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OPAÍS

Os ganhos económicos da primeira autoestrada a ser construída em 50 anos de independência

Jornal Opaispor Jornal Opais
31 de Janeiro, 2025
Em Economia
Os ganhos económicos da primeira  autoestrada a ser construída  em 50 anos de independência

Ao ser concretizado o projecto da construção da primeira autoestrada de Angola, com cerca de 1.400 quilómetros, que ligará o norte ao sul do país, vários ganhos económicos serão obtidos 50 anos após a independência, desde a arrecadação de receitas por portagens, a continuidade geográfica até o escoamento de produtos agrícolas e trocas comerciais

Conforme os planos do Executivo a infraestrutura pretende ligar o país do norte ao sul, abrangendo as províncias do Uíge, Cuanza-Norte, Cuanza-Sul, Benguela, Huíla e Cunene, Luanda, incluindo Soyo/Santa Clara, ou então mesmo facilitar o acesso para Cabinda.

Já em via de estudos, cujo início da construção efectiva da obra poderá acontecer no final deste ano ou em 2026, tal como foi previsto pelo Executivo, a empreitada estará a cargo da empresa chinesa Road and Bridge Corporation (CRBC).

“Desde que de facto se materialize a execução da obra, as vantagens são várias, com destaque para a agricultura”, diz o engenheiro agrónomo Adérito Costa, enfatizando que os ganhos não só serão para Angola, como também para os países vizinhos.

Adérito Costa afirma que com a concretização da autoestrada o país ganha no sentido duplo, sobretudo, no processo de escoamento de produtos do campo, sendo que Angola vai poder escoar as suas mercadorias a nível dos países da região da África Austral.

O engenheiro agrónomo afirma que os países vizinhos terão o privilégio de transportar seus produtos diversos, trazendo-os até aos países perto da orla marítima, sendo o caso de Angola.

As províncias estratégicas como Luanda, Zaire, Cabinda e Benguela, que albergam uma série de portos, desempenharão, com a construção da autoestrada, um papel preponderante, sendo o canal para o transporte de diversas mercadorias para o exterior do país.

A autoestrada angolana trará uma grande capacidade de resposta à importação e exportação de produtos variados, o que permitirá que os diferentes países, que dispõem de bons meios de transportes, passem a transacionar regularmente as suas mercadorias até os próprios destinos.

O agricultor aconselha, por isso, que para o sucesso das trocas comerciais, por meio da autoestrada, o Executivo faça o esforço de recuperar maior parte das vias  de acesso danificadas no interior do país, sobretudo das zonas recônditas.

“Ou seja, criar associações de terraplanagem das vias que interligam as zonas rurais para zonas de comércio e, por via destas, fazer fluir estes alimentos e produtos agrícolas”, frisou.

A criação de condições em zonas rurais, comunas e municípios permitirá o escoamento das  colheitas dos trabalhadores entre entrepostos, armazéns, centrais de compras e distribuição, bem como em mercados informais, sublinha o interlocutor.

Fazer fluir a economia Já o engenheiro civil Barnabé Raimundo comenta que, havendo a construção desta grande via de comunicação, a depender dos pontos de ligação, o país testemunhará um marco histórico, no âmbito da continuidade geográfica, um facto que, no seu entender, deverá ser considerado como algo “muito bom” para o país.

Barnabé Raimundo converge da ideia de que, para além de impulsionar as trocas comerciais, a agricultura, no país, a via de comunicação também poderá manter em funcionamento todos outros sectores da economia.

Refere que pode acontecer uma redução dos custos dos diversos produtos, por forma a facilitar a população, ao mesmo tempo que haverá arrecadação de receitas por meio de portagens que serão colocadas ao longo da rodovia. “Vai facilitar as trocas comerciais entre os países da região, e com isso a economia irá fluir e adiantar o desenvolvimento do país, em todos os aspectos”, disse.

Obediência à lei

Na visão do economista Alcides Gomes, a conclusão de uma autoestrada vai animar necessariamente a agricultura, gerando novos postos de trabalhos, quer temporários ou permanentes.

“A construção da primeira autoestrada vai promover a agricultura, animar as trocas comerciais, facilitar a vida das pessoas, gerar bem-estar, os ganhos são muitos, porque para mim estas acções são as que o Executivo deveria continuar a fazer”, incentivou.

Refere que, no âmbito da agricultura, é importante que a construção da autoestrada seja acompanhada das vias ferroviárias, ou então mesmo construir novos caminhos-de-ferro que interligam as zonas mais distantes do interior do país.

O economista é também de opinião que, no âmbito da construção da autoestrada, sejam reabilitados outros pontos de acesso para permitir a circulação regular de pessoas e bens.

Entende que o melhoramento das estradas deve ser a grande aposta do Executivo, pois, sem o bom estado destas vias de comunicação, a economia do país não pode funcionar.

De acordo com o economista, investir na construção de uma autoestrada constitui um grande passo para o país, desde que todo processo seja feito com transparência, obediência à lei dos contratos públicos, a fim de se garantir melhor uso dos recursos a serem aplicados.

“Porque sem a obediência à lei dos concursos públicos, a boa gestão dos recursos, estes investimentos acabam por custar além do que de facto deveriam custar”, alerta.

Alcides Gomes diz ser fundamental que o Executivo envide esforço de continuar a construir novas estradas, sendo Angola um país grande. Entretanto, aconselha que os avanços não devem ficar apenas pelas estradas.

Inclusão de empresas nacionais

A empreitada, embora esteja a cargo da empresa estatal chinesa China Road and Bridge Corporation (CRBC ), o engenheiro civil considera ser importante que durante a execução estejam envolvidas também determinadas empresas de construção nacionais.

Barnabé Raimundo defende um maior rigor e qualidade na execução da obra, bem como apela no sentido de que se faça um orçamento justo, em que os custos não cheguem acima do que se pretende ser o valor ideal.

Para Barnabé Raimundo, por ser a primeira infra-estrutura do género a ser construída no país ao longo dos 50 anos, as empresas nacionais envolvidas no projecto trarão benefícios em eventos futuros.

Recomenda, também, que ao se construir esta autoestrada seja importante que haja outras estradas alternativas, no sentido de facilitar o trânsito da população, sem o pagamento de portagens e nem a imposição de as pessoas circularem unicamente por esta via para o alcance de outras localidades.

“Eu não sou obrigado a pagar portagens para sair de uma posição a outra, mas se não existirem alternativas, terei de o fazer mesmo assim. Entretanto, o cidadão não deve ser obrigado a pagar portagens, se há estradas nacionais que ligam os mesmos destinos”, disse.

Barnabé Raimundo assinala, por exemplo, que se o Governo tiver que avançar com a autoestrada de Luanda para o leste, passando por Malanje, terá que construir outras estradas nacionais sem que se percorra apenas pela autoestrada.

O economista Daniel Sapateiro alinha-se no mesmo pensamento, defendendo que para a construção de uma autoestrada paga, por meio de portagens, o Governo precisa preocupar-se em reabilitar as estradas já existentes, ou construir outras vias alternativas sem custos para o utilizador, para que todos não sejam obrigados a percorrer por uma só via.

Mostra-se a favor do melhoramento das estradas nacionais, antes que se avance para a concretização de uma autoestrada, criticando o facto de ainda muitas destas vias se encontrarem em estado de degradação.

Para ele, não faz sentido ter que se desembolsar milhões numa autoestrada, de norte a sul, enquanto diversas estradas andam danificadas, sem uma terraplanagem.

POR:Adelino Kamongua 

 

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