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Separatistas catalães e o desafio de governar com líderes encurralados pela justiça

Jornal Opais por Jornal Opais
26 de Dezembro, 2017
Em Mundo

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O presidente deposto catalão, Carles Puigdemont, falou à imprensa, em Bruxelas, para comentar o resultado das eleições regionais na Catalunha.

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Encorajados por uma vitória eleitoral que representa uma autêntica dor de cabeça para o primeiro-ministro espanhol Mariano Rajoy, os partidos independentistas da Catalunha enfrentavam, esta Sexta-feira, o desafio de governar com os seus líderes na prisão ou no exterior. “Seja qual for o novo Governo da Generalitat, já sabe as consequências que tem em Espanha se não cumprir a lei”, afirmou esta Sexta-feira, Pablo Casado, porta-voz do Partido Popular, de Rajoy, numa advertência a Carles Puigdemont, o presidente catalão destituído depois de proclamar a Independência a 27 de Outubro.

Os partidos começaram, esta Sexta-feira, a examinar os resultados e definir posições para a nova legislatura, enquanto Rajoy presidiu uma reunião do seu partido em Madrid, depois da qual poderia fazer um pronunciamento. Elsa Artadi, que foi o rosto da campanha do partido de Puigdemont na sua ausência, afirmou que não acredita em problemas para alcançar um acordo com os outros partidos secessionistas.

“Não tenho nenhuma dúvida de que nos entenderemos”, disse.

Artadi pediu que os líderes independentistas retomem a liberdade ou possam retornar a Barcelona para assumir as suas cadeiras no Parlamento regional.Como aconteceu em 2015, os separatistas se beneficiaram de um sistema eleitoral que recompensa o voto nas zonas rurais e conquistaram a maioria absoluta sem receber 50% dos votos dos mais de cinco milhões de catalães que estavam registados para comparecer às urnas. A votação registou uma participação recorde de quase 82%.

Triunfo pessoal de Puigdemont

Os três partidos secessionistas receberam 47,5% dos votos, o que significa que não superaram a barreira simbólica que daria a vitória num referendo. O partido mais votado, tanto em votos como em cadeiras no Parlamento regional, foi o Cidadãos, cuja líder Inés Arrimadas prometeu lutar contra o independentismo. Esta foi a primeira vez que um partido abertamente antinacionalista catalão venceu as eleições. “Ficou mais claro (…) que a maioria social está a favor da união com o restante dos espanhóis e com o restante dos europeus, e que os partidos separatistas nunca mais poderão falar em nome de toda a Catalunha porque a Catalunha são todos”, disse Arrimadas ao comemorar a vitória diante de milhares de partidários em Barcelona. O Juntos pela Catalunha, a plataforma independentista do presidente destituído Carles Puigdemont, que está na Bélgica, foi o movimento separatista com mais cadeiras, 34, que somadas às 32 da Esquerda Republicana da Catalunha (ERC) e outras quatro da anticapitalista CUP, superam as 68 da maioria absoluta. “A república catalã venceu a monarquia de 155”, afirmou Puigdemont em Bruxelas. “O Estado espanhol foi derrotado”, completou.

A vitória dos independentistas é um golpe para Rajoy, que decretou uma intervenção na autonomia catalã depois da frustrada proclamação de Independência e convocou as eleições, nas quais o seu Partido Popular conseguiu apenas três deputados, contra 11 na legislatura anterior. O cenário é complicado e provoca mais dúvidas do que certezas: a primeira delas é se o independentismo voltará a ter a capacidade de formar um Governo após uma legislatura difícil e com o orgulho ferido do vice-presidente catalão deposto Oriol Junqueras, da ERC. Junqueras preferiu ficar em Espanha e enfrentar a justiça, que o acusa de rebelião e sedição, e agora está na prisão, ao contrário de Puigdemont. O seu partido era favorito nas pesquisas, mas acabou em terceiro.

Cercados judicialmente

Também não está claro se alguns eleitos na Quinta-feira conseguirão assumir os mandatos, pois são suspeitos em um processo judicial por sedição e rebelião, crimes que podem resultar em penas de até 30 anos de prisão. Outra dúvida é saber se os separatistas, submetidos a um cerco judicial, seguirão pela via unilateral. O referendo de autodeterminação de 1 de Outubro, proibido pela justiça e duramente reprimido pela Polícia, precipitou os acontecimentos: no dia 27 do mesmo mês o Parlamento catalão proclamou a Independência e horas depois o Governo regional de Puigdemont foi destituído pelo Parlamento espanhol.

O movimento independentista ganhou força na Catalunha a partir de 2012, estimulado pelo mal estar provocado pela crise económica, a corrupção – que também atingiu o partido que liderou a causa, CiU, do então presidente Artur Mas – e a retirada de alguns artigos do Estatuto de Autonomia da Catalunha por parte do Tribunal Constitucional espanhol. Os independentistas protestaram nas ruas várias vezes nos últimos cinco anos, primeiro para exigir um referendo de Independência e no fim em protesto contra as detenções dos seus líderes.

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