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Afinal somos como?

Jornal Opaispor Jornal Opais
19 de Dezembro, 2017
Em Opinião

No Domingo, depois de ter saído de casa, percorri algumas ruas para chegar ao Projecto Nova Vida. Era de manhã, passei por ruas asfaltadas e por ruas não asfaltadas.

POR: José Kaliengue

Ao longo do trajecto fui reparando em muita gente “vestida para a igreja”. Cruzei-me com famílias inteiras com candura no olhar. Todos bonitos, os filhos limpos e com roupas engomadas, os pais vestidos de fatos e as mães, ora com panos, ora com vestidos e saias na altura certa, além dos “casaquinhos da moral”.

Passei por autocarros que ou embarcavam, ou desembarcavam dezenas de pessoas. Julguei que talvez fosse a proximidade do Natal a despertar o fervor religioso, mas poderia ser também a busca de respostas para os problemas da vida, um apelo cidadão a Deus para corrigir o que está mal no nosso país, que não é pouco, diga- se. Reparei nas inscrições no frontispício de cada templo, há com cada nome de igreja agora!!! Deixa estar só.

Dei com templos imponentes e também com alguns humildes, muito humildes. Todos eles são casas de Deus, alguns têm, claramente, como se sabe, usurpadores lá dentro. E então comentei cá para os meus botões: com tanta gente de bem, que vai à igreja, com tanta oração, tanta fé, tanto perdão e tantos votos, será que depois, na Segunda-feira, aquelas moças iriam tornar- se “gatunas” e pedir telemóveis, saldos e propinas aos “namorados”?

Aqueles funcionários iriam roubar o patrão e pedir gasosa para cuidar de um doente? Os funcionários bancários iriam mexer nas contas dos clientes? Os administradores públicos iriam roubar o dinheiro do Estado? Mas nós, afinal, somos como?

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