A República de Angola pretende partilhar a sua experiência na exploração dos recursos hídricos com as vizinhas Repúblicas da Namíbia e Democrática do Congo, com vista ao combate aos fenómenos naturais que, entre vários efeitos, se destacam pela seca que, no caso de Angola, afecta a região Sul do país, particularmente as províncias da Huíla, Namibe e Cunene.
João Katombela, enviado ao Cunene
A informação foi avançada ontem pelo Presidente da República, João Manuel Gonçalves Lourenço, durante uma conferência de imprensa realizada na localidade de Calucuve, município do Cuvelai, província do Cunene, à margem da cerimónia de inauguração das duas barragens.
O evento foi testemunhado pelo Presidente da República Democrática do Congo, Félix Tshisekedi, e pelo embaixador da Namíbia em Angola, Leonard Lipumbu.
João Lourenço justificou o convite aos representantes dos dois países pelas boas relações que Angola mantém, há décadas, com ambos, bem como pelo vasto território fronteiriço que a República Democrática do Congo e a Namíbia partilham com Angola.
“Falando de convidados, temos aqui o Presidente da República Democrática do Congo, o ministro da Energia e Águas e o embaixador da vizinha República da Namíbia. Com relação à Namíbia, a razão de ser da presença deles neste acto de inauguração é compreensível. Aliás, já estiveram na inauguração do Canal do Cafu, porque a Namíbia tem características muito semelhantes às da província do Cunene. Portanto, a mesma seca severa que o Sul de Angola sofre também afecta uma boa franja do território da Namíbia”, disse.
Segundo o Chefe de Estado, se Angola está a encontrar soluções para minimizar o sofrimento das populações, através da realização destes investimentos, é natural que os países vizinhos se interessem pela experiência angolana.
“É natural, é normal que os nossos vizinhos, os nossos irmãos da Namíbia, se interessem em vir beber um pouco da nossa experiência, quem sabe para que eles possam também fazer algo idêntico, com o mesmo objectivo de servir as populações, no caso, as namibianas”, afirmou.
Ainda sobre a República da Namíbia, o Presidente João Lourenço revelou que os Governos de Angola e da Namíbia estão a estudar a possibilidade de estender o Canal do Cafu ao território namibiano.
RDC com potencial hídrico
O mais alto magistrado da Nação reconheceu o elevado potencial hídrico da vizinha República Democrática do Congo, mas defendeu a necessidade de fazer chegar estes recursos às populações que deles necessitam.
“O Presidente Tshisekedi é Presidente de um país que não tem secas, não sofre de seca. O que tem de mais é água. A água é abundante, chove bastante e tem bastantes cursos de água. Mas uma coisa é ter água e não ter a possibilidade de fazer chegar essa mesma água a quem precisa. Portanto, é normal que as autoridades congolesas estejam a pensar também em fazer canais a partir dos abundantes rios que possuem, para fazer chegar a água às populações que estão distantes destes mesmos rios”, afirmou.





