OPaís
Ouça Rádio+
Seg, 27 Abr 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

À semelhança de um Deus que dança

Jornal Opais por Jornal Opais
25 de Agosto, 2023
Em Opinião

“O africano dança” é o título de um vídeo polêmico que muito circulou pelas redes sociais há alguns meses, o qual critica seriamente a aparente falta de comprometimento do povo africano com coisas (mensagem subliminar do vídeo) “mais importantes” como a educação, desenvolvimento econômico, infraestrutual, industrial, humano e integração regional.

Poderão também interessar-lhe...

CONTOS D’OUTROS TEMPOS: Seja forte, Miguel! – Vidas de Ninguém (XX)

O princípio de uma só China é consenso geral da comunidade internacional

O poder disciplinar do empregador

Embora a mensagem que o vídeo veícula seja digna de alguma consideração (de que a vida não se resume em dançar), ela chega a ser, a meu ver, traiçoeira e perigosa, a medida que também tenta fazer parecer que o africano tem um desinteresse confesso e inalienável pela ciência, pelo desenvolvimento, pelo progresso, pelo conhecimento, por um lado, e tenta equiparar essa proclividade africana para dançar a um vício, semelhante ao consumo de drogas e/ou alcoolismo, por outro.

A habilidade africana de dançar é divina, intrínseca a sua natureza e indissociável deste povo.

O africano foi raptado para os EUA e lá deu à luz o hip-hop na sua forma de “breakdance”, ao Samba, a Salsa e a Rumba na América do Sul. Isto para não mencionar outros, muitos outros.

Levem o africano a lua e ele dará à luz um estilo de dança fazendo recurso a gravidade daquele satélite. O que o autor do vídeo falha em perceber é que o africano não é subdesenvolvido porque dança, o africano dança para se expressar e para não ter de focar nas suas malambas, se concordarmos que a dança tem algo de libertador e liberador a seu respeito.

Nas lavras do Planalto Central, as mulheres Ovimbundu pisam o milho em movimentos coreografados ao som da canção que inspirou a atemporal música “Morainha” dos irmãos Almeida.

Neste pisar cadenciado e dançado, elas realizam o seu ofício ao passo que entoam em uníssono: “tingoo, tingoo, tingoo, kacine katingoka, okumolã ofule.

Em “O Homem Que Plantava Aves”, o autor Gociante Patissa fala de uma aldeia recôndita, distante do nosso tempo, onde os antepassados celebravam ao ritmo quente do batuque, agradecendo aos deuses pelo êxito nas caçadas e por regressarem incólumes para as suas casas.

A aldeia confundia-se com um verdadeiro festival de artes performativas, numa dança em casamento com a representação, ao compasso de «ukongo», com a presença imprescindível do «ocinganji», figura mística que possui, dentre outras, a capacidade de dialogar com o além, a qual também dança, como não podia ser diferente. Bem alerta o provérbio: “se quiseres dez anos de prosperidade, planta árvores. Mas, se quiseres cem anos, forma e educa pessoas.”

Ora, talvez somente não vejamos porque não olhamos nem procuramos o suficiente. A nossa Áfrca tem formado e educado pessoas.

Pessoas que causam impacto, fazem a diferença, contribuem para o desenvolvimento do continente e do mundo.

Não nos esqueçamos do belo exemplo que é a Dra. Adany Costa, doutorada em Práticas Internacionais de Conservação da Vida Selvagem pela Universidade de Oxford, engajada na expedição científica destinada a proteção da vida e espaços selvagens ao longo da Bacia do Okavango, expedição documentada pela National Geographic, o que a conferiu o prêmio Jovens Campeões da Terra, galardoada pelas Nações Unidas, tendolhe sido também atribuída a medalha da Ordem de Mérito Civil de 1º Grau pela Presidência da República de Angola, tornando-se pouco depois Ministra da Cultura, Turismo e Ambiente, à data a mais jovem da história do país.

Paulo da Conceição Carvalho foi o primeiro angolano a tornar-se membro da Coorte Colegial da Universidade de Oxford, um colégio de investigadores, e o único africano a ser convidado a participar num colóquio sobre o “Nacionalismo Cristão Ressurgente Racializado”, também realizado pela renomada Universidade britânica.

Marco Romero, engenheiro angolano, foi recentemente destacado para um programa de intercâmbio na NASA, Space X, Blue Origin e outras agências espaciais. Nós temos cérebros, pessoas competentes, capazes e comprometidas com o desenvolvimento nas mais distintas áreas do conhecimento.

Tudo que se precisa fazer é criar oportunidades e estimular nos mais jovens a vontade de fazer igual ou melhor, e fazê-lo, porém, dançando.

Sim, o africano dança. Dança tanto e tão bem que cidadãos de todo o mundo, inclusive aqueles que nas palavras do autor do vídeo acima referido fazem ciência, constroem coisas, lêem e escrevem livros pagam para aprender a dançar como ele, pois reconhecem tratar-se de uma habilidade ímpar e inefável. Acredito que estejamos no limiar de uma revolução cultural nunca antes vista.

O maior festival contemporâneo de celebração da cultura africana denominado AfroNation, teve lugar em solo Europeu (Portugal), com maior adesão de pessoas ocidentais que africanas.

O Semba e a Kizomba são dos estilos de dança que mais exportam o nome de Angola no mundo, juntamente com o Afrohouse e o Afrobeats nigeriano com maior expressão na camada jovem, todos contribuindo para o aumento do turismo cultural no continente.

Em ocasião da apresentação pública do seu livro “Um Deus Que Dança”, o Cardeal José Tolentino Mendonça cita Michel de Certeau, o qual disse que “o orante é uma coreografia de gestos”, ao que remata o Cardeal: “não rezamos apenas com palavras, mas com o que somos.”

O Africano é, sem sombra de dúvidas, um presente para o mundo, o povo escolhido como receptáculo de laivos do divino, de uma moção temperada, ritmo electrizante, cadência sublime e ginga transcendente, seus mecanismos de oração.

É-o à semelhança de um Deus que dança.

 

Por: EDUARDO PAPELO

Jornal Opais

Jornal Opais

Recomendado Para Si

CONTOS D’OUTROS TEMPOS: Seja forte, Miguel! – Vidas de Ninguém (XX)

por Domingos Bento
24 de Abril, 2026

Enquanto esperava por uma amiga no Nosso Super do Golf II, um puto veio ter comigo. Traumatizado com os constantes...

Ler maisDetails

O princípio de uma só China é consenso geral da comunidade internacional

por Jornal OPaís
24 de Abril, 2026

Recentemente, o Secretário-Geral do Comitê Central do Partido Comunista da China e Presidente da China, Xi Jinping, reuniu-se em Beijing...

Ler maisDetails

O poder disciplinar do empregador

por Jornal OPaís
24 de Abril, 2026

O mercado Angolano, está cada vez mais exigente, a produtividade e a disciplina organizacional são determinantes para a sustentabilidade das...

Ler maisDetails

O chamado do Papa ao coração de Angola

por Jornal OPaís
24 de Abril, 2026

A visita do Santo Padre a Angola ficará gravada não ape nas como um mo mento histórico, mas como um...

Ler maisDetails

Viagem Apostólica do Papa Lão XIV a Angola

Teramed distinguida com prêmio Forbes de Responsabilidade Social

26 de Abril, 2026

Silvia Lutucuta representa Angola na Cúpula Mundial da Saúde 2026

26 de Abril, 2026

OMA inicia amanhã jornada política no Huambo

26 de Abril, 2026

Homem que disparou no jantar onde estava Donald Trump terá agido sozinho e não tem antecedentes criminais

26 de Abril, 2026
Facebook Twitter Youtube Whatsapp Instagram

Para Sí

  • Radio Maís
  • OPaís
  • Media Nova
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova
  • Contacto

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Publicações
  • Vídeos

Condições

  • Política de Privacidade
  • Política de Cookies
  • Termos & Condições

@ Grupo Media Nova | Socijornal

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.