A família, a escola e a igreja são três instituições que elevam e formam a vida de qualquer indivíduo na sociedade. O pai é modelo para os filhos, o professor para os estudantes e o padre para os membros da sua igreja. Cada uma dessas figuras carrega um grande peso de responsabilidade. Acredito que a formação integral de uma criança se baseia nesses três pilares (família, escola, igreja), pois eles permanecem ao longo do tempo, mesmo que o professor não esteja mais presente no percurso formativo. Quando temos esses pilares como referência, o professor é sempre lembrado como uma marca. Tudo isso se relaciona ao que presenciamos nesta semana, envolvendo um suposto professor, supostamente vinculado ao ensino superior.
A instituição mencionada numa nota divulgada publicamente já se distanciou da sua associação com o indivíduo, assim como a TV Zimbo, onde o cidadão em questão actuava como comentarista ocasional. A sociedade reagiu com tanta repulsa que, independentemente dos crimes cometidos que pesam contra os indivíduos que o agrediram brutalmente, não se justifica, pois existem instituições; ou seja, não se faz justiça com as próprias mãos, que são adequadas para a resolução do problema. No entanto, o motivo que levou a ser alvo dessa enxovalhada tem no cerne o prazer da cama.
A educação, mesmo em nível universitário, deve persistir como a base para a formação de valores que incentivem a empatia e a solidariedade. Isso é importante para que se construa um futuro onde a diversidade seja celebrada, e não temida, de modo a evitar a infiltração de predadores disfarçados de professores que entram nas instituições com más intenções. Não é aceitável que um professor respeitável troque notas por favores sexuais.
Quais são as intenções deste indivíduo? Que resultados concretos espera que este/a estudante, que amanhã pode se tornar professor e um líder para o país, alcance? Há muitas perguntas encravadas. No entanto, esse caso, que ocorreu no final de Julho e só agora ganhou destaque público devido às imagens divulgadas nas redes sociais, serve como um alerta para centenas de outros casos não confessados. Esses casos estão guardados não apenas na memória de dispositivos digitais, mas também na memória de pessoas que, por temerem represálias, permanecem em silêncio.
Recentemente foi revista e aprovada a nova lei contra violência doméstica, que aumenta a pena de prisão para até 15 anos, mesmo que a vítima não denuncie o crime para não ficar refém do agressor. Acredito que seja igualmente importante que os legisladores considerem esses casos de assédio, intimidação e outros como mote para leis afins. Porque o professor é um modelo em todas as sociedades. É um homem que deve ter uma conduta digna de respeito. A divulgação de episódios desse tipo prejudica a reputação dos bons e verdadeiros professores, que veem o ensino não como um mero emprego, mas como uma missão. Esses, de facto, são e devem ser chamados de senhor professor.





