A Galeria Mayamba, em Luanda, inaugura, a 3 de Setembro próximo, uma exposição de Shodo, a tradicional caligrafia japonesa, para assinalar os 50 anos de relações diplomáticas entre Angola e o Japão
A abertura oficial da mostra está marcada para as 18h30, nas instalações da Galeria Mayamba, no município da Ingombota, e reúne obras da Mestra Ozawa Ransetsu, reconhecida pela longa dedicação a esta expressão artística e cultural japonesa.
Aos 80 anos, Ozawa Ransetsu apresenta uma trajectória de quase oito décadas ligada ao Shodo, prática que iniciou aos três anos de idade. Ao longo deste percurso, a artista transformou a caligrafia numa forma de disciplina, concentração e expressão espiritual, para além da sua dimensão puramente artística.
A exposição pretende proporcionar ao público angolano um contacto com uma tradição em que cada movimento do pincel, a intensidade da tinta e o espaço deixado no papel assumem importância na composição. A linguagem visual do Shodo caracteriza-se pelo equilíbrio, simplicidade e precisão.
Sob chancela da Galeria Mayamba, com o apoio da Pango Consulting Group, a iniciativa enquadra-se nas celebrações do meio século de relações diplomáticas entre Angola e o império nipónico e procura reforçar o intercâmbio cultural entre os dois países através das artes.
Uma ponte entre duas culturas
A direcção artística, a construção visual e o desenvolvimento dos conteúdos da exposição estão a cargo de Mayumi Yamada, CEO da Pango Consulting Group, que procurou estabelecer um diálogo entre referências culturais japonesas e angolanas.
A concepção da mostra recorre a materiais e elementos tradicionais para proporcionar uma experiência visual e sensorial da cultura japonesa. As composições evocam diferentes estações do ano e atmosferas associadas à estética nipónica.
A proposta procura, deste modo, tornar acessível ao público angolano uma expressão artística que, embora tenha a escrita como ponto de partida, ultrapassa a função convencional das palavras.
Literatura clássica entre a exposição
A componente cultural da iniciativa será igualmente reforçada pela participação da professora Yumiko Sakaguchi, especialista em literatura clássica japonesa.
A docente leccionou no Gakushuin, instituição que esteve ligada, até 1947, à educação da família imperial e da nobreza japonesa. A sua participação deverá acrescentar uma dimensão histórica e literária à exposição, e contribuir para uma compreensão mais aprofundada das obras e do contexto cultural em que o Shodo se desenvolveu.
A escrita transformada em arte
O Shodo é uma das expressões tradicionais da cultura japonesa e combina técnica, disciplina e contemplação. A prática exige domínio do pincel, controlo do movimento e atenção permanente à relação entre tinta, papel e espaço.
Cada traço é executado de forma definitiva, o que exige do praticante elevado nível de concentração e domínio do gesto. É precisamente esta dimensão que a Galeria Mayamba pretende levar ao público de Luanda, apresentando uma arte em que a escrita se transforma em gesto, o gesto em composição e a composição numa forma de comunicação.
A exposição de Ozawa Ransetsu surge, assim, como uma das iniciativas culturais que assinalam os 50 anos de relações diplomáticas entre Angola e Japão, estabelecidas em 1976, procurando transformar a efeméride num momento de aproximação entre os dois povos através da arte e da cultura.






