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“A contribuição do seguro na economia está estagnada”

Jornal Opais por Jornal Opais
28 de Março, 2025
Em Economia

A revelação é do chefe do Departamento de Supervisão de Seguros da Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG), Flávio Guilherme, numa curta entrevista ao OPAÍS, na antecâmara da realização do seminário da Associação Internacional de Supervisão de Seguros da África Subsariana (IAIS), que começa hoje, em Luanda, e vai até ao dia 2 de Abril. Para o responsável, o panorama do sector e os desafios que se colocam a Angola para o aumento da taxa de penetração do mercado de seguros encontram-se abaixo de 1% no Produto Interno Bruto (PIB). Revela que a contribuição do seguro em Angola encontra-se abaixo dos principais países de África, como a Nigéria, Egipto, África do Sul, Marrocos, apenas para citar estes

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Angola acolhe de 28 de Março a 2 de Abril, em Luanda, o seminário da Associação Internacional de Supervisão de Seguros da África Subsariana (IAIS). Qual é o objectivo do evento?

Trata-se de um espaço de troca de experiência de alto nível técnico, estratégico e colaborativo entre os países membros da IAIS. Angola realiza pela primeira vez este tipo de evento anual e rotativo e reveste-se de capital importância na medida em que vai ser realizado no ano em que o país celebra os seus 50 anos de independência nacional.

Qual é a relevância e o impacto deste encontro para Angola?

Desde logo, o fortalecimento das capacidades regulatórias e institucionais dos países membros. A escolha de Angola demonstra a confiança que as instituições internacionais têm para com Angola, a solidez do seu quadro regulatório e reforça também o compromisso de Angola com um mercado segurador mais inclusivo, resiliente e alinhado às boas práticas internacionais.

Quantos participantes são esperados?

Mais de 220 membros, porque além dos integrantes da Associação, foram convidados mais sete associações internacionais de seguros de outras regiões do mundo. Estarão presentes, como é óbvio, players do mercado angolano de seguros, membros da sociedade civil e pessoas interessadas. No encontro, cada país membro vai ter a oportunidade de apresentar a sua experiência, vamos aprender e melhorar as nossas formas de supervisão. Destacar a presença no evento da ministra das Finanças que vai proceder à abertura.

Pode avançar os temas que serão abordados? São muitos, desde os mais gené- ricos até os mais específicos. Temas como o micro seguro, solvência baseada em risco, cibersegu- rança, riscos climáticos, inclusão financeira, normas contabilísticas internacionais, regulamenta- ção dos riscos climáticos, gestão de riscos, entre outros. São temas que foram seleccionados com base nas prioridades regionais e nas directrizes da IAIS. Na ocasião, serão apresentados estudos de casos de países como Gana, Namíbia, Zimbabué, Mauritânia e, como não podia deixar de ser, a experiência de Angola.

Como está a região, em geral, e Angola, em particular, em termos de taxa de penetração de seguros?

Na região, a taxa de penetração ainda é muito baixa, com registo de um nível de crescimento ligei- ro de alguns países, e estes seminários têm servido de troca de experiências para identificar as realidades concretas de cada país. A taxa de penetração de Angola está estagnada, nos últimos anos, abaixo de um dígito, encontrando-se abaixo dos principais países de África, como a Nigéria, Egipto, África do Sul, Marrocos, apenas para citar estes.

Segundo um estudo disponível, a ambição do país em relação à ta- xa de penetração no PIB, projectada para os próximos cinco anos, é atingir entre 1,2% a 1,5%. Como chegar a estes níveis?

Um dos desafios de Angola é aumentar a taxa de literacia de seguro. Para tal, passa pela estabi- lidade macroeconómica (em particular Cambial), realização de workshops para o aumento da li- teracia de seguros e a aprovação de leis que permitam que as segura- doras criem produtos mais atrativos.

Quais são os produtos mais procurados no mercado angolano?

Os produtos obrigatórios são ainda os mais procurados, nomeadamente saúde, automóvel, acidente de trabalho, petroquímica, viagem. Todavia, as seguradoras estão a ser desafiadas a diversificar e a criar produtos mais micros e acessíveis à maioria das camadas da população.

Há registo de muitas reclamações sobre os serviços prestados pelas seguradoras?

As reclamações seguem uma tendência crescente, por exemplo, de 19%, no primeiro semestre de 2023, comparado ao período homólogo de 2024. Os clientes queixaram-se mais da morosidade na resolução de sinistros e da falta de comunicação entre as partes. E com estas queixas são produzidos relatórios que são apresentados ao operador que se vê obrigado a prestar cada vez mais um melhor serviço. O aumento do número de queixas tem a ver também com o aumento da literacia dos clientes.

À Agência Angolana de Regulação e Supervisão de Seguros (ARSEG) incumbe a regulação, supervisão, fiscalização e o acompanhamento da actividade seguradora, res- seguradora, de fundo de pensões e de mediação de seguros e resseguros em Angola. Tem cumprido bem com este papel?

Estamos a propor iniciativas legislativas, produzimos relatórios de reclamações, portanto esta- mos a acompanhar o negócio das seguradoras.

Como está Angola em termos de concentração do mercado de seguro?

Como disse, os seguros obrigatórios são os mais procurados e, dados de 2024, apontam a Saúde/ doença 39%, Petroquímica 16%, Incêndio/multirriscos 11%, Automóvel 9%, Acidente de trabalho 9%, Vida 8%, e restante 8%.

O número de seguradoras tem crescido?

Não. É estável o mercado contínuo com 22 seguradoras, havendo perspectiva da entrada de mais duas, em operação nos próximos dois anos.

POR:José Zangui

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