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OPAÍS

‘Que vergonha!’, diz estudante a Trump em marcha anti-armas na Flórida

Jornal Opaispor Jornal Opais
19 de Fevereiro, 2018
Em Mundo

Uma estudante, sobrevivente do massacre na escola do ensino médio de Parkland, criticou neste Sábado (17) o Presidente americano, Donald Trump, pelos seus vínculos com a Associação Nacional do Rifle (NRA), um poderoso lobby das armas, num discurso pungente durante uma marcha que levou centenas de pessoas a pedirem, na Flórida, uma acção urgente pelo controlo de armas de fogo.

Três dias depois de um adolescente perturbado ter matado 17 pessoas com um fuzil de assalto na escola de ensino médio Marjory Stoneman Douglas, Emma González, de 18 anos, fez um discurso feroz para uma multidão de estudantes, familiares e moradores de Ft. Lauderdale. “A todo o político que aceita doações da NRA, que vergonha!”, gritou Emma Gonzalez, atacando Trump pelo apoio milionário que a sua campanha recebeu do lobby das armas, enquanto incentivava a multidão a repetir: “Que vergonha!” “Nós vamos ser o último ataque maciço a tiros”, prometeu. “Nós vamos mudar a lei”, afirmou, lembrando o facto de o atirador, Nikolas Cruz, de 19 anos, ter conseguido comprar legalmente uma arma de fogo semi-automática, apesar de um histórico de comportamento perturbado e violento.

“A questão de se as pessoas devem ou não ter permissão de possuir uma arma automática não é política. É uma questão de vida ou de morte e não deve continuar a ser uma questão de política”, disse Gonzalez à AFP, após o seu discurso. O massacre de Quarta-feira, que deixou 17 mortos na escola do ensino médio Marjory Stoneman Douglas, alimentou pedidos urgentes por um fim ao beco sem saída nacional sobre o controlo de armas, com uma série de sobreviventes de ataques a tiros marchando para apoiar a causa.

Em Washington, no entanto, a resposta política deixou claro que o poderoso lobby pró-armas NRA permanece inabalável, enquanto o próprio Trump sugeriu que a causa principal dos massacres com armas de fogo é a crise na saúde mental, não fazendo qualquer menção ao controlo de armas. “Se o presidente quer vir até mim e dizer na minha cara que foi uma tragédia terrível e… Como nada vai ser feito a respeito, eu vou perguntar alegremente quanto dinheiro ele recebeu da Associação Nacional do Rifle”, disse Gonzalez. “Não importa porque eu já sei. Trinta milhões”, disse à multidão que participou na marcha e que incluiu estudantes, pais e autoridades locais, mencionando a soma gasta pela NRA para apoiar a campanha de Trump e derrotar Hillary Clinton. Dividindo esta quantia pelo número de vítimas de tiroteios nos Estados Unidos desde o início do ano, Gonzalez perguntou:

“É quanto essas pessoas valem para você, Trump?”. Em seguida, ela discorreu sobre uma lista dos argumentos pelos lobistas pró-armas, de que “um cara bonzinho com uma arma detém um homem mau com uma arma”, de que nenhuma lei jamais poderia impedir que um louco se lançasse a matar, respondendo cada um dos argumentos com “Nós dizemos conversa fiada”. As poderosas palavras da jovem viralizaram e o seu nome virou um dos principais ‘trending topics’ do Twitter. Um dia depois do massacre, o presidente americano também usou o Twitter para expressar que vizinhos e colegas de escola falharam em alertar as autoridades sobre o atirador. “Nós o fizemos”, respondeu Gonzalez, tremendo de emoção. “Mais de uma vez. Desde que ele estava no ensino médio.

Não foi uma surpresa para ninguém que o conhecia saber que ele foi o atirador”. As autoridades americanas têm sofrido críticas crescentes por ter falhado em agir diante de uma série de sinais de alerta. Na Sexta-feira, o FBI admitiu ter recebido um aviso em Janeiro de que Cruz poderia estar a planear um massacre, mas os agentes falharam em seguir a pista. Cruz também era conhecido da Polícia local, pois a sua mãe chamou os agentes várias vezes devido às suas explosões violentas, enquanto registos obtidos pelo jornal South Florida Sun Sentinel reportaram que os serviços de assistência social investigaram Cruz depois de ele fazer cortes nos braços e dizer que queria comprar uma arma.

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