OPaís
Ouça Rádio+
Dom, 8 Fev 2026
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Jornal O País
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Sem Resultados
Ver Todos Resultados
Ouça Rádio+
Jornal O País
Sem Resultados
Ver Todos Resultados

Vitória pirrônica: quando a destruição de um inimigo semeador do caos se torna uma catástrofe maior

Jornal OPaís por Jornal OPaís
4 de Julho, 2025
Em Opinião

O ataque israelitade 7 de junho de 2025 contra as instalações nucleares de Natanz – o mais devastador desde o assassinato de cientistas iranianos em 2020 – marcou a transição de uma “guerra nas sombras” para confronto aberto.

Poderão também interessar-lhe...

WhatsApp: o negócio que sustenta famílias no modo silencioso

A palavra do morto – Vidas de Ninguém (X)

Carta do leitor: Cantos da cidade de Luanda cheiram mal

O Irão respondeu com o primeiro ataque directo contra Israel desde a Revolução Islâmica e o bloqueio simbólico do Estreito de Ormuz (afectando 18% do comércio marítimo global).

Em 2025, o Oriente Médio aprendeu da pior forma que algumas ameaças existenciais não têm soluções militares – apenas gerenciamento de crises. O verdadeiro teste agora é saber se Washington e Telavive entenderão isso antes que o depósito de pólvora exploda de vez.

O desejo secreto de certos círculos em Telavive e Washington – uma vitória militar israelita que implodisse o regime iraniano – é compreensível face à ameaça existencial que Teerão representa. Contudo, sonhar com esse desfecho é como desejar um incêndio controlado num depósito de pólvora.

As consequências geopolíticas de um “sucesso” israelita seriam tão profundas e imprevisíveis que o Oriente Médio emergente poderia fazer o actual parecer um oásis de estabilidade. E a ironia trágica deste conflito é que:

1. Se Israel vencer herda um Irão em colapso com armas nucleares à venda no mercado paralelo;

2. Se o Irão vencer legitima o eixo de resistência desde o Iêmen até Gaza;

3. Se ninguém vencer o conflito é congelado com sanções totais, resultando numa crise econômica global. 1. O Fantasma do Caos Regional (e a Ilusão da Ordem): A queda de Teerão desencadearia não uma primavera democrática, mas um inverno de conflitos sectários e disputas de poder.

O “Eixo da Resistência” (Hezbollah, Houthis, milícias iraquianas) não se evaporaria; fragmentar-se-ia em células armadas desesperadas, transformando o Líbano, o Iémen e o Iraque em campos de batalha ainda mais ferozes.

A Síria, já esquelética, ruiria definitivamente. A falsa promessa? Que a Arábia Saudita ou o Egipto preencheriam o vácuo. Riad, engessada pela sua própria transição frágil e pelo fantasma da rivalidade com a Turquia e o Qatar (ansiosos para expandir o islamismo sunita), não teria capacidade – ou legitimidade – para impor ordem.

Israel, após uma vitória táctica monumental, encontraria um ambiente regional mais tóxico e imprevisível do que nunca, com o ódio anti-israelita a atingir novos patamares históricos.

2. Petróleo: A Volatilidade como Nova Normalidade: A ideia de um Irão pós-revolucionário, pró-Ocidente e bombeando 4 milhões de barris/dia para baixar os preços é um conto de fadas perigoso.

A realidade seria: – Pânico Imediato, pois haveria ameaças ao Estreito de Hormuz (mesmo por grupos remanescentes) e sabotagens fariam os preços disparar para níveis estratosféricos, estrangulando economias globais.

– Instabilidade Permanente, uma vez que a transição seria longa e sangrenta. Quem controlaria os campos de petróleo? Governo provisório? Milícias tribais? Grupos separatistas? A incerteza seria o maior prêmio de risco do mercado.

– OPEP em Frangalhos, isto é, s saída do Irão (2º maior reserva da OPEP) destruiria o já frágil equilíbrio OPEP+, entregando às Arábia Saudita um poder temporário que seria um convite à desunião e a traições entre produtores. 3. Rússia e China: Os Grandes Perdedores (Tácticos) e Aventureiros (Estratégicos) Moscovo perderia seu aliado regional mais crucial, pois o canal para contornar sanções estaria bloqueado. O mercado de armas de alto valor e a influência na Síria seriam severamente comprometidos.

Pior: um Irão produtor e estável inundaria o mercado, derrubando preços e minando o já combalido orçamento russo, dependente do petróleo. A “vitória” do Ocidente seria um pesadelo económico para o Kremlin.

Para Pequim, o Irão não é um fornecedor de petróleo (10% das importações); é a pedra angular da Iniciativa Cinturão e Rota (BRI) no coração da Eurásia. Investimentos de dezenas de milhares de milhões evaporariam e a solução seria tentar realinhar-se apressadamente com a Arábia Saudita e acelerar rotas alternativas (ex.: Corredor China-Paquistão), mas com um custo estratégico imenso e anos de atraso. A humilhação geopolítica seria profunda.

Conclusão: O Preço Proibitivo da Vitória

Sonhar com a queda do regime iraniano por acção militar israelita é subestimar grotescamente a lei dos efeitos colaterais não intencionais. O que emergiria das cinzas não seria um Irão dócil e estável, mas um buraco negro de caos que sugaria toda a região para uma nova espiral de violência sectária, desestabilizaria a economia global através do petróleo e forçaria uma reconfiguração geopolítica traumática para potências como a Rússia e, sobretudo, a China.

A lição do Iraque e da Líbia deveria ser clara: derrubar regimes autoritários em sociedades complexas e fracturadas não abre caminho para a democracia, mas para o inferno.

Israel poderia eliminar um inimigo, apenas para se ver rodeado por um cemitério de Estados falhados e ódios ainda mais radicais. Algumas vitórias são, na verdade, derrotas disfarçadas.

Esta seria a definição de uma Vitória Pirrônica – onde o custo da conquista supera catastróficamente o seu benefício. A região não é um tabuleiro de xadrez onde peças são removidas sem consequências; é um campo minado onde um único passo em falso pode detonar tudo.

Por: ALEXANDRE CHIVALE

Jornal OPaís

Jornal OPaís

Recomendado Para Si

WhatsApp: o negócio que sustenta famílias no modo silencioso

por Jornal OPaís
6 de Fevereiro, 2026

Todos os dias, antes mesmo de a cidade acordar por completo, há mulheres que já estão em movimento, carregando sacolas,...

Ler maisDetails

A palavra do morto – Vidas de Ninguém (X)

por Domingos Bento
6 de Fevereiro, 2026

O cesto de roupa da Manana, a viúva, já estava arrumado no quintal e aguardava-se, entretanto, pela última palavra do...

Ler maisDetails

Carta do leitor: Cantos da cidade de Luanda cheiram mal

por Jornal OPaís
6 de Fevereiro, 2026

Ao coordenador do jornal OPAÍS, votos de óptima Sexta-feira e aproveito o momento para falar da cidade de Luanda, cujos...

Ler maisDetails

É de hoje…Uma certeza chamada Corredor do Lobito

por Dani Costa
6 de Fevereiro, 2026

Adormecido durante vários anos, foi tomado por algum cepticismo os primeiros passos que foram dados em prol do desenvolvimento do...

Ler maisDetails

Angola participa na 9.ª Reunião de Alto Nível dos presidentes dos Tribunais Supremo e Constitucional no Cairo

8 de Fevereiro, 2026

Tribunal Supremo de Angola e Constitucional do Egipto abordam temas de interesse comum

8 de Fevereiro, 2026

Portugueses escolhem hoje entre Seguro ou Ventura para substituir Marcelo de Sousa em clima de mau tempo

8 de Fevereiro, 2026

Uíge acolhe Sessão da Comissão para a Salvaguarda do Património Cultural

8 de Fevereiro, 2026
OPais-logo-empty-white

Para Sí

  • Medianova
  • Rádiomais
  • OPaís
  • Negócios Em Exame
  • Chiola
  • Agência Media Nova

Categorias

  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos

Radiomais Luanda

99.1 FM Emissão online

Radiomais Benguela

96.3 FM Emissão online

Radiomais Luanda

89.9 FM Emissão online

Direitos Reservados Socijornal© 2026

Sem Resultados
Ver Todos Resultados
  • Política
  • Economia
  • Sociedade
  • Cultura
  • Desporto
  • Mundo
  • Multimédia
    • Publicações
    • Vídeos
Ouça Rádio+

© 2024 O País - Tem tudo. Por Grupo Medianova.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a usar este site, você está dando consentimento para a utilização de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.