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Subcomissário da PNA e parceiros teriam supostamente falsificado USD 19 mil

João Felicianopor João Feliciano
21 de Fevereiro, 2024
Em Política
Presidente do supremo defende protecção da pessoa humana como prioridade nas agendas judiciais

Segundo o Ministério Público, aquando da sua detenção, o subcomissário da PNA, Domingos Miguel Adão Francisco, e os dois comparsas, estariam na posse do montante de 19 mil dólares norte-americanos, supostamente falsos, que pretendiam introduzir no mercado

A câmara criminal do Tribunal Supremo deu, ontem, início ao julgamento do subcomissário reformado da Polícia Nacional (PNA), Domingos Miguel Adão Francisco, e mais dois cidadãos, acusados pelo Ministério Público (MP) dos crimes de passagem, colocação e circulação de moeda falsa ou falsificada.

Na leitura da peça acusatória, o Ministério Público alega que o crime de que os arguidos vêm acusados e pronunciados remonta a Dezembro de 2022, tendo os visados sidos frustrados por agentes da Direcção de Ilícitos Penais (DIP), da Polícia Nacional.

À data dos factos, o co-arguido Domingos Adão Francisco, subcomissário de 71 anos de idade, teria se deslocado até ao município do Cazenga, onde ter-se-ia encontrado com um cidadão apenas identificado como “Chará Toni”, foragido das autoridades, de quem o oficial e os comparsas António Kahala Pinto e Januário César Francisco receberam um envelope supostamente contendo os referidos valores.

Segundo o MP, fruto de um trabalho investigativo “de baixa visibilidade”, e sem que os mesmos se tivessem apercebido, foram perseguidos por agentes da Brigada Anti-Crime do DIP Cazenga, que os monitorava desde a recepção do aludido envelope.

A acusação refere ainda que os mesmos terão sido interpelados nas imediações do mercado do Asa Branca, tendo o co-arguido António Pinto tentado colocar-se em fuga, mas sem sucesso.

Da revista efectuada, os agentes acharam, por debaixo do banco do motorista, o referido envelope, contendo os alegados 19 mil dólares falsos.

Ademais, refere a acusação, as notas em causa estavam divididas em dois montes, das quais 189 notas da série A-213, 8 da série A-217, e 2 da série A-209.

Com os mesmos, prossegue a acusação, foi ainda apreendida uma arma de fogo do tipo pistola, pertença do subcomissário, com o respectivo carregador contendo 16 munições, três telemóveis e um passe de serviço.

O Ministério Público refere, na sua acusação, que submetidos a exames periciais no laboratório de criminalística do SIC, detectou-se que as mesmas notas não possuem dimensões reais, marcas de água simulada, fios de segurança simulados e não possuem microtexto figurados.

Para os peritos, a acusação, as cédulas monetárias suspeitas não possuem valor identificativo, não são autênticas e o seu grau de falsidade é de cem por cento.

Segundo o MP, ao actuarem da forma descrita, tinham os arguidos plena consciência de que as referidas notas eram falsas, mas, ainda assim, pretendiam colocá-las em circulação.

Deste modo, os arguidos António Kahala Pinto e Januário César Francisco incorreram, como co-autores materiais, no crime de passagem de moeda falsa ou falsificada, previsto e punível pelos artigos 258, n°s 1 e 2; e 256, n°s 1, ambos do Código Penal.

Já o arguido Domingos Adão Francisco é acusado de autoria moral e material na forma consumada do mesmo crime, previsto e punível pelas mesmas disposições legais.

O MP pede a condenação dos arguidos e a perda a favor do Estado para a sua destruição. Finalmente, o MP pediu, ainda, a mudança da situação carcerária dos co-arguidos António Kahala Pinto e Januário César Francisco de prisão preventiva para liberdade condicional, por ter esgotado o prazo previsto da sua condicional.

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