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O recrutamento nos órgãos castrenses e o dilema da segurança: os passos e compassos do novo ministro do Interior (I)

Jornal Opais por Jornal Opais
27 de Dezembro, 2024
Em Opinião

Ascensão de Manuel Homem no pelouro do Ministério do Interior gerou uma certa expectativa na comunidade castrense. Em parte, nas hostes militares, a questão residia como o novo Ministro, não sendo militar tradicional, ajustarse-ia à classe, sobretudo a (coabitação) entre punho civil sobre o militar. Essa incerteza foi logo dissipada pelo Presidente da República no acto de posse do Ministro Manuel Homem.

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O Comandante-Em-Chefe das Forças Armadas passou uma “carta branca” ao novo ministro – conferindo-lhe maior autoridade, para em sede das suas competências, proceder às mudanças necessárias.

Nesta ordem, o ministro Manuel Homem, avisadamente, orientou a suspensão temporária do concurso público de enquadramento de agentes nos Serviços de Migração e Estrangeira (SME), para efeitos de avaliação.

No entanto, a decisão suscitou uma veemente discussão pública na sociedade. Concluída avaliação, os resultados do expediente inspectivo bradam os céus. Ou seja, o processo estava infecto de vícios que, agora, questiona-se a validade das informações da situação migratória do país.

Porém, outro dado ainda pior é o facto destas inconformidades nos recrutamentos estenderem-se também noutros órgãos que lidam com a sensibilidade da segurança, isto é nos Serviços de Investigação Criminal (SIC) e Polícia Nacional (PN), conforme aludiu ex-comandante-geral da Polícia Nacional, Paulo de Almeida, numa entrevista que concedeu neste jornal, publicada no dia 6 de Dezembro de 2024.

O vasto território e a posição geográfica de Angola colocam o país no tabuleiro dos interesses geopolíticos e geoestratégicos das grandes potências. As teorias clássicas da geopolítica apresentam vantagens aos Estados cuja dimensão e posição geográfica oferecem factores de atração gravitacional de poder.

E Angola, pelo potencial econômico e a sua localização, detém vantagens nesse quadro. Todavia, possuir esses factores se “a jusante” são prerrogativas para maximizar o poder estatal, a montante, atraem vulnerabilidades.

A ordem internacional ainda é anárquica, não obstante a existência da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa visão dos realistas é tão segura que os Estados investem largamente na sua segurança por não confiarem na boa vontade dos seus vizinhos, bem como dos demais entes estatais.

Ademais, hoje, o tipo de sociedade interconectada, ou então, “sociedade em rede”, como refere Manuel Castells, torna mais complexa ainda a previsibilidade da comportamento das pessoas e dos grupos.

Os canais que estabelecem a linha tampão da integridade territorial devem funcionar corretamente. Salienta-se que o uso da violência generalizada deixou de ser um monopólio do Estado soberano.

Na actualidade, alguns actores não estatais (grupos armados) entraram em competições com os Estados pelo controlo do território e uso da força. Os Serviços de Migração dos Estados são responsáveis pelo controlo dos fluxos migratórios.

As entradas e saídas dentro do território nacional são missões da qual estão incumbidos. Portanto, o SME é órgão com determinante actuação na Segurança Nacional.

Aliás, num contexto em que o mundo deflagra-se com o terrorismo, o papel dos serviços de migração é indiscutivelmente crucial. Dentro desta óptica, na seleção dos efetivos do SME é necessário algum acompanhamento de inteligência. Mas, “contudo”, o recrutamento ora desmantelado pelo ministro Manuel Homem levanta indagações muito sérias

. O ministro Manuel Homem foi muito feliz ao tomar a medida. Se por um lado, o Estado precisa criar mais condições de empregabilidade – de modo a reduzir às taxas do desemprego, sobretudo juvenil, por outra banda, os órgãos acometidos com a segurança do país não devem transformarem-se em centros de emprego. Pois isso, certamente que pode beliscar à tradicional função do Estado – de garantir a segurança dos cidadãos.

O perfil de entrada nesses órgãos deve obedecer a uma triagem cujo cadastro do candidato documenta alguma idoneidade. As visões ontológicas da segurança estão cada vez mais sujeitas a compreensões científicas.

Por fim, é todo expectável que o Estado potencie iniciativas privadas de investimento para reduzir à pressão no funcionamento público. Deste modo, evitar-seão, também, atitudes que impliquem consequências incontroláveis no domínio da segurança.

 

Por: BENJAMIM DUNDA

*Politólogo

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