O Ministério da Saúde (MINSA) preparou 44 profissionais para reforçar a formação e as competências no sector da Saúde, durante um acto de acolhimento e despedida realizado na sexta-feira, 28 de Agosto, em Luanda, através da Unidade de Implementação do Projecto de Formação de Recursos Humanos para a Cobertura Universal de Saúde (UIP-PFRHS).
Do total de participantes, 21 são directores pedagógicos de diferentes hospitais, instituições e províncias do país, enquanto 23 são profissionais de saúde seleccionados para frequentar formações especializadas no exterior, com destaque para o Brasil e Portugal.
Na abertura dos trabalhos, o coordenador e gestor técnico da UIP-PFRHS, Prof. Dr. Job Monteiro, destacou a importância das Direcções Pedagógicas na identificação das necessidades de formação e na selecção de profissionais com potencial para multiplicar os conhecimentos adquiridos.
Segundo o responsável, a escolha dos beneficiários não é uma decisão unilateral da gestão do projecto, podendo os profissionais ser identificados pelas próprias instituições, manifestar interesse em determinadas oportunidades mediante autorização institucional ou ser seleccionados a partir de vagas disponibilizadas por instituições e países parceiros.
Job Monteiro defendeu, por isso, uma participação mais activa das Direcções Pedagógicas no processo, por conhecerem as necessidades das instituições e os profissionais que podem assumir o papel de replicadores.
Para o gestor técnico, o impacto da formação não deve limitar-se à obtenção de uma especialidade, curso ou estágio. A expectativa é que os profissionais regressem às instituições de origem com capacidade para aplicar e transmitir os conhecimentos adquiridos.
“Queremos formar especialistas que regressem ao país, regressem às suas instituições e sejam capazes de multiplicar o conhecimento”, sublinhou.
Entre as responsabilidades atribuídas às Direcções Pedagógicas estão a identificação das necessidades das unidades, participação na selecção dos candidatos, acompanhamento do percurso dos profissionais, monitorização do desempenho e criação de condições para a aplicação e disseminação das competências adquiridas após o regresso.
Durante o encontro, também foi reforçada a necessidade de maior utilização da plataforma UpToDate, disponibilizada no âmbito da estratégia de reforço do acesso dos profissionais de saúde a informação científica e ferramentas de apoio à decisão clínica.
Job Monteiro apelou aos directores pedagógicos para promoverem o uso da plataforma nas suas instituições, envolvendo médicos, enfermeiros e técnicos. A UIP-PFRHS informou que está a trabalhar com unidades hospitalares para garantir o acesso institucional, através do levantamento dos dados técnicos necessários.
Entre as unidades que já disponibilizaram informação para activação do acesso estão o Hospital Pediátrico David Bernardino, Hospital Geral de Luanda, Hospital Geral de Benguela, Hospital Geral de Cabinda, Hospital Psiquiátrico de Luanda, Hospital Materno-Infantil Azancot de Menezes, Hospital Geral do Cuanza-Sul e Hospital dos Queimados Presidente Julius Nyerere, entre outras.
No âmbito da formação, foi igualmente anunciada uma nova sessão sobre a utilização do UpToDate, marcada para 3 de Setembro, às 14h30, destinada a orientar os profissionais sobre cadastro, acesso, pesquisa e utilização dos conteúdos disponibilizados.
A preparação dos 44 profissionais incluiu ainda orientações sobre direitos e deveres dos beneficiários, bolsas de estudo externas e modalidades de formação, incluindo ensino presencial, à distância e modelos híbridos.
Foram também abordadas questões relacionadas com os apoios previstos, a diferença entre bolsas integrais e parciais e a manutenção do vínculo dos profissionais com o Ministério da Saúde durante o período de formação.
A componente ética e comportamental também fez parte do encontro. Os participantes receberam orientações sobre respeito, integridade, responsabilidade, disciplina e cumprimento das normas das instituições de origem e de acolhimento, bem como dos países de destino.
A sessão abordou ainda as Salvaguardas Ambientais e Sociais, assim como questões relacionadas com Violência Baseada no Género, Exploração Sexual, Abuso Sexual e Assédio Sexual, com orientações sobre prevenção, comunicação e resposta a eventuais incidentes.
Outro tema tratado foi a gestão responsável dos recursos disponibilizados aos beneficiários. O Especialista de Finanças, Dr. Adão Pascoal, orientou os participantes sobre planeamento dos gastos, elaboração de um orçamento mensal, distinção entre despesas fixas e variáveis, racionalização dos recursos e prevenção de compras por impulso.
A preparação incluiu igualmente orientações administrativas relacionadas com viagens e bilhetes de passagem, apresentadas pela consultora administrativa e de aquisições, Dra. Karen dos Santos.
Entre as áreas de formação dos profissionais seleccionados encontram-se dermatologia com ênfase em feridas, infectologia, traumatologia, cirurgia e traumatologia bucomaxilofacial, neonatologia, biologia molecular, gestão da saúde e gestão da formação, entre outras.
Ao dirigir-se aos profissionais que seguem para o exterior, Job Monteiro reforçou a necessidade de aproveitarem a experiência das instituições de acolhimento e regressarem com competências capazes de produzir mudanças nas instituições de origem.
“Não podem voltar como estão. Devem voltar diferenciados”, afirmou.
O responsável acrescentou que o investimento realizado pelo país deve permitir que os profissionais, depois da formação, contribuam também para a preparação de outros quadros.
No domínio da enfermagem, por exemplo, os profissionais actualmente em formação deverão constituir, após o regresso, uma base de futuros docentes e orientadores para os próximos ciclos formativos.
O Director do Instituto Nacional de Oncologia, Dr. Flaviano Garcia Sambo Za Nzambi, destacou, por sua vez, a importância da formação especializada para o desenvolvimento de áreas diferenciadas da medicina e apelou aos beneficiários para assumirem a formação como uma missão de responsabilidade nacional.
Para os participantes, a formação representa uma oportunidade de crescimento profissional, mas também uma responsabilidade perante o país e as instituições que investem na sua qualificação.
A expectativa é que, após as formações, os profissionais regressem a Angola preparados para aplicar os conhecimentos adquiridos e contribuir para a melhoria dos serviços de saúde.
O encontro terminou com o reforço da necessidade de uma articulação permanente entre a UIP-PFRHS, as Direcções Pedagógicas, as instituições de origem e os beneficiários, com o objectivo de garantir o acompanhamento do processo formativo e a multiplicação das competências adquiridas.





