula é uma palavra na língua Zulu que significa literalmente “forçar a expulsão”, e os membros do grupo são flagrados a tecer discursos de ódio e entoar cânticos que falam sobre morte para os estrangeiros, o que penso ser reprovável a todos os níveis uma vez que é atípico ao modus vivendi dos Bantus.

 

Por: EDUARDO PAPELO

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