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Congoleses pagam toneladas de feijão com dinheiro falso em Benguela

Jornal OPaíspor Jornal OPaís
27 de Fevereiro, 2026
Em Sociedade, Última Hora

Aquilo que para muitos agricultores era como que bênçãos, a compra de toda a produção logo à nascença por parte de congoleses, para outros, transformaram-se em autêntica “maldição”, devido àquilo que a Administração Municipal do Dombe-Grande qualifica de “burla” protagonizada por compradores congoleses, resumida em introdução de milhões de notas falsas no pagamento pela produção de grandes quantidades de feijão. Alguns congoleses terão evitado pagamentos via bancária para enganar angolanos

À entrada do Dombe-Grande podese divisar um pequeno estrago que a seca se responsabilizava de anunciar a quem se propõe a visitar a então terra do feitiço. De um lado, uma parte do majestoso rio Coporolo seco, sem sinal de vida, conferindo um acastanhado ao milheiro nas redondezas, de outro, o mesmo pleno de água.

Os especialistas têm-se referido ao Coporolo como um rio sem regularização, daí que a impressão com que se fica é a de que se está diante de dois rios. Os nossos caminhos foram todos dar aos campos de produção, onde agricultores lançavam as sementes à terra cientes de que, num curto período de tempo, hão-de ter os produtos que alimentam parte considerável de Angola e até a República Democrática do Congo.

Empresários desse país vizinho, volta-e-meia, fazem-se aos campos de produção e compram produtos logo à nascença, como admitiu o empresário António Noé. Ou seja, chegam ao DombeGrande, montam tendas e, às vezes, por aí ficam meses, financiada que está toda a produção, preferencialmente feijão, havendo, inclusive, quem aponte o dedo a eles por alguma tendência de aumento desse produto no mercado.

Essa parceria entre congoleses e angolanos em relação ao feijão tem deixado a Administração Municipal do Dombe-Grande preocupada face à constante onda de burla a que, volta-e-meia, os nacionais são sujeitos. “Muitos produtores, às vezes, são burlados porque lhes dão dinheiro falso.

É assim que nós temos estado a trabalhar com as cooperativas, no sentido de sensibilizar os nossos produtores individuais para ver se todos tenham contas bancárias”, garante o director municipal da Agricultura e Pescas, Eduardo Daniel.

O responsável reporta que, em Novembro de 2025, se lançou, a nível provincial, um projecto de blocos compactos, no qual o Dombe-Grande faz parte, com o fito de identificação do mercado para a comercialização de feijão, de modo a que eles estejam tão dependentes de congoleses. “Isso para evitar que os nossos irmãos congoleses não continuem muito na nossa província, particularmente no município do Dombe-Grande.

Os produtores têm dificuldades de adquirir crédito na banca, isso por conta de que o perímetro todo irrigado pertence à indústria açucareira (Ministério do Comércio e Indústria)”, disse. Eduardo Daniel não precisa o número de produtores individuais burlados por congoleses, tendo sublinhado, a título de exemplo, a tentativa de suicídio de dois idosos, no ano passado.

Durante quatro meses, os anciãos lançaram a semente à terra, cuidaram das plantas, recolheram o feijão para, depois, alguém levar consigo toda a produção. “Se não fosse a intervenção da administração, teriam perdido mesmo a vida. Queriam se suicidar”, sinaliza, ao lembrar que, nos últimos dias, já se deu a volta à situação, invertendo-se, definitivamente, o cenário.

Para evitar «fintas congolesas», o agricultor Taborda Marques, proprietário da fazenda TM-Agro, tem exigido a parceiros congoleses pagamentos dentro das formalidades bancárias, porquanto a situação por que alguns dos seus colegas passaram lhe tem servido de lição. Os mais visados, nessas manobras congolesas, têm sido os agricultores individuais.

Traumatizados, muitos deles se têm escusado de falar dessas situações, com o argumento de quererem ultrapassar o passado e seguir em diante. Todavia, um cidadão próximo a uma das vítimas (idoso na casa dos 60 e poucos anos), com quem este jornal privou, explicou, sob anonimato, que o seu parente quase que se suicidava, quando soube que tinha entregado de “graça” a um congolês grandes quantidades de hectares de feijão, que demandaram de si muito trabalho.

“Eles combinaram muito bem. O congolês acompanhou todo o processo de produção, mas até pagou mesmo bem. Milhões e milhões. Mas era tudo notas falsas. O mais-velho quis mesmo tirar a vida”, narrou.

Leia mais em…

Por: Constantino Eduardo, em Benguela

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