À redacção, aos jornalistas do jornal OPAÍS e aos caros leitores, Olhando para o assunto do momento nas redes sociais, relacionado com a acusação de um professor universitário por assédio a uma aluna, entendo que todo o profissional, independentemente da instituição a que pertença o professor em causa, é, antes de tudo, um ser humano. Por isso, a sua condição profissional não deve fazer-nos esquecer a necessidade de respeito pela sua dignidade, integridade e pelos seus direitos.
No caso dos profissionais envolvidos no processo de ensino- aprendizagem, é fundamental que o exercício da profissão seja pautado pelo respeito, pela ética e pelo profissionalismo. Qualquer situação que envolva agressões, ofensas graves, assédio ou outras condutas inadequadas deve ser tratada com a devida seriedade, procurando-se sempre esclarecer os factos e responsabilizar, quando for comprovada, a conduta de quem tenha violado as normas.
Os conteúdos que são lançados ao público não servem apenas para denunciar possíveis infractores. De alguma forma, também revelam o tipo de profissionais e de instituições que somos, individual e colectivamente. Por isso, é importante que as denúncias sejam feitas com responsabilidade, sem transformar situações particulares em instrumentos para descredibilizar ou manchar a imagem das instituições que servimos.
Os alunos têm, naturalmente, o direito de denunciar situações de assédio, abuso ou qualquer tentativa de obtenção de favores académicos ou profissionais por meio de relações inadequadas. Ao mesmo tempo, é necessário que todas as situações sejam analisadas com imparcialidade, respeitando-se os factos, a dignidade das pessoas envolvidas e o direito de defesa. Não se deve presumir culpa nem inocência antes da devida apuração. Da mesma forma, é importante que os próprios alunos sejam orientados a rejeitar comportamentos que possam comprometer a sua dignidade ou os princípios de uma formação baseada no mérito.
Um aluno deve ser avaliado e aprovado pelo seu conhecimento, dedicação e desempenho, e não pela cedência a qualquer tipo de favorecimento ou exigência indevida. No fundo, todos precisamos de trabalhar a nossa consciência e aprender a lidar com as nossas emoções e responsabilidades. O equilíbrio pessoal, o respeito pelo outro e a ética profissional são fundamentais para construirmos ambientes educativos mais seguros, justos e dignos para todos.
POR: Pedro Bata Morador do Bairro Popular, Uíge





